Uma estrangeira no mundo

"Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim." – Jo 15.18

Uma visão do início do fim dos tempos


Extremamente cansada, fechei os olhos.

Vi-me atrás de uma grande aglomeração. Assustei-me, pensei em Coronavírus, que aquela aglomeração não deveria estar ali. Mas uma voz interna me disse: vai. E avancei, e com muita dificuldade fui atravessando aquela grande multidão. No início, só olhava para o chão e afastava as pessoas com meus braços, abrindo caminho. Mas em certo momento levantei os olhos e – pasma – vi que as pessoas não eram pessoas normais. Elas tinham 3 faces: de boi, de santo e de profano. Abaixei ainda mais meu rosto, pois aquilo me assustava profundamente. E atravessei a multidão quase correndo. Aquilo ali estava me sufocando. Estava quase sem ar. Teria pego Covid?

Enfim, cheguei ao fim. Ou melhor, ao início da multidão. Havia um espaço vazio entre a multidão trifacetada e uma espécie de palco, de púlpito, de altar. Na verdade, era uma mistura dos três, com elementos que remetiam a cada um. Havia um telão gigante, onde se mostravam imagens de família de comercial de margarina e shows de luzes; havia microfones-drones voando por todos os lados, que talvez telepaticamente seguiam na direção daquele que teria a voz no momento; havia uma grande pedra, um altar de sacrifício; e havia dois bezerros de ouro gigantes, e vários bezerrinhos de ouro menores. O mais incrível é que os bezerros, os grandes e os pequenos, todos andavam e falavam e faziam maravilhas e soltavam impropérios, uns mais, outros menos, uns diante dos microfones-drones, outros virados para os bastidores.

Consegui levitar e fui levada para o alto do palco-púlpito-altar. Lá do alto, vi a multidão. Mas não via as faces santo e profano, apenas os chifres da face boi. E a multidão parecia não ter fim, mas tinha, afinal eu tinha saído desse fim. Mas, lá do alto, não via o horizonte.

Virei-me para o palco e observei o movimento no lugar. O primeiro grande bezerro foi para a frente, e os bezerrinhos o rodearam e o adoraram. E o primeiro grande bezerro lhes dava leite, pasto, bezerras e uma parte da multidão se ajoelhava e os louvava. E o segundo bezerro grande se aproximava, amarrava o primeiro bezerro no altar e o sacrificava. E ia para a frente em seu lugar, e os bezerrinhos o rodeavam e toda a cena se repetia, enquanto lá no fundo, no altar, o primeiro bezerro ressurgia com nova coloração e novos números de identificação, prendia o segundo bezerro no altar, o sacrificava e levava a adoração dos bezerrinhos e de parte da multidão para si. Essa cena se repetiu diversas vezes, mas para a multidão parecia sempre ser a primeira e esperançosa vez.

Vendo que a cena no palco se repetia, voltei meu olhar para a multidão.

Parte da multidão se movimentava de acordo com o movimento dos bezerrinhos. Quando eles rodeavam e adoravam o bezerro maior, essa multidão também andava em voltas e se ajoelhava mugindo algo ritmado. Quando o bezerrão era sacrificado, essa multidão fazia sinal ameaçador com a mão e lhe lançava impropérios, mugidos que soavam como “ladrão, corrupto”. E quando o bezerro assassino se aproximava, mugiam “santo, deus lhe pôs aí”. E seguiam seguindo as instruções dos bezerros menores.

Já o resto da multidão, que era maioria, se dividia em duas partes: uma que adorava sempre o primeiro bezerro e outra que adorava sempre o segundo. Quando o bezerro primeiro prevalecia, a multidão que o adorava indiscriminadamente mugia e dançava, e xingava o bezerro assassinado e a multidão que o adorava. Porém, quando o segundo bezerro ressurgia, a situação se invertia. E a multidão que seguia os bezerrinhos, essa lançava impropérios contra o bezerro assassinado e sobre sua multidão, aliando-se momentaneamente à multidão vencedora, e trocando de posição logo que o bezerro era destronado.

Espantada, tive outra visão.

Um dos bezerrinhos do palco, que circundavam o bezerro maior em evidência no momento, saiu de lado para um palco menor. E parte da multidão que seguia os bezerrinhos seguiu atrás. Esse bezerrinho usava belo terno Armani e trazia um Rolex de ouro no braço, e um anel de ouro no dedo, e um livro negro debaixo do braço. Esse bezerrinho mugia ordens e esperança, mas as ordens sobressaíam sobre a esperança. E o rebanho que o seguia o imitava em todos os seus gestos e falas.

Em certo momento, esse bezerrinho sacou de sementes de feijão e as distribuiu para quem tinha certa quantia em ouro e estava disposto a fazer a troca. Os feijões eram mágicos, mas ao contrário do conto de fadas, deles germinava uma árvore que crescia para baixo. E quem tinha o ouro comprava a semente e descia junto com a árvore. E quem não tinha, pedia emprestado. E quem não conseguia nem assim o ouro, chorava e soluçava, pois não teria acesso às bênçãos que estariam no fim da árvore de cabeça para baixo.

Entre os que deram ouro para o bezerrinho, um casal se sobressaiu. Ele de terno bonito e chifres envernizados, ela com belas bijuterias e vestido longo. Em certo momento, eles se afastaram e foram para seu pasto, e eu fui atrás. Iam felizes, mas à medida em que se afastavam do palco menor, diminuía a felicidade e começavam as cabeçadas. Uma, duas, três… A trifacetada, por ser menor, era subjugada agressivamente pelo trifacetado maior. Nessa hora, a face que prevaleceu era a do profano. A agressão deixou marcas na mulher, que logo após vestiu outro vestido longo (para esconder as feridas), que lhe foi dado de presente pelo homem, agora com face de santo. E novamente se encaminharam de volta ao palco menor, seguindo o bezerrinho de ouro.

E após tudo isso, o bezerrinho levou novamente seu rebanho para adorar o Bezerrão da vez.

Meu coração desfaleceu com todas essas coisas. Chorei copiosamente.

Quem tiver olhos e ouvidos, que veja e ouça.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

A DEUS toda a honra e toda a glória para sempre.

Um comentário em “Uma visão do início do fim dos tempos

  1. marcos roberto do nascimento rosa
    12/07/2020

    Vivemos em tempos de apostasia e as pessoas adoram as criaturas ao invés do Criador (RM1.25)

    Curtir

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Publicado às 02/06/2020 por em Ser estrangeira e marcado , , , , , .
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