Uma estrangeira no mundo

"Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim." – Jo 15.18

Ao líder não é permitido errar…


Num belo dia conhecemos a Cristo e, cheios da alegria do primeiro amor, prometemos a Deus e a nós mesmos nunca mais cometer aquele ato que fere o coração de Deus. Ficamos firmes no primeiro dia, no segundo, na primeira semana, até na segunda, mas aí surge o objeto de desejo. Até tentamos ignorá-lo, mas sua presença aguça nossa vontade, e num momento de fraqueza voltamos a cometer aquele ato. Sentimos prazer cego nos poucos momentos em que ele dura, mas depois horas – e até dias – de muita culpa. Reconhecemos nossos erros, pedimos perdão a Deus, nos comprometemos a nunca mais pecar. Parece que agora vai dar certo, mas dias depois caímos no mesmo erro.

Se isso causa grandes feridas no nosso coração, muito maiores são as feridas nos corações daqueles que exercem algum tipo de liderança na Igreja. Afinal, como posso pregar sobre Cristo e sua santidade, como posso admoestar os membros, se eu mesmo, em oculto, cometo os mesmos erros, e até outros piores? E o mais triste, não consigo parar, mesmo sabendo que isso desagrada a Deus e me traz grande culpa!

Quando uma pessoa erra, pode contar com a compreensão de sua liderança. Pode contar literalmente, pode confessar seu pecado, ser exortado e ouvir o “vá e não peques mais”. Mas um líder, dependendo do grau de liderança, pode contar a quem? Se contar, corre o risco de perder sua liderança, de ser taxado de hipócrita pela congregação, afinal pregava uma coisa e fazia outra, ou mesmo de ser expulso. Ao líder de uma igreja não é permitido errar.

E então, sem forças para sozinho vencer o seu erro, com medo do que lhe possa acontecer caso alguém descubra, passa a errar escondido, a viver uma vida dupla. Durante os cultos, é uma pessoa abençoada, usada por Deus, com vestes de santidade, com ar de pureza. Fora do ambiente da igreja, é uma pessoa atormentada, que faz qualquer coisa para que seu desejo seja suprido.

O pior é que a Palavra diz que tudo o que está oculto será descoberto. Mais cedo ou mais tarde o erro vem à tona, mas na forma de escândalo, que fere não apenas o líder, mas toda sua igreja. É difícil esquecer de casos como o dos pastores Jimmy Swaggart e Jim Bakker, e tantos outros casos que volta e meia eclodem, mas com menos publicidade.

Em primeiro lugar, é importante frisarmos que, mesmo servindo a Deus, não estamos imunes ao pecado. Gosto de lembrar do apóstolo Pedro, que andava ao lado de Jesus, recebia ao vivo e em cores as palavras do Filho de Deus, mas que em algumas passagens mostra-se em erro, chegando Jesus a repreender satanás, que falava pela boca do apóstolo. Mesmo nos últimos momentos Pedro foi fraco, renegando a Cristo por três vezes para salvar sua própria vida. Fraco, covarde, estava com os demais covardes escondido numa casa, provavelmente chorando em conjunto por suas fraquezas e por sentirem-se sós após a partida de Jesus, quando Deus, em Sua infinita misericórdia e amor, enviou-lhes o Espírito da Verdade, que os fortaleceu e lhes deu a ousadia necessária para se tornarem verdadeiramente novas criaturas. Mas ainda assim Pedro, assim como Jonas, num primeiro momento não aceitava que todos pudessem ser salvos, tendo que passar pela lição da casa de Cornélio para entender que Cristo não veio apenas para os judeus, mas para toda a humanidade perdida.

A história de Pedro nos ensina muitas coisas, principalmente que não basta termos a presença de Deus ao nosso lado, ou mesmo sermos cheios do Espírito Santo, para sermos infalíveis. Fosse assim, não teria sentido estudar a Palavra, pois já saberíamos todas coisas e a forma certa de agir. Ensina-nos também que sozinhos não temos força para mudar, pois Deus usou Cornélio para que Pedro pudesse entender a visão que tivera anteriormente, para entender que Deus não faz acepção de pessoas. Temos a recomendação de não andarmos sozinhos, pois se um de nós cair haverá outro que nos ajudará a levantar. Também somos conclamados a confessar nossos pecados uns aos outros, e isso é muito sábio, pois dessa forma teremos alguém que nos ajudará e nos cobrará resultados.

Tudo o que está oculto será descoberto. Satanás conhece a vergonha do homem em admitir seus erros, de confessar seus pecados, conhece nosso orgulho, que não permite que pareçamos fracos aos olhos dos outros, e se aproveita disso para cavar um buraco ainda mais profundo. Quanto mais o tempo passa, mais entranhados no erro ficamos e maior é o escândalo. Uma situação que poderia ser facilmente resolvida, com a intervenção de Deus e a união dos irmãos, torna-se fatal. A Palavra nos alerta que viriam escândalos, mas ai daqueles por quem eles viriam. Ocultar um pecado, uma fraqueza, é semear um escândalo futuro, incorrendo num pecado ainda maior. Muitos estão longe de Cristo por se sentirem feridos por escândalos com lideranças da Igreja.

Admitir um erro não é fácil. Admitir errar compulsivamente é mais difícil ainda. Mas é o único caminho. Lembremos de Davi, que após engravidar Bate-Seba e matar seu esposo, vestiu-se de cinzas e pano de saco, jejuando e chorando arrependido diante dos olhos de seus servos, para que Deus tivesse misericórdia deles e poupasse a vida do bebê. A criança não sobreviveu, mas Davi teve sua liderança restituída.

Confessar e se arrepender dos nossos pecados às vezes implica na morte de alguma coisa: na morte do nosso orgulho, na perda da amizade de algumas pessoas, mas implica também no fortalecimento de nossa liderança perante Deus. Lembremo-nos que toda autoridade na terra foi dada por aquele que está nos céus: se os líderes desse mundo que jaz no maligno lá estão por vontade de Deus, o que dizer dos líderes de Sua Igreja? Pensar que um pecado não deve ser confessado, por medo de perder o ministério, é o cúmulo da prepotência. Se Deus levanta alguém para uma obra, nada poderá mudar o fato. Um líder pode passar um tempo longe do ministério, para se restaurar, assim como o povo hebreu precisou passar 40 anos no deserto até estar pronto a entrar na terra prometida, mas aquilo que Deus preparou para seus filhos, ninguém pode mudar.

Sei que não é fácil admitir erros, ainda mais quando somos líderes, mas Deus nos chama a nos humilharmos diante Dele. Viver para Cristo implica em viver COMO Cristo. Jesus se despiu de toda a Sua glória e majestade, vestiu-se com um corpo propenso a dores e doenças (e só isso já foi uma gigante humilhação para aquele que é simplesmente o Filho de Deus, e esteve na criação de todo o universo) mas, não contente com isso, pois seu desejo era resgatar o ser humano, tomou sobre Si todas as nossas enfermidades, pecados, maldições, sendo humilhado por homens, sendo cuspido, açoitado, espancado, ouvindo injúrias e mentiras sobre Sua pessoa. Muitos ficamos magoados quando alguém fala uma mentirinha sobre nós, mas como se sentiu o Filho de Deus ouvindo tudo o que precisou ouvir a Seu respeito, e mesmo assim permanecer calado, como ovelha em direção ao abatedouro?

“E quem não toma a sua cruz, e vem após mim não é digno de mim” – Mt 10:38.

Muitos que pecamos compulsivamente dizemos que amamos tanto a Deus, que até daríamos nossa vida por Ele. Com total certeza, é muito fácil dar a vida por Deus. É fácil morrer por Ele, pois sabemos que algo melhor nos espera nos céus, e sabemos que seremos glorificados pelos homens aqui na terra, seremos considerados “mártires”. Mas o morrer que Deus espera de nós não é o entregar o corpo à morte, é morrer perante os homens de forma diferente, é morrer em nossa vaidade e orgulho. Quem verdadeiramente dá a vida por amor de Cristo dá o orgulho, a vaidade. Morrer por Cristo, nesse contexto, é morrer perante os homens. Quando confessamos nosso pecado diante todos, mesmo sabendo que muitos nos apontarão o dedo, que muitos falarão mal de nós, que muitos nos darão as costas, nesse momento estamos morrendo por amor de Cristo, colocando Ele num plano muito superior ao nosso orgulho, vaidade, egoísmo, ao nosso eu.

“E quem não toma a sua cruz, e vem após mim não é digno de mim” – Mt 10:38.

Deus quer nos tirar desse abismo, dessa perversão, dessa abominação que tanto fere Seu coração e a nós mesmos. Para isso, precisamos nos despojar de nosso orgulho, vaidade, egoísmo, prepotência, nos fazer como crianças e verdadeiramente nos humilhar. Peçamos ajuda e direção a Deus, e então confessemos nossos pecados, antes que satanás use outros que os confessem por nós de uma forma muito mais desastrosa. Ele é fiel, justo e bom e nos dará aquilo que pedimos: a restauração de nossas vidas para que, como vasos de honra, sirvamos verdadeiramente Àquele que criou os céus e a terra e tudo o que há.

Quando verdadeiramente morrermos para nós mesmos, Cristo finalmente viverá verdadeiramente em nós.

“Não temas as cousas que tens de sofrer. Eis que o diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova, e tereis tribulação de dez dias.

Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida” – Ap 2:10.

(esse artigo foi postado originalmente no Blog Sexxxchurch em 18/03/08)

3 comentários em “Ao líder não é permitido errar…

  1. ALESSANDRO FERREIRA
    19/12/2009

    Bom em primeiro lugar gostaria de dizer que fui muito abençoado, atraves deste artigo , pois eu sou um lider em uma igreja e estou vivendo a dilfilculdade do pecado , e estou sem forças para parar de parar , estarei me esforçando para fazer conforme esta neste artigo , falando com a liderança da minha igreja .
    MAS GOSTARIA DE SABER SE EXISTE MAIS ESTUDOS COMO ESTE E SE A ALGUNS PROGAMA DE AJUDA ATRAVES DA INTERNET OU POR CARTA ETC , PEÇO QUE PELO AMOR DE JESUS ME RESPONDA ESTE EMAIL ,POIS ESTOU MORRENDO – (ESPIRITUALMENTE) E PEÇO A SUA AJUDA .
    OBRIGADO ESTAREI ORANDO POR ESTE MINISTERIO.

    ATT
    IRMÃO EM CRISTO
    ALESSANDRO FERREIRA

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    • Aline
      10/02/2010

      Sabe Alessandro, o fato de estar pedindo ajuda, já é um passo, de certa forma está admitindo que não consegue sozinho, mas vou te dizer uma coisa, ninguém consegue. Sozinho é muito difícil, penso que está faltando intimidade com Ele, quando estamos íntimos e paramos de falar para ouví-Lo sua graça nos preenche e não temos vontade de pensarmos em outras coisas, a não ser em como agradá-Lo em todo tempo, fazendo o bem as pessoas, estudando sua palavra e principalmente orando, orando e orando. Temos que ter um tal nível de intimidade que possamos falar como Paulo, Tua graça me basta! Mas isto é um processo, às vezes demorado, sei que crê no poder de Deus então inicie o processo! Como? Fazendo o que já sabe, se confessando ao Pai, implorando por ajuda e perdâo, dedicando mais tempo para as coisas do alto, aos poucos algo em você mudará, pois o Espiríto Santo te fortalecerá. Procure ocupar a sua mente, leia livros, ore, deixe de ver coisas que sabe que não agradam a Deus. Inicie!

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  2. Letícia
    28/09/2010

    É muito Bom ler artigos assim quando prescisamos
    Mas é bem difícil colocar em ação
    Somente a misericordia do Senhor pode nos ajudar
    ****Senhor ajuda-nos a confessar nossos pecados diante de ti****
    Aleluias, ao Cordeiro

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