Uma estrangeira no mundo

"Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim." – Jo 15.18

A onda de racismo nos EUA e o apartheid social no Brasil: a semelhança é a presença no culto de domingo


supremaciabrancaMuitos estamos chocados por assistir, em pleno século XXI, a violentos embates entre grupos racistas e não racistas americanos. Os racistas se arvoram do direito de menosprezar os negros e latinos, chegando ao ponto de fazer passeatas (Marchas?) para demonstrar seu poder numérico. Obviamente, os grupos vítimas de racismo se revoltam, e o embate está pronto.

Ainda bem que estamos no Brasil, onde esse tipo de barbaridade não acontece, não é?

Não é bem assim. No Brasil não se chegou ao ponto de se tolerar marchas pela supremacia branca, mas o preconceito racial existe, de forma camuflada. Se dois rapazes loiros vêm em nossa direção, continuamos conversando alegremente pelo celular. Agora, se são dois rapazes pardos ou negros, instintivamente colocamos o celular no bolso ou na bolsa. Digo instintivamente, pois muitas vezes sequer temos tempo para pensar no que estamos fazendo. Simplesmente guardamos o bem daqueles que, desde pequeninos, nos foram apresentados como um perigo em potencial.

Para mudar essa mentalidade não bastam dias ou anos. É coisa de gerações, infelizmente.

Mas no Brasil o pré-conceito racial (ou étnico, segundo o politicamente correto) é algo vergonhoso, o tipo de coisa da qual só se fala entre quatro paredes e com alguém que preze de muita intimidade. Às claras, ninguém tem coragem de se admitir racista. Ao contrário dos EUA, onde há até políticos que admitem o ódio por negros, por aqui, ainda bem, isso não existe.

ricosepobresO Brasil padece de outra forma aberta de preconceito: o apartheid social. Ricos vivem com ricos e pobres com pobres. É possível ver um Pelé ou um Joaquim Barbosa (ambos negros) fazendo compras nos shoppings mais chiques, mas qualquer pobre que ousar entrar nesses lugares vip serão sumariamente barrados, ou expulsos, ou no mínimo seguidos em cada passo por meia dúzia de seguranças.

No Brasil, a pessoa até pode ser negra, se bem sucedida. Vai passar por uns “perrengues”, como revistas constantes pela polícia ao circular com o carrão importado. Mas a pessoa, com dinheiro, terá acesso aos melhores lugares, homens e mulheres de todas as cores e tinturas à disposição e tudo o que o dinheiro pode comprar.

Tem uma cena da comédia (politicamente incorreta) As Branquelas que retrata bem isso. (Atenção: spoiler!) O personagem Latrell, vivido pelo ator negro Terry Crews, descobre que sua “loira” na verdade é um policial negro disfarçado. Ao invés de se indignar por sua amada ser um homem, ele se indigna por ser um negro. E aquela era uma festa de brancos ricos, e Latrell se considerava um “branco” como os demais convidados apenas por ser rico e poder, assim, comprar um lugar nesse meio.

Enfim, nos EUA a cor da pele prevalece sobre tudo, até sobre a condição social. Já no Brasil, é possível comprar um clareamento virtual, passando a pessoa a valer pelo que tem, independente do que é.

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Porém, preconceito é preconceito, seja de raça, seja social, seja do que for. Jesus, o Cristo, nos ensinou a amar ao próximo como a nós mesmos, e esse próximo pode ser branco, negro, índio, oriental, rico, pobre, criança, idoso, intelectual, ignorante, candomblecista, cristão, bonito, feio, gordo ou magro. Não há qualquer definição sobre quem é o “próximo”. Apenas que é alguém que está bem perto da gente.

Porque, para com Deus, não há acepção de pessoas. – Romanos 2:11

Quem se diz cristão o diz porque se enxerga seguindo os ensinamentos de Jesus Cristo. Assim, espera-se que no meio dos seguidores de Cristo não haja acepção de pessoas, mas haja amor para com todos (lembrando que amor não implica em aceitação incondicional de todo e qualquer ato, mas a exortação na hora certa, como os pais disciplinam seus filhos).

Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis.
Mas, se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, e sois redarguidos pela lei como transgressores. – Tiago 2:8,9

E é isso o que acontece nas igrejas, não?

Nem sempre.

A Ku Klux Klan, um dos grupos racistas americanos, nos últimos anos tem se apresentado como “entidade cristã” para arregimentar novos membros. Apesar de “cristãos”, pregam contra a miscigenação racial para manter a supremacia branca.

E como cristãos, seus membros batem ponto na igreja local todo domingo de manhã. E no resto da semana, pregam o ódio contra os negros, sob as “bênçãos” do falso cristo deles.

Além da Ku Klux Klan, há mais de 1600 grupos supremacistas brancos nos EUA. E claro, milhares ou até milhões de crentes de que a etnia branca é melhor e merece subjugar as demais. E como os Estados Unidos são majoritariamente cristãos protestantes, é fácil perceber que muitos que destilam seu ódio contra os próximos negros descansam suas consciências dando “a paz do senhor” aos próximos brancos que se assentam ao lado durante o culto dominical.

Sim, nos Estados Unidos ainda há igrejas só com membros brancos ou só com membros negros.

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Aqui no Brasil, é possível brancos e negros dividirem o mesmo espaço de culto. Mais difícil, porém, são ricos e pobres fazerem o mesmo. Quando muito, os ricos se assentam nos lugares de honra da igreja, nas cadeiras “reservadas”, até no púlpito se o dízimo for muito bom. Já os pobres, esses se assentam onde sobra lugar.

Ainda que, por algum motivo, um rico e um pobre se assentem próximos, ao final do culto o rico vai para o estacionamento pegar seu carro, enquanto o pobre vai a pé para casa. O rico não se preocupa com a situação do pobre, se está com as contas em dia, se tem alimento para a família, se está empregado ou não. E o pobre não ousa pedir ajuda ao rico, para não importuná-lo e para não correr o risco de ouvir um não (há exceções, claro, mas normalmente o que se vê é isso).

No Brasil há igrejas para ricos e para pobres, assim como nos EUA há igrejas para negros e para brancos. Algumas, tanto aqui como nos States, permitem o acesso de todos. Algumas não cometem acepção de pessoas.

Mas muitas cometem. Seja pela cor da pele, seja pela condição social. E tudo isso “em nome de Deus”.

Quantas vezes nós mesmos não cometemos acepção de pessoas, escolhendo um banco de ônibus ou de igreja de acordo com quem se sentará ao nosso lado? E quantas vezes pré julgamos e até desprezamos um preletor por estar usando vestes simples ou por parecer ter pouco conhecimento? Que Deus tenha misericórdia dos nossos pecados, que são tantos!!!

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Porém o Senhor disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a grandeza da sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração. – 1 Samuel 16:7

Igreja é comunhão. Comunhão de partes diferentes para juntas formar o Corpo, de quem Cristo é o Cabeça.

Meus irmãos, não tenhais a fé de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, em acepção de pessoas.
Porque, se no vosso ajuntamento entrar algum homem com anel de ouro no dedo, com trajes preciosos, e entrar também algum pobre com sórdido traje,
E atentardes para o que traz o traje precioso, e lhe disserdes: Assenta-te tu aqui num lugar de honra, e disserdes ao pobre: Tu, fica aí em pé, ou assenta-te abaixo do meu estrado,
Porventura não fizestes distinção entre vós mesmos, e não vos fizestes juízes de maus pensamentos?
Ouvi, meus amados irmãos: Porventura não escolheu Deus aos pobres deste mundo para serem ricos na fé, e herdeiros do reino que prometeu aos que o amam?
Mas vós desonrastes o pobre. Porventura não vos oprimem os ricos, e não vos arrastam aos tribunais?
Porventura não blasfemam eles o bom nome que sobre vós foi invocado?
Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis.
Mas, se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, e sois redarguidos pela lei como transgressores. – Tiago 2:1-9

Que as igrejas dos ricos se arrependam de sua acepção de pessoas e busquem aos pobres, a quem devem ajudar. Que as igrejas dos pobres, ajudadas pelos ricos, venham a ter como verdade a máxima de que nada faltava a ninguém. Que os verdadeiros cristãos sejam reconhecidos no mundo pelo amor e cuidado que têm uns pelos outros. E que os falsos cristãos sejam desmascarados, deixem de blasfemar do Santo Nome do Senhor e se arrependam verdadeiramente.

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Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

A DEUS toda a honra e toda a glória para sempre.

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Um comentário em “A onda de racismo nos EUA e o apartheid social no Brasil: a semelhança é a presença no culto de domingo

  1. pauloespindola
    04/09/2017

    https://polldaddy.com/js/rating/rating.jsParabéns pelo texto; problema humano atual, com solução na Bíblia, mas que o homem ignora e, por isso, afunda-se no caos.

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