Uma estrangeira no mundo

"Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim." – Jo 15.18

Silas Malafaia e a Síndrome do Holofote: promovendo até guerra entre pentecostais e reformados para se manter no centro da mídia gospel


camisa-de-forçaO (im)Pastor Silas Malafaia tem bacharelado em Psicologia, mas ele mesmo é um ótimo caso para estudo. Quando esbraveja na tevê contra seus adversários, pouco ou nada demonstra dos “frutos do Espírito” (amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão e temperança, segundo Gálatas 5:22). O único momento em que se torna um pouquinho mais simpático é na hora em que anuncia os produtos de sua gravadora ou da editora.

Mas só Deus conhece os corações (embora as atitudes, falas e comportamentos deixem transparecer muita coisa, ao ponto de termos a alegoria do conhecer a árvore pelos frutos, ou seja, conhecer uma pessoa por aquilo que produz). E só Deus pode julgar Malafaia no que tange à sua sinceridade em relação a Ele, pois a sinceridade pertence ao campo do coração, que só Deus verdadeiramente conhece.

Mas os atos, palavras, ideias, projetos, esses todos podemos e devemos, segundo a Bíblia, julgar, pois fazem parte do campo dos frutos da árvore, que todos podemos ver. Afinal, como não saber que aquela macieira está dando bananas? E como não saber se uma ideia ou atitude condiz ou não com o Evangelho? Não há como não saber, pois são coisas expostas às nossas vistas!

Em vários outros artigos neste blog há críticas teológicas a Silas Malafaia. Criticamos sua pregação com ênfase na obtenção de vitórias e riquezas nessa terra, sua venda de bênçãos (vinculação a uma bênção específica a quem lhe der certa quantia em dinheiro – ex.: unção financeira em troca de oferta de 900 reais, casa própria em troca de oferta no valor de uma prestação), sua identificação com igrejas neopentecostais (como Universal, Mundial, Plenitude e tantas outras que colocam o dinheiro e riquezas como meta principal), sua vinculação política (com o fim de conseguir benesses para si e sua denominação). Neste artigo, infelizmente abordaremos um problema que talvez tenha a ver com toda essa deformação do Evangelho que Malafaia criou – e que tem milhares de cegos seguidores.

A Síndrome do Holofote é algo da nossa sociedade contemporânea. Andy Warhol profetizou que chegaria um dia em que todos teriam seus quinze minutos de fama. George Orwell achou que em 1984 teríamos uma sociedade totalmente vigiada por câmeras e controlada com mãos de ferro – apenas errou a data, atualmente estamos bem próximos da ficção descrita em seu livro. Além de centenas de canais de televisão temos a internet, as redes sociais, muitas oportunidades para nos fazermos conhecidos de alguma forma. E imersos na globalização e em meio a várias crises, só sobrevive apesar da livre mão do mercado quem consegue colocar seu produto mais em evidência que seus concorrentes.

Mas voltemos à Síndrome do Holofote. Resumidamente, leva a seu portador a buscar estar sempre no centro das atenções, sempre no topo, sempre na mídia, sempre na boca do povo. Para isso, seu portador é capaz de criar factoides, inventar inimigos, fazer coisas escandalosas, tudo para que esteja sempre em voga. Como não lembrar dessas pessoas que participam de realities shows e, após caírem no esquecimento (umas duas semanas depois de terminado o programa) inventam situações para continuar como notícia? Fulana foi vista tomando sorvete no parque, Sicrano começou um namoro com Beltrano, paparazzo flagrou topless de Fulana?

A psicóloga Terezinha Barreiro assim define a Síndrome do Holofote:

Dentre tantos problemas que surgiram com a civilização, hoje observamos um fenômeno que já está pra lá de categorizado: a síndrome do holofote, ou melhor, dizendo, a necessidade incontrolável em ser o centro das atenções, de “roubar a cena”, de querer ser o “umbigo” do mundo.

Essas pessoas vivem em constante desafio com os que o cercam e, às vezes, até com uma nação inteira.

[…] Para essas pessoas, qualquer oportunidade será uma chance que não pode ser perdida. Esquecem estes, que sentimentos negativos são gerados em quem os cercam, tornando-se assim pessoas inconvenientes, chatas e sem medidas,  porque a “necessidade de aparecer” também tem sua contramão, como tudo na vida, e neste caso, ela vem com o repúdio, o desgaste da imagem, a intolerância e o valor negativo impresso e associado a sua foto ou presença.”

Consegue enxergar o (im)Pastor Silas Malafaia nessa descrição?

Malafaia sempre quer estar diante dos holofotes. Sempre. Em todo o tempo.

Começou defendendo a Igreja Universal e seu dono Edir Macedo, que sofria com os ataques da Rede Globo, especialmente depois de vazar um vídeo onde Macedo ensinava a seus pastores a teoria do “dá ou desce”, a ser ministrada para aumento da arrecadação em forma de dízimos e ofertas. Há quem diga que recebia uma mesada da IURD nesse período. Mas depois se distanciou de Macedo, chegando a pedir para que não votassem em Marcelo Crivella para o governo do Rio de Janeiro. Há pouco voltou atrás, inclusive indicando dessa vez a seus seguidores que votassem em Crivella para a prefeitura do Rio.

Houve uma época em que se colocou contra o movimento G12. Depois se irmanou a ele.

Durante muito tempo gritava contra seu inimigo, a Rede Globo. Anos depois se gabou de ficar amigo da Vênus Platinada, chegando a ajudar na divulgação da FIC (Feira Internacional Cristã), a feira de negócios gospel da Globo (que durou uma única edição) e no Festival Promessas (que durou algumas poucas edições). Com o fim da lua-de-mel entre a Globo e os evangélicos, Malafaia ainda assim não desistiu de aparecer, mendigando pequenas entrevistas nas afiliadas locais quando das Marchas para Jesus.

Malafaia estava sumindo da mídia. Aí precisou inventar outro factoide. Dessa vez, um que contasse com a aprovação de boa parte dos crentes. E iniciou então sua cruzada contra os gays, não denunciando o pecado, mas ofendendo, “caindo de pau”, buscando uma guerra que o deixou por muito tempo em evidência.

Para estar nos holofotes é necessário estar ao lado de quem está no poder. Assim vemos Malafaia contra Lula (quando não tinha chances de ser eleito), a favor de Lula (quando finalmente foi eleito), a favor de Dilma (quando do primeiro mandato), contra Dilma (quando começava a cair). Ficou aliadíssimo de Eduardo Cunha, que era presidente da Câmara dos Deputados. Defendeu-o até quase o fim, e quando finalmente não tinha mais como defendê-lo tratou de dizer que nunca recomendou voto para ele.

Levantou um boicote a O Boticário, pois numa de suas propagandas havia um casal homossexual. E dia desses levantou outro boicote, agora à Disney, por conta de uma cena do filme A Bela e A Fera. Nenhum dos boicotes surtiu efeito (em relação à queda nas vendas), mas serviu para manter Silas Malafaia nos holofotes midiáticos.

Como essa história contra os gays já está desgastada, não dá mais o mesmo “ibope” que antes, Malafaia teve que se reinventar para continuar no centro da mídia. E aí resolveu se voltar contra o Pr. Paulo Junior e movimentos de defesa do Evangelho, isso porque, para esses, Malafaia é um herege, alguém que não prega o verdadeiro Evangelho, que é renúncia do Eu, mas prega um falso e demoníaco evangelho, que é de afirmação do Eu, da busca por holofotes, riquezas e poder. Ou seja, todo o contrário do que fizeram e buscaram Jesus Cristo e seus apóstolos (os de verdade, não as falsificações do nosso tempo).

Gravou vídeo, fez mimimi, foi duramente criticado. Mas quem sofre de Síndrome do Holofote não tem medo de crítica. Ao contrário, se regozija com ela, pois através dela consegue se manter na boca do povo. Para isso, o portador dessa síndrome não teme fazer papéis ridículos, nem falar besteiras ou contradições.

No seu falso desabafo (e verdadeira criação de factoide para se manter na mídia gospel), Malafaia criticou o Pr. Paulo Junior por ter citado seu nome e de outros hereges como Morris Cerullo, Mike Murdock, Myles Munroe e Benny Hinn. Disse que não deveria ter citado os nomes (embora na Bíblia os hereges e apóstatas tiveram seus nomes citados).

Hoje, porém, Malafaia em seu Twitter vomitou seu factoide, estendendo a discussão (para se manter na mídia, lembre-se da fissura dos portadores da Síndrome do Holofote), citando nominalmente o Pr. Paul Washer. Porém o citou de forma absurdamente mentirosa, colocando o pastor americano como inimigo dos pentecostais brasileiros.

E Malafaia se colocando como pentecostal!!!
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Malafaia, desde que deixou a pureza do Evangelho para construir seu império financeiro e midiático, deixou de ser pentecostal para abraçar o neopentecostalismo, esse sim contrário às tradições cristãs. O pentecostalismo e as igrejas históricas seguem os dogmas cristãos, com suas diferenças, é verdade, mas que não se sobrepõem à mensagem da Cruz.

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Já os neopentecostais trocaram a Cruz pelas promessas de satanás no deserto. Trocaram a Cruz pelos reinos que vislumbraram do alto do pináculo do Templo.

Nenhuma disfunção é desculpa para mau caratismo. Nem a Síndrome do Holofote é desculpa para alguém distorcer uma verdade. Paul Washer não tem nada contra os pentecostais. Tem contra os neopentecostais, como Silas Malafaia, contra gente que usa da fé para conseguir gordas ofertas e grandes impérios religiosos (em meio a um mundo de miseráveis).

Quando Malafaia coloca Paul Washer como inimigo dos pentecostais, não coloca só ele. Coloca todos os reformados contra os pentecostais. Ressuscita a ridícula batalha Calvino X Armínio. Reforça a divisão entre verdadeiros irmãos em Cristo Jesus. Traz guerra onde deveria haver a Paz. E tudo isso para se manter em evidência. Quanta falta de amor pelas almas!!!

Paul Washer erra. Paulo Junior erra. Você erra. Eu erro. Ninguém é perfeito, mas quem tem sinceridade no coração Deus ajuda a reconhecer o erro e se converter, voltar atrás, voltar ao caminho estreito que leva à Salvação.

Silas Malafaia não apenas erra (muito, e feio), como o faz de forma premeditada, estudada, para conquistar aquilo que um dia sentiu o gostinho e agora não sabe mais viver sem: os holofotes.

Oremos por Silas Malafaia. Que ele possa ter ajuda psicoterápica e principalmente espiritual. Que ele retome a razão e possa se derramar diante Daquele que, sim, tem que ser e é o verdadeiro centro de tudo.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

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2 comentários em “Silas Malafaia e a Síndrome do Holofote: promovendo até guerra entre pentecostais e reformados para se manter no centro da mídia gospel

  1. AAGE MALM
    28/03/2017

    O meu resumo de todos esses camaradas.

    Ficaram loucos, ou se fizeram loucos, ou se fazem de loucos.

    Infelizmente as pessoas caem na labia deles.

    Impressionante como que os humanos caem na labia desse tipo de gente.

    Mal comparando…Hitler não praticou o holocausto sozinho…Precisou de comparsas…Pessoas que estiveram com ele até o fim. Há indícios fortes de que Hitler fugiu para Bariloche, Nessa teoria eu vejo mais lógica. Quando o barco vai afundar o capitão foge, deixando seus fieis para morrerem.

    Muita gente boa, letrada, infelizmente se deixa levar por ideologias que não são suas. Nem sequer tem a capacidade de pensar.

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  2. Marcos (Cadeirante)
    31/03/2017

    Sei que é difícil e improvável, mas vamos orar, quem sabe ele se converte desta perversidade como o tele evangelista americano Jim Bakker

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Publicado às 27/03/2017 por em Ser estrangeira e marcado , , , , , , , .

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