Uma estrangeira no mundo

"Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim." – Jo 15.18

A igreja “amigável” – trechos de “Com Vergonha do Evangelho”


Estou lendo “Com Vergonha do Evangelho: quando a igreja se torna como o mundo”, de John MacArthur. É um livro altamente recomendável, do qual ouso replicar um trecho, a seguir:

A igreja contemporânea está passando por uma revolução sem precedentes, desde a Reforma Protestante, em seus estilos de adoração. O ministério das igrejas casou-se com a filosofia de marketing, e o “filhote monstruoso” dessa união é um diligente esforço para mudar a maneira como o mundo enxerga a igreja. O ministério da igreja está sendo completamente renovado, na tentativa de torná-lo mais atraente aos incrédulos.

Os especialistas nos dizem que pastores e líderes de igrejas que desejam ser mais bem-sucedidos precisam concentrar suas energias nesta nova direção Forneça aos não-cristãos um ambiente inofensivo e agradável. Conceda-lhes liberdade, tolerância e anonimato. Seja sempre positivo e benevolente. Se for necessário pregar um sermão, torne-o breve e recreativo. Não pregue longa e enfaticamente. E, acima de tudo, que todos sejam entretidos. As igrejas que seguirem estas regras experimentarão crescimento numérico, eles nos afirmam; e as que as ignorarem estão fadadas à estagnação. […]

A questão é que se pretende tornar a igreja “user-friendly”, ou seja, “amigável”. Esse termo vem da indústria informática e foi primeiramente aplicado para descrever um software ou um hardware que é de fácil operação para o iniciante em computação. Aplicado à igreja, costuma descrever um tipo de ministério que é benigno e extremamente não-desafiador. Na prática, torna-se uma desculpa para se importar os entretenimentos mundanos para dentro da igreja, na tentativa de atrair os não-frequentadores de igreja que estão “à procura de algo”, através de um apelo aos interesses carnais. O resultado óbvio dessa preocupação com os que não são da igreja é uma correspondente falta de cuidado para com aqueles que são a verdadeira igreja. As necessidades espirituais dos crentes geralmente são negligenciadas, e isso prejudica a igreja.

(…) Apresento a seguir algumas citações daqueles recortes, que descrevem a pregação em uma “igreja amigável”:

“Aqui não há fogo nem enxofre. Nada de pressionar as pessoas com a Bíblia. Apenas mensagens práticas e divertidas.”

“Os cultos em nossa igreja trazem consigo um ar de informalidade. Você não verá os ouvintes sendo ameaçados com o inferno ou sendo considerados como pecadores. O objetivo é fazer com que se sintam bem-vindos, não de afastá-los.”

“Como acontece com todos os pastores, a resposta é Deus – mas ele O menciona apenas no final e o faz sem muita seriedade. Nada de discursos; nada de altos brados. Nem fogo, nem enxofre. Ele nem usa a palavra que começa com a letra ‘i’. Nós chamamos isso de evangelho light. É a mesma salvação oferecida pela velha e boa religião, antiga mas com um terço a menos de culpa.”

“Aqui os sermãos são relevantes, otimistas e, o melhor de tudo, curtos. Você não ouvirá muita pregação a respeito do pecado, da condenação e do fogo do inferno. A pregação aqui nem se parece com pregação. É uma conversação sofisticada, polida e amigável. Quebra todos os padrões estereotipados.”

“O pastor está pregando mensagens bastante atuais… mensagens de salvação, mas a idéia não é tanto de salvação do fogo do inferno. Pelo contrário, é salvação da falta de significado e de propósito nesta vida. É uma mensagem mais soft, de mais fácil aceitação.” […]

Portanto, as novas regras são: seja esperto, informal, positivo, sucinto e amigável. […] E jamais, jamais, use a palavra “inferno”.

[…] Mas, de fato, a verdade das Escrituras está sendo omprometida, ao ser descentralizada e quando, para forjar uma amizade com o mundo, verdades duras são evitadas, diversões insípidas tomam o lugar da sã doutrina e uma verdadeira ginástica semântica é utilizada a fim de evitar a menção das verdades severas das Escrituras Sagradas. Se o objetivo é fazer sentir-se bem aquele que está à procura de algo, porventura isso não é incompatível com o ensinamento bíblico acerca do pecado, do juízo, do inferno e de vários outros assuntos importantes? Assim, por intermédio dessa filosofia a mensagem bíblica é irremediavelmente distorcida. E o que dizer sobre o crente que precisa ser alimentado?

[…] No âmago da filosofia da “igreja amigável”, movida a marketing, está o objetivo de oferecer às pessoas o que elas desejam. Os que advogam essa postura são bastante honestos quanto a isso. […]

Avaliar com exatidão as necessidades das pessoas é, portanto, considerada uma das chaves para o crescimento no movimento moderno de crescimento de igrejas. Ensina-se aos líderes da igreja a pesquisarem os “consumidores” em potencial, para se descobrir o que estes procuram em uma igreja (nota da estrangeira: no Brasil, busca-se principalmente prosperidade financeira e cura de doenças) – e então oferecem exatamente isso. […]

Pastores não são mais instruídos a declarar às pessoas o que Deus requer delas. Em lugar disso, são aconselhados a descobrir quais são as exigências das pessoas e fazer o que for necessário para satisfazer essas necessidades. O público é reputado como soberano, e um pregador sábio “haverá de moldar sua comunicação de acordo com as necessidades do povo, de forma a obter a resposta desejada”. […] Isso significa que a estratégia humana, e não a Palavra de Deus, torna-se a fonte de toda a atividade eclesiástica e o padrão pelo qual o ministério é avaliado.

[…] As Escrituras dizem que os primeiros cristãos viraram o mundo de cabeça para baixo (At 17.6). Em nossa geração, o mundo está virando a igreja de cabeça para baixo. Biblicamente falando, Deus é soberano, não o incrédulo que não frequenta a igreja. A Bíblia, e não o plano de marketing, deve ser o único guia e a autoridade final para todo o ministério eclesiástico. Em vez de acalentar o egoísmo das pessoas, o ministério da igreja deveria atender às verdadeiras necessidades delas. O Senhor da igreja é Cristo e não um “Zé da poltrona” com um controle remoto nas mãos.

Não consigo ouvir a expressão “igreja amigável” sem que isso me traga à mente a passagem de Atos 5 e a história de Ananias e Safira. O que se passou naquela ocasião desafia abertamente quase toda a teoria contemporânea de crescimento da igreja. A igreja de Jerusalém não era nem um pouco “amigável”. Aliás, era exatamente o oposto. Lucas nos informa que esse episódio inspirou “grande temor a toda a igreja e a todos os que ouviram a notícia destes acontecimentos” (At 5.11). O culto daquele dia foi tão perturbador, que nenhum dos que não frequentavam a igreja ousou juntar-se a eles. O só pensar em frequentar aquela igreja aterrorizava o coração daquelas pessoas, apesar de os terem em alto conceito (At 5.13). A igreja, sem dúvida alguma, não era um lugar para os pecadores sentirem-se à vontade, era um lugar que causava medo!

MacARTHUR, John. Com vergonha do evangelho: quando a igreja se torna como o mundo. São José dos Campos, SP: Ed. Fiel, 2009, p. 43-53.

VOLTEMOS AO EVANGELHO PURO E SIMPLES
O $HOW TEM QUE PARAR!

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9 comentários em “A igreja “amigável” – trechos de “Com Vergonha do Evangelho”

  1. Mariel M. Marra
    15/05/2011

    Livros subversivos… hahahaaha

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  2. Welandro
    15/05/2011

    Que texto profundo, marcante e maravilhoso! Vou compartilhá-lo com o pessoal evangélico da minha caixa de e-mails.

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  3. Hadassa ben HaShem
    15/05/2011

    Cara, ouço isto há pelo menos 15 anos.
    Nada mudou.

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    • Irmão Josef
      25/05/2011

      O Mundo muda quando você muda….

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  4. Josiel Dias
    16/05/2011

    Olá meus queridos irmãos Graça e Paz.
    Ficamos felizes em conhecer mais um espaço que propaga a palavra de Deus em tempo e fora de Tempo. Como sempre tenho dito: Aprendendo uns com os outros crescemos na graça e no conhecimento.
    Aproveito esta oportunidade para compartilhar com os amados o nosso blog
    Mensagem Edificante para Alma. Ficaremos Felizes por vossa visita e mais ainda se seguir-nos.
    Deus vos abençoe ricamente
    Josiel Dias
    http://josiel-dias.blogspot.com

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  5. Alcir Filho
    18/05/2011

    Vera,

    Muito bom este trecho que vc postou.

    Inclusive, tbm vou postar lá no meu blog, http://alcirfilho.com.br/ (com a devida referência, claro.)

    Continue colocando coisas assim, extremamente relevantes para quem ama a Deus e a Sua Igreja.
    na Paz.

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  6. Daniel Clós
    19/05/2011

    Li este livro há pouco mais de um ano. Dei ele de presente para um pastor… ou ele ainda não leu ou não gostou.

    hehehe

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    • Irmão Josef
      25/05/2011

      O que tem de “pastor” que não quer enxergar a verdade… não querem pensar… Então deixam do jeito que tá que tá bom!

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  7. Abner
    27/05/2011

    Precisando de uma mensagem de consolo, então acesse o nosso site, e assista nossas mensagens, Sempre Deus tem uma mensagem para você nas horas dificeis

    http://www.assembleiabelem.br22.com/

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