Uma estrangeira no mundo

"Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim." – Jo 15.18

Igreja = fábrica de doidos?


“Assim, pois, as igrejas em toda a Judéia, e Galiléia e Samaria tinham paz, e eram edificadas; e se multiplicavam, andando no temor do Senhor e consolação do Espírito Santo.” – At 9.31

“E Jesus, tendo ouvido isto, disse-lhes: Os sãos não necessitam de médico, mas, sim, os que estão doentes; eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores ao arrependimento. – Mc 2.17

“Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens.” – Mt 5.13

O que está acontecendo em nossas igrejas? Durante os cultos somos alegres, contritos, rimos, choramos, batemos palmas, desejamos “a paz” a quem está ao nosso lado. Porém, após as duas ou três horas semanais nossa vida volta a ser triste, chata, sofrida, frustrante, pecaminosa.

Como cristãos, não podemos transparecer derrota, afinal derrotado é o diabo, nós somos cabeça e não cauda, temos poder para pisar serpentes e escorpiões e muito mais. Não transparecemos derrota a quem está de fora, mas em nossos lares somos grandes derrotados, pois não conseguimos ser felizes no casamento, ter sucesso nos negócios ou no trabalho, ter alegria com nossos filhos, ser sal em nosso lar e em nossa comunidade. O bonito sermão de domingo não dura até nossa chegada em nossa casa. Já no caminho, brigamos com nossa companhia e começamos a discutir porque fulano faz tal coisa e sicrano não.

Vivemos realidades opostas, uma escondida da outra, como o sol e a lua. De dia, na igreja, somos alegres, felizes, vencedores; à noite, às escondidas, estamos às voltas com sites pornográficos, desejando matar tal pessoa e seduzir outra; queremos falar mal dos defeitos do vizinho e planejar como chegar à liderança de tal departamento da igreja ou do trabalho. De dia, somos bons; de noite, somos infernais.

Está certo que a Igreja é a congregação dos doentes, dos que precisam de médico, porém porque na Igreja a medicina de Cristo parece não fazer efeito? Quantos e quantos não vivem décadas com seus medos, defeitos, doenças, e nada acontece? Cadê os frutos da conversão à Cristo?

O pior é quando muitos ficam ainda mais doentes nas igrejas. O não compreender a mensagem da Graça de Cristo, aliado ao peso de dogmas que nos são muitas vezes afligidos fazem com que muitos se tornem verdadeiros doentes da alma, beirando à loucura, muitas vezes.

As igrejas têm o poder de enlouquecer qualquer um, com o peso do jugo que colocam sobre seus fiéis. A mensagem da Graça parece não existir em algumas, apenas a da Lei pura e simples, e sobre isso Jesus disse aos fariseus:

“Ai de vós também, doutores da lei, que carregais os homens com cargas difíceis de transportar, e vós mesmos nem ainda com um dos vossos dedos tocais essas cargas.” – Lc 11.46

Quem não conhece cristãos que vêem o diabo em todos os lugares, por aprenderem o Evangelho com uma ênfase exagerada nesse assunto? Ou que não falam ou namoram com quem não seja de sua denominação, ou que são totalmente manipulados por seus pastores? Eu soube, por exemplo, de uma denominação de Santarém/PA, cujo pastor proibiu os frequentadores de seu mega-templo de irem num culto de um pastor televisivo, e segundo o pastor-proibidor o culto foi “um fracasso” (para seu orgulho próprio). Um pastor americano jogava maldições de câncer sobre os fiéis que não vendessem e dessem tudo para sua igreja, como o próprio pastor disse ter feito, e por isso está sendo processado pelos que conseguiram abrir os olhos. Por que infligir sobre as ovelhas o peso de uma obediência cega e burra, sob pena de ser vítima de maldições pastorais? Não será por atitudes parecidas que vemos muitos evangélicos sem vontade própria, sem senso crítico, com medo de pensarem por si mesmos, vivendo como verdadeiros robôs?

Infelizmente, muitas igrejas são fábricas de doidos, de fundamentalistas, de escravos, o que vai totalmente contra as Boas-Novas de Cristo, que nos prometem vida em abundância e LIBERDADE. De modo contrário, muitas igrejas são um verdadeiro fardo, são uma prisão para almas, e a Bíblia diz que quem aprisiona é o diabo. Será que muitas igrejas são feitas de lobos em pele de cordeiro?

Para quem pensa que a Igreja é um mundo de Alice, sugiro a leitura da seção de cartas do site do Pr. Caio Fabio (ele mesmo um renegado da Igreja, afinal, oohhhhh, ele se separou e se casou de novo, e com uma mulher mais nova!!!!!! – como se esse fosse o pecado imperdoável contra o Espírito Santo): http://www.caiofabio.com/2009/canal.asp?canal=00004. Há centenas e centenas de cartas com os casos mais escabrosos possíveis, que cristão nenhum julgaria que poderia haver numa igreja, mas que provavelmente senta-se ao nosso lado todos os domingos, sem coragem de revelar-se verdadeiramente e sem esperanças de conseguir ajuda de Deus ou a simples atenção de seu pastor. Muitos casos ocorreram ou se agravaram por causa da igreja, e como último recurso buscou-se o conselho do Pr. Caio Fabio, alguém que, na contramão do sistema religioso protestante brasileiro, busca corajosamente lidar com vidas e não com prédios.

Imaginem a dor de alguém que carrega consigo um grande pecado, um grande sofrimento, mas que não pode se abrir com ninguém, nem com seu pastor (ou porque ele não tem tempo, afinal precisa administrar os mega-templos, ou porque ele não tem sabedoria, não transparece amor e confiança)! Imaginem um ministro de louvor que é homossexual, uma professora de escola dominical que trai o marido, até mesmo um pastor que sofre de cleptomania. Sim, porque até os pastores precisam de alguém com quem possam se abrir e se aconselhar! Talvez a raiz do problema esteja aqui, muitos não aconselham porque não têm quem os aconselhe, todos ficam em silêncio, nada de podre vem à tona e todos continuam vivendo suas santas vidas de domingo, até que por alguma infelicidade o escândalo venha à tona. Mas aí pode ser tarde demais, as consequências podem ser devastadoras.

Não seria muito mais fácil podermos confiar em nossos pastores, e esses terem interesse por nossas vidas, de modo a poder dividir nossos jugos e assim, fortalecidos, pois caso um caia o outro pode ajudar a levantar, manter a caminhada?

Uma pena que os verdadeiros pastores estão em extinção. Creio que houve tempos em que era raro encontrar uma igreja, e mais raro ainda alguém querer deixar a religião dominante para buscar o protestantismo. Nessa época, cada vida entregue a Cristo era importante, era cuidada, era edificada, era esclarecida. As igrejas mantinham missões que buscavam não apenas evangelizar, mas melhorar a vida da comunidade local. A importância era individual, não numérica, pois a perseguição reinante impedia qualquer ambição megalomaníaca.

Hoje está tudo diferente, não há perseguição, há a pretensão e a ganância por maiores e melhores templos a fim de mostrar que nossa denominação é mais poderosa, o foco é o crescimento numérico e não a edificação pessoal, e por isso não há tempo para cuidar das ovelhas: o importante é aceitar a Jesus de boca: aceitou, dá licença que a fila anda – Próooximo! E já que aceitou a Jesus, agora cumpra as regras do clube: parecer santo, obedecer cegamente à liderança, andar com a Bíblia debaixo do braço, dar o dízimo e a oferta e não faltar aos cultos. Isso basta para mostrar sua conversão – conversão da boca para fora.

Será que, como Igreja de Cristo, um dia daremos aos templos humanos do Espírito Santo a importância que lhes é devida, que é muito superior ao crescimento dos templos de pedra? Será que, um dia, os cristãos serão conhecidos pelos frutos do ES, ao invés de pelos escândalos cometidos por aqueles que não foram cuidados por seus pastores e que, por isso, pularam suas cercas e foram alvo dos lobos desse mundo? Será que um dia a Igreja se dará conta de que Jesus poderia ter vindo como um grande rei, mas que se despojou de tudo para ficar ao lado dos excluídos da sociedade?

Minha oração é para que Deus levante verdadeiros pastores, que não estejam buscando apenas um bom salário e prestígio próprio, mas que, como Jesus, o Bom Pastor, sejam capazes de dar suas vidas pelas ovelhas que Deus lhes confiar.

Deus querido, eu dependo inteiramente de Ti, e espero em Ti um verdadeiro pastor, pois embora alimentada e refugiada pela Sua Graça e Misericórdia, cansei de ser uma ovelha sem pasto certo.

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Publicado às 13/06/2009 por em Uncategorized e marcado , , , .
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