Uma estrangeira no mundo

"Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim." – Jo 15.18

De Lula a Bolsonaro: 10 anos em que as lideranças evangélicas, em busca de benesses, apoiaram quem estava no poder


Há exatos dez anos, publicávamos um artigo denunciando a sanção do Dia da Marcha para Jesus pelo então Presidente Lula, agradando aos líderes evangélicos (em especial ao casal Hernandes da Igreja Renascer em Cristo, na época recém chegados de uma longa estadia nos Estados Unidos onde cumpriram pena por entrar no país com dinheiro não declarado – inclusive dentro de uma Bíblia). Era 2009, e estávamos profundamente indignados com isso e outros fatos, e pela Graça de Deus naquele ano, dois meses depois, o MEEB participou de sua primeira Marcha para Jesus portando faixas e camisetas com dizeres de exortação e a frase “Voltemos ao Evangelho puro e simples, o $how tem que parar!”.

Sim, já naquela época havia um movimento das lideranças evangélicas, especialmente as neopentecostais, de buscar alianças políticas. Mas não qualquer aliança, mas com o mandatário maior da nação, na época o Lula.

É engraçado perceber que, anos antes, Lula havia sido literalmente satanizado pelos neopentecostais que em 2009 o bajulavam. Nos púlpitos dizia-se claramente que o Lula era do diabo, o que levava a crer que seus adversários diretos, seja Collor, seja posteriormente Fernando Henrique Cardoso, eram as escolhas divinas. Porém, quando Lula passou a ter chances reais de vitória, aí “deus” o libertou das garras do diabo e o considerou digno do apoio dos evangélicos. Esse apoio durou seus 2 mandatos e seguiu no apoio à Dilma, sua sucessora. Só que Dilma, quando no segundo mandato, demonstrou certa fraqueza política. Nesse momento, perdeu o apoio evangélico para o então vice Michel Temer. E, da mesma forma, Bolsonaro herdou o apoio gospel por estar na liderança e ser o símbolo da luta com o diabo do Partido dos Trabalhadores (sim, na cabeça dos líderes evangélicos Lula ora é do diabo, ora é de “deus”, dependendo das circunstâncias).

Não é nosso objetivo julgar politicamente FHC, Collor, Lula, Dilma, Temer e Bolsonaro. Todos eles são políticos, têm seus ideais e fazem alianças para alcançar suas metas políticas. Nosso objetivo é julgar o discernimento dos líderes evangélicos, que ora apoiam candidatos de esquerda, ora de direita, ora de centro-esquerda. Como no momento o apoio é para a direita, demonizam a esquerda. Mas ontem, quando a esquerda estava no poder, era vontade divina e digna de apoio total.

Engana-se quem pensa que esses líderes evangélicos agem por discernimento espiritual. O único discernimento que seguem é a quantidade de benefícios que podem abarcar. Assim, ganharam Dias da Marcha para Jesus, concessões de rádio e TV, terrenos privilegiados para a construção de templos, isenção de impostos, passaportes diplomáticos, presença vip em camarotes do 7 de Setembro, patrocínio para feiras de comércio gospel, espaço nas emissoras abertas de TV e jornais, etc.

Há 10 anos, um pequeno grupo se indignou contra tudo isso e demonstrou sua indignação silenciosamente com faixas e camisetas. Mas, 10 anos depois, tudo continua igual, os mesmos líderes posam de papagaio de pirata nas fotos com presidentes e outras autoridades, elegem seus deputados e senadores para votar os assuntos de seu interesse e riem daqueles que, como João Batista, os chamam daquilo que realmente são: raça de víboras!

Não se engane. Se, daqui há alguns anos, houver uma reviravolta política e Lula ou o PT voltarem ao poder, esses mesmos líderes que antes os demonizaram, depois os adularam e há pouco novamente os satanizaram, passarão a vê-los mais uma vez como “homens de deus”, afinal quem alcança o poder pode ajudar muito seus aliados – mesmo os de última hora, como costumam ser os (im)pastores. E se amanhã ou depois Bolsonaro for deposto ou cair no ostracismo, esses mesmos religiosos que hoje o consideram “representante de deus” dirão, na cara dura com óleo de peroba ungido, que nunca o apoiaram – e se empoleirarão no ombro do político que o suceder. Esse é o (mau) caráter dessa gente que cospe na Cruz o luxo, a fama, o poder e o dinheiro que conseguem vendendo a história de um tal Nazareno que nunca conheceram realmente.

Nossa certeza e esperança é que de Deus não se zomba.

Que Ele abra os olhos do Seu Povo, e que Lhe dê coragem e ousadia para denunciar e resistir ao mal.

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Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

marcha197

A DEUS toda a honra e toda a glória para sempre.

marcha3

2 comentários em “De Lula a Bolsonaro: 10 anos em que as lideranças evangélicas, em busca de benesses, apoiaram quem estava no poder

  1. telmo flores
    04/10/2019

    Verdade. Vão sempre no apoio de quem pode lhes beneficiar, isto é evidente.

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  2. Paulo Fernando dos Reis
    15/10/2019

    Jesus passou pela tentação perseverando no bem até o fim, segundo a bíblia. Pseudodivinos pastores, ao contrário, mudam de posição a cada novo tentador, como você demonstra em seu texto. Tem-se a impressão que desconhecem as escrituras que professam. Mas é pior, eles as ignoram!

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