Uma estrangeira no mundo

"Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim." – Jo 15.18

A igreja evangélica é legitimadora da corrupção


Irmãos, disponibilizo o artigo do Henrique M. Ziller, e aproveito para pedir desculpas por não estar respondendo essa semana aos comentários e aos emails (até sábado que vem estou em provas na faculdade, fora outras coisas, mas depois do dia 21 estarei novamente livre). Que Deus abençoe a todos.

 

A Igreja Evangélica é legitimadora da corrupção

Henrique Moraes Ziller* 

A afirmação que se faz no título desse artigo fundamenta-se em cinco percepções acerca da presença da Igreja Evangélica na nação brasileira, relativamente a sua atuação. 

Em primeiro lugar, a Igreja Evangélica Brasileira é legitimadora da corrupção porque não a denuncia. Não concebe que deva encarnar a função profética, relega ao segundo plano as questões sócio-políticas, e não se manifesta sobre aquela que é a maior manifestação do mal nas terras brasileiras: a corrupção. Não há denúncia. 

Em segundo lugar, a Igreja Evangélica Brasileira é legitimadora da corrupção porque sua ação social substitui a ação do Estado, não denuncia a situação e não exige que o Poder Público desempenhe suas obrigações. Se por um breve momento a Igreja Evangélica Brasileira deixasse de realizar suas ações de assistência social, o País se tornaria um caos, imediatamente. A distribuição da renda, consubstanciada na distribuição de cestas básicas e demais ações similares, a recuperação e inserção social, consubstanciadas nos trabalhos das inúmeras casas de recuperação, a promoção do ensino, por intermédio de milhares de escolas confessionais, o cuidado com a criança, realizado por creches e pela própria Escola Dominical, tudo isso, são funções do Estado negligente que não as realiza. Na medida em que a Igreja Evangélica faz tudo isso – e jamais deve deixar de fazer – sem a devida e obrigatória participação do Estado, e não denuncia a gravidade do fato, está sendo cúmplice de governantes e parlamentares criminosos, que utilizam em benefício próprio os recursos que deveriam ser destinados a essas atividades.  

Em terceiro lugar, a Igreja Evangélica Brasileira é legitimadora da corrupção porque se associa ao Poder Público sem a crítica adequada. Seus líderes sobem nos palanques políticos, impõem as mãos sobre as cabeças de gente cujo pensamento está voltado apenas para seus próprios interesses e para o crime, dá e recebe condecorações de e para gente sem a menor credencial ética para isso, cede os púlpitos a bandidos, enfim, associa-se a gente que deveria estar presa, mas que usufrui da liberdade que o seu poder lhes permite adquirir. Aqueles que deveriam ser alvo de denúncia e profetismo por parte da Igreja são seus grandes amigos e aliados. 

Em quarto lugar, a Igreja Evangélica Brasileira é legitimadora da corrupção porque não desenvolve ações consistentes de combate à corrupção. E nem poderia ser diferente, visto que ela nem mesmo a denuncia. Enfrentar esse mal é obrigação, mas nada faz a respeito. 

Em quinto lugar, a Igreja Evangélica Brasileira é legitimadora da corrupção porque a pratica desavergonhadamente. 

À denúncia acima pronunciada segue-se, necessariamente, a proposta de ação. 

1. Para denunciar a corrupção nos púlpitos, e perante a nação, obrigação inadiável da Igreja Evangélica Brasileira, é necessário colocar ordem dentro de casa: transparência das contas. Igrejas precisam publicar seus balancetes e prestar contas do que fazem com os dinheiros de seus membros, se quiserem ter credibilidade e autoridade para profetizar contra o mau uso dos recursos pelo Poder Público. Os líderes de igreja não podem submeter-se apenas à prestação de contas – inevitável e certa – diante de Deus. Precisam entender o momento em que o País se encontra e dar o exemplo. Transparência, eis a exigência.

2. A Igreja não  pode deixar de fazer ação social, mas tem que cobrar a ação do Governo, o emprego das verbas públicas nos programas sociais e as ações que promovam a distribuição de renda. Precisa-se, antes de mais nada, de informações acerca de todo o esforço que a Igreja Evangélica Brasileira está fazendo para amenizar a situação de dificuldade em que vive grande parte da nação. O Governo tem que conhecer a enorme dimensão dessas ações, e seu alcance. Trabalho que dá credibilidade para cobrar do Governo que faça a sua parte, em particular impedindo que o dinheiro público seja desviado para atender a interesses privados. A Igreja não pode substituir a ação do Estado, como ocorre hoje; esse esforço tem que ser complementar. O Estado tem a obrigação de zelar por seus cidadãos, a Igreja, de amar o próximo. O trabalho da Igreja não exime o Estado de sua responsabilidade. No entanto, a última coisa que se deve pleitear é a parceria na qual as igrejas recebam mais verbas públicas para a realização de ações de cunho social. Há generosidade e recursos suficientes para contribuir com as obras das Igrejas. Não se rejeitam parcerias com o Poder Público, mas elas só podem se estabelecer fundamentadas em sólidos sistemas de controle e transparência. Em parceria com o Poder Público, a Igreja tem demonstrado que é engolida pelo mesmo mal que assola a Nação.

3. Não há outra possibilidade, nesse momento, senão o rompimento radical com as práticas que a Igreja Evangélica Brasileira tem adotado em relação aos seus representantes no Poder Executivo e no Poder Legislativo. Se eles querem ir às igrejas, ou se mesmo já são membros, que se assentem nos bancos e ouçam, em silêncio. Se quiserem conversar com esse povo sobre política, que se marquem reuniões específicas para isso, e que nunca se tratem tais assuntos em cultos. Não se pode mais chamá-los aos púlpitos e impor sobre eles as mãos, manipulando a compreensão dos membros. Se querem oração que recebam-na nos gabinetes, pois o Deus que ouve em secreto em secreto os responderá. Pastores não devem receber condecorações das mãos de criminosos travestidos de prefeitos e parlamentares, há que se ter o mínimo de decência e discernimento.

4. A Igreja precisa adentrar o espaço público aberto a ela e a toda a comunidade. Participar dos Conselhos Municipais de Políticas Públicas criados por lei para exercer o controle das ações públicas em áreas como a educação, a saúde e a assistência social, entre outras. Pastores devem incentivar seus membros a participar, promover treinamento para eles, e facilitar-lhes o acesso a estas instâncias de participação política. Fazendo isso,  a Igreja estará garantindo a merenda escolar para seus próprios filhos – e demais crianças de suas cidades, o salário adequado para os professores, os recursos para as entidades de assistência social, os programas de enfrentamento de moléstias, o dinheiro para a farmácia básica, entre tantas outras possibilidades. A legislação brasileira tem criado esses conselhos, dos quais devem fazer parte representantes da sociedade civil organizada. Espaço absolutamente adequado para a ação consistente da entidade que mais faz ação social nesse País, a Igreja Evangélica Brasileira.

5. Quanto à participação na corrupção desenfreada nesse País, já conhecida há tanto tempo, e vergonhosamente evidenciada, por exemplo, na CPMI dos Sanguessugas, é necessário, em arrependimento e quebrantamento, pedir perdão. Pedir perdão a Deus e à Nação, pois esperava-se muito mais da Igreja Evangélica Brasileira.

Sobre ela pesa duro juízo, por suas ações, por sua acomodação, por sua omissão cúmplice. Pois, ao invés de destruir as obras do diabo, tornou-se partícipe delas. 

* Henrique Moraes Ziller é  membro da Igreja Metodista da Asa Sul, em Brasília – DF, é Audito Federal de Controle Externo do Tribunal de Contas da União e Presidente do Instituto de Fiscalização e Controle (www.adoteummunicipio.org.br).

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9 comentários em “A igreja evangélica é legitimadora da corrupção

  1. Stefano
    15/11/2009

    não só a igreja evangeica.. mas a igreja catolica tambem….
    toda igreja é antro de sujeira

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  2. Werbevan
    22/11/2009

    Ola amada!

    É com grande felicidade que encontrei seu blog e de seus companheiros tbm…rs
    Fico grato ao Pai por saber que a cada dia que passa Ele poe pessoas que tbm não estão concordando com esse sistema implantado no meio cristão e estão literalmente na contra-mão do sistema.
    Fiquei com meu coração muito feliz quando vi o que o Pai fez na marcha através de vcs… Fico feliz por tbm fazer parte dessa grande minoria…rs pra se ter uma idéia a revista Vogue aumentou consideravelmente o número de seus leitores depois de uma grande campanha publicitária que declara: “Vogue é lida pela esmagadora minoria”. A mensagem transmitia a ideia de que o importante não era o número de leitores, mas a qualidades destes. Ser minoria não é problema se a minoria se tornar esmagadora.

    Esse ano teve a marcha aqui em Curitiba tbm… e tbm como sempre teve um péssima repercursão…
    Estou disposto a tbm começar esse movimento aqui em Curitiba e pela direção do Espírito me unir e ir contra esse sistema maldito implantado e que tem desviado o foco de estabelecer o Reino de Deus.

    Graça e paz!!

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  3. Paulo de Tarso
    24/11/2009

    Graça e Paz!

    Vera, irmã em Cristo Jesus:

    Muito bom o artigo postado.

    Espero que teu esposo Paulo esteja bem, e é claro o(a) pequenino(a) que vem aí.

    “Com a minha voz clamo ao Senhor,
    e ele do seu santo monte me responde.”
    Salmo 3:4

    Laus Deo

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  4. Carlos Roberto
    05/12/2009

    LEVANDO AO PÉ DA LETRA

    “EM TUDO DAI GRAÇAS”

    DesGRAÇA pouca é bobagem… São estes exemplos que os pobres irmãozinhos, Deputados da Bancada Evangélica estão ai para dar como nossos representantes lá nos lamaçais de Brasília. Irmão furando o olho de irmão, e pior dando graças a Deus por terem conseguido levantar uma graninha sarada com aquilo que no mundo do crime se conhece como “PROPINA”. Será que eles adotaram também o “171” como numero de campanha? Ladrões e salteadores agindo livremente em nome de Deus com o aval de centenas de Pastores, Bispos, Apóstolos, Missionários, Pastores isto sem contar no sem numero de fiéis que confiaram a estes golpistas os seus votos. Acho que fizeram uma fezinha no 13…

    Mas pode ficar tranqüilo, ainda não é tudo, há muita coisa por acontecer. Por trás destes Deputados tem muita coisa ainda, resta aos líderes religiosos correr atrás do prejuízo das alianças que fizeram com estes ladrões e trapaceiros. É preciso lembrar que o Diabo eleva o camarada para depois derrubá-lo, e foi isto que aconteceu. Quando estavam no alto da escada, o inimigo passou a perna no pé e disse: “Bay Bay!!! Agora vocês se virem…”.

    Trecho das conversas transcritas das fitas da Polícia Federal: “Deputado Brunelli, fui a um casamento ontem e conheci um camarada que transforma água em vinho. Se conseguirmos convencê-lo a montar uma distribuidora com a gente, estamos ricos!!! Também ouvi dizer que um tal Galileu anda espalhando por aí, que consegue reconstruir o templo em três dias. Dá uma olhadinha pra mim e, se for verdade, convida o rapaz pra trabalhar de pedreiro pra gente. Deixa comigo, eu já levanto estes dados e lhe passo!!!”

    Os fatos mostram como a Bíblia está sendo levada às ultimas conseqüências, com as pessoas procurando fazer de tudo para fazer valer o que ela recomenda, assim: “EM TUDO DAÍ GRAÇAS” mesmo que os negócios sejam ilícitos, isto não importa, importa é que Deus está nos abençoando, e muito… E o Cristianismo continua na sua saga ladeira abaixo…

    A Bíblia diz: “Porque o dinheiro é a raiz de toda a espécie de males, e nesta cobiça alguns se desviam da fé, e se transpassam a si mesmos com dores” – I Timóteo 6:10. Esses camaradas são de dar inveja a JUDAS ISCARIOTES!!! São os Judas do século XXI ressuscitando as práticas do farisaísmo judaico. A ganância por dinheiro, não resta duvidas, é conseqüência direta desta maligna “TEOLOGIA DA PROSPERIDADE”. Segundo os seus ensinos, para prosperar vale qualquer coisa, até trambiques seja onde for. O sujeito já esta escolado com as “Fogueiras Santas de Israel” e aí uns trocados a mais representam bênçãos, quer dizer, propinas, que não podem ser ignoradas. Ou melhor, recusadas… “Em tudo daí… Não! De tudo, recebei… Propina…”. Fazemos qualquer negócio ilícito! Somos formandos da “ESCOLA SUPERIOR DE MENTIRAS ANANIAS E SAFIRA”.

    A pergunta que fica é se eles aprenderam estas práticas delituosas dentro de suas igrejas e se lá também agiam da mesma forma? É preciso levantar isto também, a coisa é mais séria do que se pensa.

    Mas o que é propina? Uma definição bem simplória: “Propina é todo aquele dinheiro que o capetinha em seu ombro direito diz: “Receba” e o anjinho em seu outro ombro diz “Não receba”. O resultado disto é muito emblemático, pois seu ouvido esquerdo misteriosamente consegue uma surdez temporária e a sua carteira, misteriosamente fica mais cheia.

    Gostaria de fazer uma sugestão, que se “DOE”, a título de fundo perdido, alguns metros de corda de bacalhau para estes Deputados se enforcarem, pelo menos não iriam gastar do SUADO dinheiro que receberam para se matarem.

    Talvez eles comunguem a mesma idéia do BISPÃO da IURD – UNIVERSAL que fez a declaração: “Deus não quer que você tenha paz na vida com o bolso vazio” – Palavras de um BISPO da IURD – UNIVERSAL – Fogueira Santa de Israel – 29/11/2009 – UMA MENTIRA DO TAMANHO DA IURD – UNIVERSAL. Um descalabro e uma safadeza de quem não tem qualquer compromisso com a verdade e com os ensinos de Jesus.

    Cuidado com o seu voto, senão você poderá passar vergonha quando menos esperar, isto sem falar do nome sujo de sua igreja na praça. Lembre-se: “O voto é uma arma, e se não souber usá-lo, a vítima será você”. “Não farás vergar a justiça, não farás acepção de pessoas e não aceitarás suborno, pois o suborno cega os olhos dos sábios e perverte a causa do inocente…” – Deuteronômio 16:19.

    Carlos Roberto Martins de Souza
    crms2casa@hotmail.com

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  5. Danilo
    12/12/2009

    Oi Vera

    Uma oportunidade boa da gente se conhecer. O Rubinho, meu companheiro lá no Genizah está em São Paulo estes dias. Resolvemos chamar uns amigos blogueiros que há muito tinha vontade de conhecer para comer uma pizza, rir e bater aquele papo sobre os assuntos que todos adoramos.

    A principio pensei chamar mais gente, mas desisti. Pois havia muita gente querida a conhecer e não ia dar pedal. Então fechamos com poucos e bons, num esquema descontraído de cada um paga o que come e bebe.

    Vai ser nesta segunda-feira a partir das 19:30 na Pizzaria Speranza em Moema – Av. Sabiá 786. Descontraído e simples. Comunhão de blogueiro apologético. É para vir direto do trabalho.

    Meu e-mail é danilo@genizahvirtual.com

    Me avise se vou poder contar com sua presença.

    Nao PUBLIQUE ESTE POST OU APAGUE APOS LER

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  6. Danilo
    12/12/2009

    Oi Vera

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    Meu e-mail é danilo@genizahvirtual.com

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  7. Marcelo
    12/12/2009

    Shalom!

    Uma alegria conhecer seu blog. O Eterno resplandeça o rosto Dele sobre ti!

    Medite no Sl 36.8,9

    Nele, Pr MArcelo

    Visite: http://davarelohim.blogspot.com/

    e veja o texto:

    As três necessidades do apóstolo Paulo

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  8. frank
    16/12/2009

    já não podemos mais protestar nas igrajas evangelicas!!!!

    lutero nos socorra, mais uma vez contra estes ganaciosos por dinheiro!!

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  9. André
    26/06/2012

    Gostei do tema discutido pelo texto, contudo é necessário fazer uma ressalva e um acréscimo.
    Primeiro, no que se refere ao título do artigo a igreja enquanto instituição é também responsável pela corrupção e outros males quando os apóia ou se omite.
    Em segundo lugar, essa discussão deveria ser mais ampla; pois a culpabilidade não deveria se restringir apenas ao âmbito das igrejas evangélicas.

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Publicado às 14/11/2009 por em Ser estrangeira e marcado , , , , , , .
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