Uma estrangeira no mundo

"Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim." – Jo 15.18

A neopentecostalização de igrejas históricas e pentecostais


Hoje, com muita tristeza, soubemos que pastores e presbíteros de igrejas históricas estão sendo ameaçados da perda de seus cargos ministeriais caso não cumpram as metas de arrecadação (ou, no linguajar da carta ao lado, não paguem as cotas orçamentárias). Infelizmente, é apenas mais uma prova do movimento de neopentecostalização em que algumas igrejas pentecostais e até denominações históricas têm se entranhado, com o fim de crescimento rápido.

Além da cobrança financeira cada vez maior, temos igrejas se neopentecostalizando através da adoção de práticas judaizantes, movimentos tipo G12, rituais de cura interior e libertação, nomeação de apóstolos e de campanhas mirabolantes. Isso é razoavelmente compreensível quando se trata de pastores sem instrução teológica, sem conhecimento da história da Igreja, que muitas vezes seguem ventos de doutrina por achar que, se a maioria está fazendo, é porque é o certo. Porém, o que dizer das igrejas históricas e algumas pentecostais envolvidas nesse movimento?

A Igreja Metodista, por exemplo, exige de seus pastores o bacharelado em Teologia na UMESP. Ninguém se torna pastor metodista só por vocação ou por ter uma carteirinha de ministro do Evangelho. É preciso ficar no mínimo 4 anos estudando matérias como noções de Hebraico e Grego, Hermenêutica, Exegese Bíblica, Homilética e Fundamentos Históricos Cristãos. Não se aprende maldição hereditária, teologia da prosperidade, a importância do lenço ungido. Ao contrário, o docente sai preparado justamente para rechaçar as heresias que rodeiam nosso meio.

Mas então, como é possível que essas mesmas pessoas venham a aceitar ensinos estranhos ao Evangelho?

Enche os olhos de muitos o crescimento exponencial dos impérios neopentecostais no Brasil. Em poucos anos, vemos um Agenor Duque abrir sua igreja, tornar-se “apóstolo” (?), alugar horários em rádios e tevê e a partir daí abrir filiais em todo o Brasil. E isso tudo utilizando-se de misticismo exacerbado (pois o brasileiro é um místico por excelência), rituais judaizantes, venda de objetos ungidos e um incessante e contundente discurso de petições financeiras em troca de bênçãos específicas.

metodistag12Algumas igrejas pentecostais e históricas, ao ver tudo isso, percebem que se manter fiéis à pregação pura do Evangelho não lhes renderá dinheiro e sucesso, pois o povo quer ver espetáculo e ver suas vontades atendidas, não a Cruz. E resolvem não abandonar a Cruz de todo, mas incrementá-la com os métodos aprendidos dos neopentecostais.

Porém, ao adotar esses métodos, tornam a Cruz, instrumento de morte do Eu, num obelisco, monumento de exaltação ao Eu. A cruz deixa de ser Cruz e Cristo deixa de ser o Filho de Deus para se tornar o mordomo dos dizimistas e ofertantes fiéis.

metodistaÉ muito triste e preocupante ver esse movimento de neopentecostalização avançando nas igrejas. Cada vez é menor o número daquelas nas quais se pode aprender e praticar o verdadeiro Evangelho, nas quais os cristãos valem mais do que suas contas bancárias e onde a ênfase é a manutenção do ser humano, não de catedrais cada vez maiores e mais vistosas. Se as estatísticas apontam o Brasil como segundo maior país cristão do mundo, as evidências (aumento da corrupção, violência, desigualdade social) apontam para o contrário: uma nação onde poucos realmente prezam pelos valores de Cristo e buscam praticá-los no cotidiano.

Lamentavelmente, a neopentecostalização está se tornando recorrente no universo da igreja evangélica brasileira, onde o Sagrado se transforma em profano, onde o fiel se torna um cliente, onde a instituição se torna uma fonte de comércio.

Que os cristãos pentecostais e históricos possam demover as lideranças de suas denominações para que se mantenham firmes no propósito de pregar o Evangelho, o verdadeiro, aquele pelo qual milhões nesses séculos entregaram – e ainda entregam – suas vidas. Muito melhor morrer em Cristo do que viver pelas benesses desse mundo que jaz no maligno.

Que o Remanescente não venha a se calar, mesmo que isso lhe custe um alto preço. O maior, Jesus Cristo já pagou por nós.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!
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6 comentários em “A neopentecostalização de igrejas históricas e pentecostais

  1. Paulo Pereira Sousa
    04/09/2016

    Ap. 3:15 – Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente!

    Conheço as tuas obras: Como fez com todas as igrejas destes dois capítulos, Jesus expressa o seu conhecimento íntimo sobre a igreja em Laodiceia. Ele anda no meio dos candeeiros, essa igreja sera vomitada o Senhor Jesus lançará fora.

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  2. Marcelo Dornelas
    04/09/2016

    A Metodista no Brasil,diferente da Wesleyana,tem ficado cada dia pior,meu avô e meus 2 tios-avôs foram pastores dela.Meu avô lutou à época contra uma onda ecumênica no meio metodista,hoje a igreja já tem até pastora(?!).A Quadrangular descambou de vez,restou algumas Batistas,a Assembléia de Deus e a Wesleyana(Sou arminiano e considero o movimento arminiano como parte da reforma).Agora temos que aguentar o Agenor Truque e outros,porém os fiéis,os remanescentes irão persistir no caminho estreito seguindo o exemplo de John Wesley,Daniel Berg e Gunnar Vingren.

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  3. Marcelo Dornelas
    04/09/2016

    Os pastores tem que ter em mente que é o ES que dá o crescimento sadio e não o inchaço fruto de técnicas e truques mirabolantes pra trazer resultados e segurar o “cliente”.Essas igrejas crescem pq são verdadeiras empresas,não é necessário conhecer Bíblia,basta ter cacoete para comunicação e/ou marketing e rapidinho eles consagram uma pessoa a obreiro,pastor,bispo…

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  4. Marcelo Dornelas
    05/09/2016

    Acho que seria bom deixar algumas informações para leigos:A igreja(comunidade)e o templo(Indivíduo)somos nós e não espaços físicos,estes são locais de culto que podem ser feitos em qualquer lugar,acho errado um pastor chamar o local de culto de igreja ou mesmo templo(Este foi destruído em 70 D.C.),assim como púlpito de altar,ofertas de sacrifício,cantor de levita,etc,dando a sensação que somos judeus vivendo no velho testamento.O dízimo não se aplica à nova aliança,depois da morte de Cristo jamais houve tal observação,estudando a Bíblia,patrística e história do cristianismo fica evidente isso.As ofertas voluntárias devem ser feitas aos necessitados,principalmente aos irmãos na fé,e para fins evangelísticos(É lógico que havendo um local destinado a cultos regulares deve-se ajudar nas despesas:Água,luz,etc).Paulo quando fala que o obreiro é digno de seu salário(Paga,benefício)e de que quem prega o evangelho que viva do evangelho,se referia a ajuda de custo aos missionários(Comida,local para dormir,etc)que deveria ser dada quando estes eram recebidos em uma comunidade,nada de salários astronômicos,etc,tanto que Paulo fazia tendas para não ser pesado aos irmãos.

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  5. telmo flores
    05/09/2016

    A verdade é que não é por ser neopentecostal. É pela sede do dinheiro mesmo. Isto está em todos os movimentos e tem a ver com o coração humano e não com vertente teológica.

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  6. anonimo
    14/09/2016

    dinheiro.
    contaminação.
    no rj o crivela está na frente das pesquisas para prefeito.
    estamos perdidos.

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Publicado às 04/09/2016 por em Ser estrangeira e marcado , , .
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