Uma estrangeira no mundo

"Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim." – Jo 15.18

O Brasil é do Senhor Jesus – e daí?


“Porque nada há encoberto que não haja de ser manifesto; e nada se faz para ficar oculto, mas para ser descoberto.” – Mc 4:22

“E, interrogado pelos fariseus sobre quando havia de vir o reino de Deus, respondeu-lhes, e disse: O reino de Deus não vem com aparência exterior. Nem dirão: Ei-lo aqui, ou: Ei-lo ali; porque eis que o reino de Deus está entre vós.” – Lc 17.20-21
“O Brasil será do Senhor Jesus”, eis o grito de guerra de milhares de evangélicos neste país. Aparentemente, um grito mais do que justo, afinal é maravilhoso uma nação servir ao Verdadeiro Deus. Mas será que esse grito tem razão de ser?

Segundo os dados do IBGE, no ano 2000 os evangélicos eram cerca de 15,4% da população brasileira. De lá para cá os números devem ter aumentado bastante, pois as igrejas protestantes, principalmente as neopentecostais, têm investido no aumento dos seus rebanhos. Mas será que há 15% da população convertida realmente a Cristo?

O que me motivou a escrever este artigo foi uma série de notícias policiais envolvendo evangélicos: um tio “crente”, que sequestrou a sobrinha quando ela tinha 8 anos, e que a manteve sob tortura e abusos até os 17, quando ela conseguiu fugir de casa e pedir ajuda; uma criança, de família adventista, que foi esquartejada; um político evangélico, que resolveu também entrar na farra das passagens aéreas, levando artistas gospel a um show de sua igreja; um apóstolo, que foi condenado a 21 anos de prisão por estupro (já no site da sua igreja, o apóstolo está até vendendo o CD dos 300 dias de prisão, “bença” pura!); apóstolo e bispa, presos nos EUA por tentativa de entrada ilegal de dinheiro, escondido até dentro de uma Bíblia (esse acho que não precisa nem de link); pastor evangélico confessa assassinato da esposa por medo de morrer durante viagem de avião; deputado e pastor acusado de mandar matar ex-amigo. E etc etc etc etc (se formos nomear todos os crimes onde há evangélicos, seja como réus, seja como vítimas, esse artigo vai virar um livro).

Ora, mas o importante é o slogan festivo: “O Brasil será do Senhor Jesus”!!!

Não tenho grandes expectativas quanto a isso. Que o Brasil será do Senhor Jesus, disso tenho certeza, e ocorrerá quando da Sua Segunda Vinda. Não só o Brasil, mas todo o mundo será Dele, pois todo o joelho se dobrará e toda a língua O confessará como o Senhor. Antes disso, porém, não há evidências de mudanças para o bem, ao contrário, Jesus disse que nem todos os que dizem “Senhor, Senhor!” entrarão no Reino dos Céus. As fraudes, mentiras, crimes envolvendo cristãos deixam isso muito claro.

As igrejas correm contra o tempo (não por medo da chegada do Apocalipse, mas para que outra igreja não chegue antes) na luta para evangelizar os descrentes. Vale tudo: promessas de carro do ano e bênçãos financeiras, pois Deus é o dono do ouro e da prata e quer que a gente determine o que Ele tem que fazer (ué, o Deus é Ele ou somos nós?), curas milagrosas (Paulo, que morreu com um espinho na carne, devia ser meio herege, pois cristão não pode ter doença- nem dor de cabeça – pois com certeza é brecha e culpa do maligno), até venda de cargos na denominação (dízimo excelente=bispo, dízimo bom=pastor, dízimo razoável=presbítero, dízimo meia-boca=faxineiro voluntário, pois não importa o cargo, irmão, importa é que está fazendo para Deus). Muitos estão se tornando cristãos só de boca, acho que porque alguns interpretam errado que ao confessar com a boca a pessoa já é transformada e salva, esquecendo-se que tem também que se crer com o coração (Rm 10.9). Assim, descrente vira “crente”, começa a pagar dízimo, e está salvo por Jesus!!!

Um colega alcoólatra foi numa dessas denominações onde o importante é “salvar as almas”, mesmo que de qualquer jeito. Assistiu ao culto, foi levado às lágrimas pela ótima retórica do pregador, e no final foi à frente, aceitou a Jesus, e no mesmo instante foi levado à piscininha da igreja e foi batizado. Continuou “crente” mais uns dois domingos, depois voltou ao (a)normal, tomando todas. A culpa é dele, que se desviou, ou da denominação, que não o evangelizou?

No livro de Atos dos Apóstolos diz-se que o Espírito Santo era quem acrescentava as almas que eram salvas. Nos dias atuais, quem acrescenta as almas são as metas que os líderes impõem sobre os pastores. Pastor que não aumenta o dízimo na proporção desejada, ou deixa a igreja, ou vai para alguma comunidade em Quixeramobim do Norte Adentro. Então, assim como no mundo empresarial, o pastor tem que se virar para cumprir suas metas de aumento de rebanho. Muita gente se torna cristã pelo emocionalismo dos cultos, ou porque as igrejas são clubes onde é possível fazer amigos, as vidas não são transformadas pelo Espírito Santo, o templo fica cheio e tem-se a impressão de que se está fazendo a obra de Deus. Tudo aparência.

Onde houver crimes, infelizmente poderá haver evangélicos envolvidos. Ser evangélico é moda, as igrejas não exigem mais mudança de vida se o dízimo for gordo (já se for magrinho o cidadão está em pecado, tem que mudar para ganhar prosperidade), qualquer um bem de vida ou bem relacionado se torna líder de uma hora para outra, as pessoas não são mais exortadas, pois isso não atrai público. O Espírito Santo não tem mais liberdade para agir, mesmo em algumas igrejas do “re-té-té”: pode por o povo para falar em línguas, para dançar, para extravasar, mas para exortar, isso não. Se o Espírito Santo não muda o homem, ele continua velha criatura, e velha criatura comete pecados e crimes por inveja, ciúmes, ganância, ambição, pretensão, egoísmo.

É muito triste ver cristãos, evangélicos, envolvidos em crimes. Escandalizam a comunidade onde vivem, a cidade, o país, às vezes o mundo, quando o caso é de repercussão mundial. Escandalizam, acima de tudo, o Evangelho, as boas-novas de Cristo. Mas isso apenas reflete o mundo atual, onde, como evangélicos, também estamos inseridos.

O Brasil será do Senhor Jesus? Eu penso que o Brasil já é do Senhor Jesus, pois no tempo de Deus Ele já venceu, tanto que João pôde ver essa realidade e nos deixar seu relato no livro do Apocalipse. Porém, até que isso se torne realidade em nossas vidas, como Igreja devemos repudiar essa falsa evangelização que promovemos visando interesses próprios de crescimento apenas denominacional, e passar a cumprir o verdadeiro “Ide”; abrir mão de ambições pessoais e nos fazer pequenos, mesmo se formos líderes, para que Cristo possa ser engrandecido. Só assim, teremos verdadeiros evangélicos, verdadeiros seguidores Daquele que é o único Senhor e Salvador.

Eu acredito que haverá avivamento no dia em que uma igreja conseguir mudar a realidade de sua região. Maranata!

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Publicado às 15/05/2009 por em Ser estrangeira e marcado , , , , , .
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