Uma estrangeira no mundo

"Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim." – Jo 15.18

Justos mendigando o pão?



“Fui moço, e agora sou velho; mas nunca vi desamparado o justo, nem a sua semente a mendigar o pão.” – Sl 37:25
“Se alguém falar, fale segundo as palavras de Deus; se alguém administrar, administre segundo o poder que Deus dá; para que em tudo Deus seja glorificado por Jesus Cristo, a quem pertence a glória e poder para todo o sempre. Amém.” – 1 Pe 4:11

Atualmente há uma invasão “gospel” na mídia brasileira. Programas de rádio e tevê se proliferam, na grande maioria das vezes mostrando curas espetaculares a fim de atrair os incrédulos e os crentes de outras denominações (mas esse é um assunto para outro tópico). Entre outras coisas, há algo em comum em quase todos os programas: no final faz-se pedidos de ofertas em dinheiro, a fim de sustentar o programa.

Há pedidos e pedidos. Nada contra se colocar, no final, o número da conta-corrente à disposição daqueles que gostariam de ajudar o ministério. Isso é até natural, não é preciso ser crente para fazer isso. O que me incomoda mesmo é quando o pregador faz chantagem emocional, do tipo “se você não me ajudar, esse programa vai sair do ar, blablabla”.

Ora, em primeiro lugar, um programa evangélico, seja em qual mídia for, difere de um programa secular (ou pelo menos deveria diferir) por não depender de suas próprias forças, mas da força de Deus. Afinal, se é a vontade de Deus, não haverá falta de dízimos ou ofertas que fechará a obra. Ao contrário, em Sua Palavra Deus nos afirma que Ele proverá. Ele proveu o cordeiro em substituição de Isaque, proveu o povo hebreu na longa caminhada no deserto, e nos provê até hoje (cada cristão tem seu próprio testemunho nesse sentido). A provisão no deserto, assim como a multiplicação do azeite da viúva em 2 Reis 4, ou mesmo as multiplicações de pães feitas por Jesus mostram Deus perpetuando bens materiais que deveriam ter-se exaurido há muito tempo. Ora, se Deus multiplica pães, azeite, faz crescer roupas de acordo com o crescimento de seus usuários, como fez no deserto, não pode Ele multiplicar o dinheiro, a fim de financiar Sua obra? Não é isso o que os mesmos pregadores que imploram por uma oferta pregam em seus púlpitos, na hora do dízimo?

Infelizmente o milagre financeiro de Malaquias 3:10 só parece funcionar com o “povão”, pois nem os pregadores parecem acreditar que isso sirva para suas vidas… Se cressem, não se debulhariam em lágrimas, como já ouvi várias vezes num programa de rádio “gospel”, implorando peloamordeDeus que alguém faça uma boa oferta, senão no dia seguinte não haverá programa, e aí no dia seguinte a mesma ladainha e blablabla e falar em línguas e chorar e implorar por um dinheirinho peloamordeDeus.

Misericórdia!

Aí entramos num outro ponto: o programa que está sem fundos (segundo quem prega, porém nunca sai do ar), esmolando ofertas por ser, segundo o pregador, um importante instrumento de Deus para a evangelização desses incrédulos, realmente é isso mesmo para Deus, ou não passa de algo que apenas alimenta o orgulho próprio do pregador em questão?

Quando a obra é de Deus, não há dúvidas de que Ele a supre. A obra é Dele, Ele faz. Porém, muitas vezes queremos fazer a obra, para o bem Dele (novas almas para Jesus é algo bom para Ele, segundo nossa cabecinha inteligente), e quando nos vemos numa sinuca de bico, na iminência de ter que “pagar o preço” literalmente, nos vemos sozinhos, tendo que buscar com nossas próprias forças (chantagem emocional, choro, tristeza pelo fim de uma obra que ajudava tantas pessoas) os meios para continuarmos levando o projeto. É claro, o projeto é NOSSO, então NÓS é que temos que estar à frente. Nem nos passa pela cabeça o termos que deixar tudo, afinal essa NÃO É a vontade de Deus, claro!!!

Mas pode ser sim a vontade de Deus. A obra sempre será Dele. Ele é quem acrescenta as almas que virão a ser salvas. Envergonho-me quando sou obrigada a assistir programas onde o nome do pregador é mais falado do que o nome de Deus. Já ouvi pregações da maior autoridade em libertação, do maior ministro de curas, e outros títulos tão modestos quanto. Há pregadores que querem ser mais conhecidos do que suas próprias denominações. E, claro, para isso necessitam ter programas evangelísticos, onde a última intenção é evangelizar, e a primeira divulgar os egos inflamados. E aí me pergunto: é da vontade de Deus essa obra? Ele a financiará, a proverá?

Não é a toa que vemos tantos justos mendigando o pão nas rádios e tevês. É triste ver que, além de não pregarem nada, ainda gastam o tempo na mídia para envergonhar o Evangelho. Algumas vidas podem sim vir a conhecer a Cristo através desses programas, mas isso pela misericórdia de Deus, não pela eloquência desses pregadores. Muitos parecerão ter se convertido, mas palavra humana não faz a transformação de vida que só o Espírito Santo pode fazer. Não é por acaso que as igrejas estão cheias de crentes-da-boca-pra-fora, que estão ali para participar do clube das curas ou coisa parecida, mas isso também é assunto para um outro tópico.

Os meios de comunicação podem ser instrumentos de propagação do Evangelho, mas só se for da vontade de Deus. Se for, Ele proverá o sustento, Ele capacitará os pregadores, Ele acrescentará as almas que serão salvas através da programação, e Ele trocará o pregador, ou findará o programa, quando isso for da Sua vontade também, e tudo isso sem choro nem vela, mas para que Seu nome seja glorificado.

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Publicado às 23/03/2009 por em Uncategorized e marcado , , , , .
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