Uma estrangeira no mundo

"Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim." – Jo 15.18

Marcha para “Gizuiz” 2011 – por José Morelo Neto


Bom pessoal, primeiramente vou me apresentar; eu me chamo José Morelo Neto, sou estudante de Comunicação Social e estive na marcha participando do movimento marcha pela ética evangélica brasileira. O meu relato está atrasado, eu sei, mas mesmo assim gostaria de compartilhar com vocês a minha visão da marcha.
Mas antes disso, vamos voltar no tempo. Por volta do ano de 1973 o Brasil vivia uma época chamada por muitos de “anos de chumbo”. Naqueles tempos o país era dominado por uma ditadura sangrenta sob a orientação do general Emílio Garrastazu Médici. Eram os tempos bárbaros das torturas nos porões do Dops, do DOI-CODI e da Operação Bandeirante. Através de atos absurdos e totalitários, o então Ministro da Justiça, Prof. Dr. Alfredo Buzaid, liquidou com os últimos resquícios de liberdade no país. O resto da história todos já sabem como terminou. Muito bem, vamos voltar à marcha.
Jesus é a favor de censura? Se sim, me mostre na Bíblia aonde ele condena a liberdade de expressão, porque até agora não achei (talvez tenha procurado na Bíblia errada, pois teve estar escrito nas “bribas” que o Silas Malafaia escreveu aquela que custa R$ 900,00 e promete ter o mapa e a chave para todos os problemas financeiros). E onde está escrito que devemos agredir aqueles que expõem uma opinião contraria a nossa? Eu também não encontrei nada sobre isso. É uma blasfêmia falar que a marcha foi para Jesus. No Maximo foi para satanás. Eu já participei de inúmeros protestos, em alguns a repressão foi ou igual ou mais violenta, mas diferentemente dos outros protestos que participei os alvos dos protestos não eram “crentes”. Essa é uma prova que a família Errante$ não é o que dizem ser. Um exemplo foi um “esquenta” para a marcha para “Gizuis” que ocorreu dia 09/04/2011 na Av Paulista em frente do MASP, só que o nome foi outro, chamada de Manifestação Pró Jair Bosonaro (para quem não sabe, Jair Bolsonaro é o maior representante da direita e do cristianismo do Brasil, que diz coisas 100% evangélicas como preto não é gente e etc; além de ser um NAZI – Fascista), onde uma parcela dos participantes da marcha para “Gizuis” foram defender o seu “quase” messias, e eu e um grupo fomos protestar contra esses neo – camisas verdes – NAZI – Fascista, numa espécie de Manifestação contra Jair Bolsonaro. Para não me alongar nesse caso, confiram as fotos e as noticias nesses links: http://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/2612-manifestacao-pro-e-contra-jair-bolsonaro#foto-51361 e http://www.blogcidadania.com.br/2011/04/sao-paulo-me-mata-de-vergonha/
E sim, o titulo do texto está correto. A marcha foi para “Gizuis” e não para Jesus. Porque o Messias homenageado na marcha é a favor de tudo o que a Bíblia condena. Em nenhum momento da marcha eu ouvi uma pregação sobre o amor ao próximo, sobre como ter intimidade com O Pai (de ter com o “PaiPostolo” sim, e entre ela envolvia você dar todo o seu dinheiro como oferta), de espalhar o evangelho e etc.
E outro ponto que quero levantar sobre a marcha. Como podem dizer que esse comício político é uma homenagem para Jesus, quando um monte de sujeira ficou espalhada no chão. Juro que fiquei duplamente decepcionado; como discípulo de Jesus e como militante do Greenpeace. A Bíblia é bastante clara que nós, servos do Altíssimo, devemos ser exemplo em tudo e de dar um bom testemunho. Por acaso, O Eterno é senhor da sujeira e habita na imundícia? Jesus, enquanto esteve na Terra como humano era “um fabricante de lixo” e morava num chiqueiro? Isso é mais uma prova que o Messias homenageado na marcha não era Jesus, mas sim “Gizuis”.
Mas se os bandidos se auto – intitulam apóstolos acham que vamos parar só porque uns de seus “jagunços” tomaram as nossas faixas estão enganados. Como disse o físico Fritjof Capra: “Nunca duvide que um grupo de pessoas conscientes e engajadas para mudar o mundo; de fato, sempre foi somente assim que o mundo mudou.” O motivo que levou os Errante$ ao tal ato fascista? É que as nossas faixas, apesar das mensagens simples, levam as pessoas questionar sobre o que os tais apóstolos pregam. A professora, filósofa e astrônoma Hypatia (século IV D.C.) disse: “Se você não questiona a sua fé, então não acredita realmente nela.” Uma máxima que sempre continuara atual. Sabem quem a colocava na pratica? Um grupo de judeus que se converteram a Jesus que moravam numa cidade chamada Beréia. Quando Paulo chegou e começou a pregar sobre o Messias, eles, os Bereanos, estudavam a Palavra todos os dias para saber se o que Paulo dizia era verdade (vide Atos 17:10 – 15). Os Bereanos colocaram em pratica o que O Eterno disse para Josué fazer com A Palavra, em Josué 1:7 e 8 “Tão-somente esforça – te e tem mui bom ânimo, para teres o cuidado de fazer conforme a toda a lei que meu servo Moisés te ordenou; dela não te desvies, nem para a direita nem para a esquerda, para que prudentemente te conduzas por onde quer que andares. Não se aparte da tua boca o livro desta lei; antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme a tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho, e serás bem sucedido.” E tanto o meditar e o estudar são também questionar, criticar, analisar e pesquisar.
E outra coisa, nós precisamos de doutrinas, ortodoxia, teologia tradições e etc? A biblia não é suficiente? Eu tenho certeza absoluta que ela é o suficiente e todo o resto é lixo. A Palavra do Senhor é clara em Deuteronômio 4:2 e Apocalipse 22:18,19 sobre acrescentar ou retirar algo sobre a palavra. E é isso que os tele – pastores fazem, eles vivem acrescentando coisas com intenção de manipular as pessoas a seu bel prazer, e quando alguem os questiona eles reprimem. E é contra isso que protestamos. Eric Arthur Blair (George Orwell, 25/06/1903 – 21/01/1950) no seu magnum opus 1984 diz tudo o que realmente é ortodoxia (que serve também para teologia, doutrinas, tradições, etc) “Ortodoxia significa não pensar, é não ter necessidade de pensar. Ortodoxia é inconsequencia.” Entenderam? É esse um dos principais objetivos desses apostolos de araque; eles não querem que a membresia de suas empres… ops, igrejas pensem por si proprios e aqueles que o ousam fazer são hostilizados, reprimidos e expulsos, como fizeram com a gente na marcha.
Mas graças ao Eteno que existe outra maneiras de lutar contra aqueles que estão contra Ele e sua palavra. Quem dá a ideia é Antonio Gramsci (1891 – 1937), um jornalista revolucionário e cientista político de esquerda que exortava os trabalhadores a romperem todos os laços com a imprensa burguesa. Numa época em que a TV nem sequer existia e o rádio ainda era uma mídia incipiente e experimental — um “telégrafo sem fio” —, o jornal despontava como a principal arma de dominação ideológica do operariado. “Antes de mais nada, o operário deve negar decididamente qualquer solidariedade com o jornal burguês. Deveria recordar – se sempre, sempre, sempre, que o jornal burguês (qualquer que seja sua cor) é um instrumento de luta movido por idéias e interesses que estão em contraste com os seus”, denunciava Gramsci. “Tudo o que se publica é constantemente influenciado por uma idéia: servir à classe dominante, o que se traduz sem dúvida num fato: combater a classe trabalhadora.” Daí a conclamação do pensador italiano a que não se iludissem com a “grande imprensa” da época. Mais ainda, que não comprassem nem assinassem os jornais inimigos, para não garantir a viabilidade financeira do empreendimento. “Não contribuam com dinheiro para a imprensa burguesa que vos é adversária. Eis qual deve ser o nosso grito de guerra neste momento, caracterizado pela campanha de assinatura de todos os jornais burgueses: ‘Boicotem, boicotem, boicotem!”, arrematava Gramsci. Quase um século depois, já não se trata apenas de jornais, a imprensa burguesa deixou de ser somente impressa e se converteu num gigantesco aparato multimídia, que inclui também grandes emissoras de TV e rádio, revistas (sobretudo as semanais), portais na internet e provedores de conteúdo para dispositivos móveis, mas “o esquema” que Gramsci nos ensina é o mesmo: boicotar, boicotar e boicotar; não entregar dizimo e oferta nas igrejas desses apóstolos e os entregar aos verdadeiros servos do Altíssimo que estão nos confins do mundo levando o verdadeiro evangelho de Jesus, arriscando muitas vezes até a própria vida; não comprando nada que seja vinculado a eles, como DVD’S, CD’S, livros e etc; não assistindo seus programas na TV e internet; e se possível até estimular as outras pessoas (exemplo: parentes, amigos, etc) a fazerem o mesmo.
E iremos estar na marcha para “Gizuis” no ano que vem. E com novas faixas com versículos bíblicos e frases que estimulem as pessoas questionar sobre o que é pregado nas igrejas. E entre essas frases estará o “grito de guerra” proposto por Gramsci, que cai como uma luva se tratando dessa teologia burguesa – fascista pregada pelo Errante$ & Cia: “Boicotem, boicotem, boicotem tudo que esteja vinculado aos falsos profetas e falsos apóstolos !!!”
Que a paz do Eterno esteja com todos. Voltemos ao evangelho puro e simples. O $how tem que parar. Hasta La Victoria Siempre! Viva La Revolucion! Viva Brasil Libre!

3 comentários em “Marcha para “Gizuiz” 2011 – por José Morelo Neto

  1. Sandra Sousa
    16/07/2011

    Que deleite ouvir gente bem informada e comprometida com o Evanhelho de fato PURO E SIMPLES. Há um bom tempo não compro cds de muitos deles, aliás, não compro cd de ninguém, e nem ouço seus programas. Antes mesmo que me alertassem comecei perceber o foco deles, o $$$. Francamente, a ostentação em suas roupas caríssimas, suas jóias, carros, seguranças deu início a uma grande tristeza em meu coração, além de náuseas frequentes. É óbvio que Deus quer nos ver limpos, bem arrumados, morando com dignidade, tendo acesso a cuidados médicos decentes, mas não quer dizer que Ele concorde com todo esse luxo-lixo que nada tem a ver com necessidade REAL. Tenho sido bastante seletiva em minhas escolhas, inclusive com relação a livros. Escolho na internet quem quero ouvir, e entre eles, ouço o Paul Washer, David Wilkerson, Jonathan Edwards, e mais alguns. Pois é, grande é nossa responsabilidade diante de do DEUS ETERNO e diante de todos os outros humanos, Será medonho ou fascinante o resultado no dia do Grande Julgamento jamais visto em toda história da humanidade. O TEMPO está passando, TUDO está sendo filmado, registrado pelo CRIADOR; AQUELE que é VERDADEIRAMENTE INCORRUPTÍVEL.

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  2. Moacir Teles Maracci
    18/07/2011

    Esse texto de Morelo Neto é muito benvindo. Não é muito comum alguém defender o verdadeiro Evangelho mencionando grandes pensadores da esquerda mundial como Antônio Gramsci e isso é muito bom, pois, como já disse algumas vezes Estrangeira, “os cristãos devem pensar”. E pensar dá trabalho, e principalmente incomoda os poderosos de plantão, como esse pseudoapóstolos midiáticos que se acham “por cima da carne seca”. O sacrifício salvífico de Jesus ganha extraordinária competência quando realmente nos damos a liberdade de pensar/questionar. A morte sofredora de Cristo ocorreu porque ele levou muitos a pensar…até as últimas consequências.

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    • Moacir Teles Maracci
      18/07/2011

      Peço perdão por alguns erros de coordenação das ideias. Quis afirmar que o sacrifício salvífico de Jesus ganha uma consequência (e não “competência”) importante quando tomamos para nós a gratuidade do amor de Deus e usamos a liberdade para questionar/pensar, especialmente nas heresias de nosso tempo. A morte sofredora de Cristo foi resultante do seu Ministério pautado na coerência, por isso sempre lhe foi familiar a eventualidade de ser tragado por forças repressivas. Em qualquer época da história humana o amor ao próximo apavora e “irrita” os poderosos de plantão, neles incluido os atuais pastores midiáticos ou “empresários” de igrejas com suas sedes insaciáveis de dízimos, ofertas, “memoriais”, etc. O amor ao próximo está no centro da mensagem do “Evangelho puro e simples”, e por isso “irrita” os lacaios dos “apóstolos” atuais.Aliás, apavora, e olhem que somos “meia dúzia de três ou quatro” no protesto contra a “Marcha pra Gizuiz”. Imaginem se fôssemos milhares…Graça e Paz!

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