Uma estrangeira no mundo

"Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim." – Jo 15.18

De que vale ser Protestante se até na igreja há quem prefira as bruxas?


31cOntem, dia 31 de outubro, uma pequena parte da população se lembrou de Martinho Lutero, Calvino, Zwínglio, Huss, Pedro Valdo e tantos homens e mulheres que, na defesa da pureza do Evangelho, não hesitaram em até dar suas próprias vidas. E uma parte bem maior estava às voltas com a celebração mitológica e mística das bruxas, num mini carnaval fora de época.

E nós do MEEB (Movimento pela Ética Evangélica Brasileira) nos colocamos diante da sede da Igreja Plenitude do Trono de Deus, no Brás, com faixas que remetiam à reflexão sobre a importância do resgate dos valores cristãos, a tônica dos reformadores.

Mas ali, diante daquelas pessoas que olhavam as faixas e logo depois adentravam no templo, fiquei me perguntando: de que vale estarmos aqui?

Enquanto estávamos lá fora, imagino que do lado de dentro acontecia o que fora antes anunciado: uma reunião de pastores e empresários, com o mote na vitória financeira e com o bônus da revelação da “visão apostólica” para 2017 para quem estava sob a “cobertura espiritual” do Apóstolo (?) Agenor Duque.

“Visão apostólica”, “cobertura espiritual”… onde você já ouviu essas expressões?

Se você respondeu movimento apostólico e de batalha espiritual e cura interior, penso que acertou.

No espiritismo kardecista, temos uma “revelação”. Allan Kardec teve como guia um espírito que se autointitulava “Espírito de Verdade”, e que se dizia o Consolador prometido por Jesus Cristo há 2000 anos. As informações do “Espírito de Verdade” eram condizentes com o amor ao próximo e, por que não dizer? com o amor e a busca de justiça e paz. E muitos outros também tiveram “revelações” divinas: Joseph Smith (através do Anjo Moroni), José Luis de Jesus Miranda (que se dizia o Jesus Cristo Homem), etc. E a partir dessas “revelações”, cada um criou sua religião embasada na figura de Jesus Cristo. Até o espiritismo kardecista se autointitula cristão, pois considera Jesus o “maior espírito” que já pisou na Terra, além de ser uma espécie de governador do planeta espiritualmente falando.

Assim, uma “revelação” não é divina ou cristã só porque se coloca o nome de Jesus na história. E a grande prova é que há atualmente centenas ou milhares de igrejas com a inscrição “Jesus Cristo é o Senhor” na entrada, porém que em nada refletem o caráter cristão e a direção do Espírito Santo.

Cientes disso, vamos brevemente analisar a “visão apostólica” (ou “palavra profética”) e a “cobertura espiritual”:

O atual movimento apostólico é bastante recente. O anterior ocorreu na Igreja Primitiva, com os Doze mais o Apóstolo (de verdade) Paulo. Passaram dois mil anos após a morte do último Apóstolo (de verdade), e em dois mil anos não houve a falta desse chamado ou dom. Ninguém reivindicou ser apóstolo, a Palavra não deixou de ser pregada em toda a terra apesar das pesadas perseguições. Porém, 2ooo anos depois alguém aprouve ressuscitar esse título, que coincidentemente recai sob líderes de igrejas grandes, que repassam o título para líderes de pequenas congregações, e esses últimos são voluntariamente obrigados a estar sob a “cobertura espiritual” de quem os ungiu Apóstolos (?).

A “cobertura espiritual” é um negócio (literalmente) interessante. Pressupõe que o Apóstolo (?) Mor, o que tem o maior ministério, o que unge, por ser bem sucedido segundo os valores do mundo (ou seja, tem grandes templos, carros, jatinhos, seguranças, horários em rádio e tv, influência com políticos, etc) tem o poder de passar toda sua “unção” para pastores mais humildes, em início de carreira. É claro, contanto que eles aceitem o negócio: são ungidos Apóstolos (?) também (o que por si só já lhes aumenta a autoestima, pois é uma massagem e tanto no ego), e recebem oração especial e constante do líder maior. Mas como em todo negócio, há sempre a contrapartida: a exigência de fidelidade total e irrestrita do apostolozinho ao apostolozão (inclusive no que tange a apoio aos políticos indicados e direcionamento dos votos dos fiéis), e claro, quantias mensais pagas religiosamente (afinal, todo clube tem despesas de manutenção). E seguir a “visão apostólica” do chefe é item básico nisso tudo.

A prova cabal de que a “visão apostólica” depende do freguês é que, ano após ano, cada Apóstolo (?) envia sua visão, diferente das visões dos demais. Ora, mas se o Espírito Santo é o mesmo, como isso é possível?

Exemplo: “visão apostólica” 2016

Igreja Apostólica Renascer em Cristo: ano apostólico de Israel (conquistas, prosperidade e avanço);
Igreja Reino dos Céus: ano apostólico de Davi (edificação dos seus sonhos);
Comunidade Vida: ano apostólico da colheita sobrenatural (constituição Apostólica como primogênito, herdeiro, realizador, consagrado e abençoado do Deus vivo).

E por aí vai.

Da mesma forma que alguns ressuscitaram o apostolado 2000 anos depois da morte do último Apóstolo, os espíritas também, quase 2000 anos depois, reinventaram o Espírito Santo, se apossando dele através da alcunha de Espírito de Verdade. E da mesma forma que os espíritas se maravilham dos fenômenos que ocorrem nos centros (incorporação, psicografia, revelações do futuro, pintura mediúnica, cirurgias espirituais que curam doenças, etc), os adeptos do movimento apostólico buscam não a Palavra de exortação que leva ao reconhecimento do pecado e ao arrependimento e verdadeira conversão, mas buscam o espetáculo das curas milagrosas, das profecias sobre o futuro, dos rituais judaizantes, das quedas no “espírito” e gritarias de supostos demônios (muitas vezes apenas transe hipnótico), do ouro e da púrpura dos templos e de seus líderes.

Tudo muito lindo, muito milagroso, muito espetacular, muito feliz. Mas onde está Jesus em tudo isso?

Lutero também não viu Cristo na pompa e circunstância da Catedral de Wittenberg. Nem nas roupas luxuosas dos cardeais. Nem na “infalível” e quase toda poderosa figura papal. Nem na bolsa de Tetzel, que tilintava com o chacoalhar das moedas de ouro conseguidas na venda de objetos ditos sagrados (ou, no linguajar atual, “ungidos”). Tanto não viu Cristo, que Lutero se dispôs a escrever suas teses, no intuito de trazê-Lo à vista de todos (mesmo desagradando, assim, a muitas pessoas).

Pronto. Agora sei a resposta para a pergunta do terceiro parágrafo deste texto.

“E, chegando um, anunciou-lhes, dizendo: Eis que os homens que encerrastes na prisão estão no templo e ensinam ao povo.
Então foi o capitão com os servidores, e os trouxe, não com violência (porque temiam ser apedrejados pelo povo).
E, trazendo-os, os apresentaram ao conselho. E o sumo sacerdote os interrogou,
Dizendo: Não vos admoestamos nós expressamente que não ensinásseis nesse nome? E eis que enchestes Jerusalém dessa vossa doutrina, e quereis lançar sobre nós o sangue desse homem.
Porém, respondendo Pedro e os apóstolos, disseram: Mais importa obedecer a Deus do que aos homens.
O Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus, ao qual vós matastes, suspendendo-o no madeiro.
Deus com a sua destra o elevou a Príncipe e Salvador, para dar a Israel o arrependimento e a remissão dos pecados.
E nós somos testemunhas acerca destas palavras, nós e também o Espírito Santo, que Deus deu àqueles que lhe obedecem.” – Atos 5:25-32

Cada vez que, em nome de Jesus, se produzem heresias, é a Ele que tentam novamente matar e crucificar. É o véu do templo que tentam recosturar, dificultando a aproximação a Deus para se obter vantagens na intermediação entre o Divino e o fiel.

Mas Ele tem a Vida Eterna. E já rasgou o véu do templo. TUDO está consumado, não dependendo de rituais místicos para nos achegarmos ao Sagrado.

Que Deus abra os olhos do Seu povo.

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Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

 

 

 

 

Um comentário em “De que vale ser Protestante se até na igreja há quem prefira as bruxas?

  1. Marcos (Cadeirante)
    02/11/2016

    Já fiz esta pergunta para alguns cristãos: “Além do dia da abóbora o que se comemora no dia 31 de outubro? E a resposta foi essa: “???”

    Curtir

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