Uma estrangeira no mundo

"Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim." – Jo 15.18

Os Neopentecostais no Brasil: Cristianismo ou Empreendedorismo?


Oração "pura e simples" na abertura da III FLIC Salão Internacional Gospel

Oração “pura e simples” na abertura da III FLIC Salão Internacional Gospel

No dia 18/09 estivemos no culto de abertura da III FLIC Salão Internacional Gospel, no Centro de Convenções Imigrantes, onde tivemos a oportunidade de fazer a oração (uma oração “pura e simples”, diga-se de passagem) diante de autoridades governamentais e eclesiásticas. E no dia 19/09 o MEEB fez a palestra “Os Neopentecostais no Brasil: Cristianismo ou Empreendedorismo?”. O palestrante seria o Paulo Siqueira, porém ele passou por uma cirurgia horas antes da palestra e não foi liberado a tempo. Mas Deus provê todas as coisas, e proveu também essa palestra.

Nas próximas linhas, um resumo do que foi dito.

 

Os Neopentecostais no Brasil: Cristianismo ou Empreendedorismo?

Antes de mais nada, iniciemos falando um pouco sobre como era a Igreja há cerca de 1000 anos, em plena Idade Média. Nesse tempo, na Alemanha e no norte da Itália os bispos eram nomeados pelo imperador, não pelo papado. Nessa época, o Império Romano do Ocidente queria melhor administrar seus imensos territórios conquistados, e para isso dividiu-os em feudos (condados, marquesados, ducados) que eram administrados por homens de confiança do imperador. Porém, esses homens constituíam família, e seus herdeiros passaram a herdar também essas terras, porém esse não era o desejo do Império. Assim, como o Imperador era quem nomeava os bispos, passou a coloca-los na direção dos feudos (afinal, bispos tinham que fazer voto de castidade e não poderiam ter filhos legítimos que pudessem pleitear as terras – filhos bastardos não contavam). Daí criou-se uma situação de corrupção na Igreja, pois os bispos-condes, como passaram a ser conhecidos, eram mais leais ao imperador que ao papado, e eram administradores, não homens espirituais.

Nessa época também floresceram os franciscanos (seguidores de S. Francisco de Assis) e os valdenses (seguidores de Pierre Valdo, rico mercador de Lion). Tanto S. Francisco como Valdo tinham origem rica, porém abandonaram seus bens em prol da crença de que o cristianismo implicava no desprendimento material e na distribuição dos bens entre os pobres, um ensino contrário ao papado e aos demais sacerdotes, que viviam no luxo. O povo se identificava com a pregação desses homens, o que trouxe preocupação no papado sobre como anular tais movimentos. Decidiu-se pela adoção, pela Igreja Romana, dos franciscanos (movimento conhecido como “pobres católicos”) e pela total perseguição aos valdenses (que, além de optarem por uma vida simples e comunitária, ainda atacavam duramente a corrupção da Igreja). Contra os valdenses os papas chegaram a ordenar duas Cruzadas (sim, houve Cruzadas contra cristãos, não apenas contra muçulmanos) e muitos sofreram grandes torturas e morreram na fogueira. Com o tempo, porém, entre os franciscanos houve uma divisão: os conventuais achavam que poderia ser flexibilizada a regra de pobreza, e os espirituais continuavam fiéis aos ensinos de S. Francisco. Desses espirituais surgiram os fraticelli, que pregavam absoluta pobreza. É claro que esses passaram também a ser perseguidos pela Igreja, alguns até mortos. O papado dessa época chamou de heresia o fato de se dizer que Jesus e os Apóstolos eram pobres.

E aí chegamos na simonia, ou a chamada venda de indulgências. Sacerdotes saíam pelas terras vendendo indulgências, que garantiam a quem as comprava a absolvição de qualquer pecado e a salvação. Abaixo, o preço de tabela de algumas indulgências:

  • Sacerdote que deflora virgem: 2 libras e 8 soldos;
  • Religiosa que quer ser abadessa após ter se entregado a um ou mais homens simultânea ou sucessivamente: 131 libras e 15 soldos;
  • Sacerdotes que querem viver em concubinato: 76 libras e 1 soldo;
  • Homicídio simples contra um leigo: 15 libras, 4 soldos e 3 denários;
  • Homicídio de um bispo ou prelado: 131 libras, 14 soldos e 6 denários;
  • Afogamento do próprio filho ou aborto: 17 libras e 15 soldos;
  • Autorização para venda de quaisquer produtos nos pórticos da igreja: 45 libras, 19 soldos e 3 denários;
  • Leigos feios ou deformados que querem receber ordenamentos sagrados: 58 libras e 2 soldos;
  • Para cada pecado de luxúria de um leigo: 27 libras e 1 soldo.
  • Mulher adúltera que quer continuar na relação ilícita e ser absolvida: 87 libras e 3 soldos.

Mudando um pouquinho de assunto, empreendedorismo, no mundo atual, é uma coisa boa. O empreendedor é aquela pessoa, criativa, perseverante, ambiciosa, que olha ao redor, identifica uma necessidade e cria uma empresa ou produto que possa supri-la, gerando empregos e lucro. Porém, o que dizer de igrejas com visão de empreendorismo?

Se for um empreendedorismo voltado à divulgação da Palavra, é muito bom. Hoje podemos pregar na TV, nas rádios, pela internet e de outras formas ou com outras tecnologias. Se a Palavra não é deturpada e não há intenção de lucro (pois aí não seria igreja, mas empreja), o empreendedorismo é muito bem quisto.

Porém, principalmente entre as denominações neopentecostais e em algumas neopentecostais, o que tem imperado é um empreendedorismo voltado para o cumprimento de metas e obtenção de lucro. Se deixarmos de lado os contextos históricos, essas igrejas hoje são bastante semelhantes à Igreja Romana no período pré-reforma. Vejamos os vídeos a seguir:

No primeiro vídeo, vemos uma reunião de pastores onde são tratadas as estratégias para o atingimento das metas financeiras da denominação. Claramente, o que importa ali é o aumento da arrecadação, não a pregação do Evangelho. Há alguma semelhança com os “bispos-condes” do período pré-Reforma?

No segundo e no terceiro vídeo vemos pastores vendendo bênçãos em troca de grandes ofertas. Há alguma semelhança com a simonia praticada na Idade Média?

No quarto vídeo também há uma venda de favores. Se você for feia basta participar das 7 semanas de embelezamento com o kit de beleza da Rainha Ester. Assim como na Idade Média os leigos feios não podiam ser ordenados (a não ser que tivessem dinheiro para comprar a indulgência), no nosso tempo algumas denominações dão grande valor à beleza física, às aparências, chegando ao ponto de vender o milagre do embelezamento.

No quinto vídeo vemos que muitas denominações estão literalmente no fundo do poço, e para lá levando os fiéis que as seguem. Aí também há a simonia, pois o milagre se dará com a compra do sabonete de mirra. Se fosse um grupo humorístico seria até engraçado. Como se tratam de pastores, de pessoas que dizem representar a Deus, é uma lástima.

No sexto e último vídeo vemos um pastor forçando a barra para que um candidato a prefeito aceite a Jesus diante de toda a congregação. Aqui vemos o perigo que é confundir púlpito com palanque eleitoral e também uma estratégia muito usada por várias denominações no atingimento das metas de conversões (sim, existe isso, e tem um motivo: quanto mais conversões, mais membros; quanto mais membros, mais arrecadação). Assim, não é raro ver pessoas que entram numa igreja, são levadas ao choro após meia hora de músicas especialmente preparadas para trazer à tona nossas emoções. Já num estado de fragilidade, essas pessoas ouvem um sermão apelativo emocionalmente e no final a pergunta: “quem quer aceitar a Jesus, venha aqui para a frente e repita o que eu dizer”. Pronto! Oficialmente a igreja ganhou mais um membro, porém para esse membro esse ritual não significou nada, pois racionalmente nem sabia bem o que estava fazendo. E isso ajuda a explicar milhões e milhões que se dizem evangélicos, porém sem que sejam sal e luz nessa terra (pois, se fossem, cairia drasticamente todos os índices negativos do país, como corrupção, violência, etc).

Enfim, a pergunta que fica é:

O Cristianismo evoluiu? Ou está regredindo a níveis iguais ou talvez até piores aos que existiam antes da Reforma Prostestante?

 

blog147De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas, E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações. E em toda a alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos. E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister. E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, Louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar.Atos 2:41-47

Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele.
Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes.
Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína.
Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.
Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, a mansidão. – 1 Timóteo 6:7-11

 

Referências:

A Bíblia Sagrada.

FO, J. TOMAT, S. MALUCELLI, L. O livro negro do cristianismo: dois mil anos de crimes em nome de Deus. Rio de Janeiro: Ediouro, 2007.

MELO, N. M. SEBRAE e empreendedorismo: origem e desenvolvimento. São Carlos: UFSCar, 2008.

Site Youtube. Disponível em: <http://www.youtube.com&gt;. Acesso em: 14 Set. 2014.

 

VOLTEMOS AO EVANGELHO PURO E SIMPLES,
O $HOW TEM QUE PARAR!

A DEUS, toda a honra e toda a glória para sempre.

www.pedrasclamam.com
https://estrangeira.wordpress.com
http://exemplobereano.blogspot.com
e outros blogs e sites apologéticos

 

Um agradecimento especial ao Josef, que esteve com o Paulo durante todo o tempo de internação;
À Liliam Oliveira, minha “mãe na fé”, que como um anjo esteve comigo desde a tarde, me ajudando a carregar o fardo;
Aos irmãos e amigos Morelo, Bem-Hur, Nei, Luis Henrique e Tamara, que também carregaram boa parte do fardo e estão sempre conosco, em comunhão e alegria apesar das tribulações;
Aos irmãos e irmãs que não puderam estar presentes, seja pela distância, pelo horário ou por qualquer outro motivo, mas que estavam presentes – e bem presentes – em oração;
Em especial ao irmão Marquinhos, que não estava presente por motivo de saúde, que Deus possa lhe dar a cura e o refrigério.
Aos poucos mais muito, muito importantes ouvintes que ali estiveram apesar de todos os pesares, obrigada!

A semente mais uma vez foi lançada, por permissão Dele. Que Deus abençoe a todos!!!!

2 comentários em “Os Neopentecostais no Brasil: Cristianismo ou Empreendedorismo?

  1. Josemar Moura
    22/09/2014

    Eu vi o agradecimento!
    #tamojunto

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  2. Vilma Moreira
    25/09/2014

    Por este motivo a Irgreja já esta sendo perseguida

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