Uma estrangeira no mundo

"Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim." – Jo 15.18

Um (im)pastor na Presidência da Comissão dos Direitos Humanos


Estamos em maus lençóis. Entenda por “estamos” todos nós que nos dizemos cristãos e, portanto, seguidores de Jesus Cristo. Ou não está ficando muito feia a série infindável de escândalos envolvendo líderes gospel ávidos por fama, sucesso, muito dinheiro e poder terreno?

Há pouco tivemos o caso dos passaportes diplomáticos, dados “sem motivo” para algumas lideranças gospel; a “guerra santa” gospel versus homossexuais, encabeçada por um certo pastor televisivo; a publicação de fortunas de líderes gospel televisivos, feita pela Revista Forbes; a nova moda da liderança gospel bem sucedida, que é ter seu próprio jatinho particular; filho de pastor americano televisivo idolatrado pela liderança gospel tupiniquim, que saiu batendo num deficiente auditivo que tentava apenas se aproximar do pai gospel famoso em busca, talvez, de uma cura ou “unção” especial; e agora temos:

Pastor é eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos (fonte: Folha de São Paulo)

Gente, essa notícia deveria ser reverenciada por todo o mundo!!! Afinal, biblicamente falando, o que é um pastor?

  • É um líder espiritual capaz de dar sua vida para cuidar e salvar seus liderados (João 10.11);
  • É alguém capaz de trazer de volta ao bom caminho aqueles que estão perdidos (1 Pedro 2.25);
  • É uma pessoa com grande empatia, capaz de se comover com a realidade do seu próximo (Mateus 9.36);
  • É aquele que se preocupa em prover e em proteger aos que estão a sua volta (Salmo 23.1 e Isaías 40.11).

Enfim, um pastor segundo a Bíblia é alguém que tem tudo a ver com direitos humanos, talvez a pessoa mais indicada para presidí-la. Então por que houve tantos protestos pela escolha do Pr. Marco Feliciano para a Presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara?

Vídeo mostra pastor Marco Feliciano pedindo senha de cartão de fiel (fonte: Folha de São Paulo)

O Pr. e Deputado Federal Marco Feliciano é mais um dos adeptos da diabólica e antropocêntrica (sim, pois serve ao diabo e ao homem) Teologia da Prosperidade, aquela que diz que Deus é obrigado a dar todo o ouro e a prata da qual é dono para aqueles que fazem os sacrifícios financeiros impostos por seus sacerdotes.

Como adepto de tal teologia, Marco Feliciano aprendeu bem as técnicas de manipulação das massas, com o fim de lhes tirar o que têm de melhor (em sua visão): seus bens materiais e financeiros. O vídeo a seguir, que está também na reportagem que citamos logo acima, mostra bem claramente isso:

Agora vamos refletir: o que o Marco Feliciano fez demonstrou pelo menos uma das virtudes de um pastor, segundo a Bíblia? Ou mostra alguém tão ávido por dinheiro que não se importa com as pessoas e suas necessidades, mas apenas que o dinheiro seja entregue?

Pr Marco Feliciano e outros deputados evangélicos votaram contra o salário mínimo de R$600. Confira a lista completa (fonte: Gospel Mais)

Em 2011, vários pastores, entre os quais o Marco Feliciano, votaram contra o aumento do salário mínimo. Esses pastores não recebem por mês um salário mínimo. Esses pastores ganham muitos e muitos salários mínimos por mês, das mãos de gente rica e de gente bastante humilde, e tanto uns como os outros o fazem confiando nas promessas do “deus mordomo dono do ouro e da prata” que eles lhes pregam.

Quem não vive de salário mínimo, e não se importa com famílias inteiras que vivem apenas com ele, não aparenta se importar com as necessidades dos outros. Hoje o salário mínimo é R$ 678,00 (teve aumentos, apesar desses “evangélicos”). O que se faz com apenas R$ 678,00 em um mês, sr. Marco Feliciano?

Nós, seres humanos normais, achamos o salário mínimo menos que mínimo, pois não abrange as necessidades de uma família. Mas para Marco Feliciano o mínimo está mais do que bom, e ainda sempre sobra 10% mais ofertas que devem ser entregues nas mãos dos ungidos sacerdotes da prosperidade.

Isso é ter empatia (se colocar no lugar), se comover e ter cuidado com o próximo?

Deputado federal diz no Twitter que “africanos descendem de ancestral amaldiçoado” (fonte: UOL Notícias)

A prima-irmã da Teologia da Prosperidade é a tal da Batalha Espiritual e Cura Interior, um modismo gospel que prega que Jesus não tem poder de libertar ninguém. Para os adeptos dessa também demoníaca e antropocêntrica doutrina, a pessoa só é liberta das maldições que carrega por causa dos seus pecados e dos pecados de seus antepassados se passar por uma série de rituais e unções, além de ter que confessar e repudiar TODOS os seus pecados e TODOS os pecados dos seus antepassados. Se sobrar um pecadinho que seja, a maldição continua e os demônios continuarão atormentando o fiel. Ah, mas a pessoa não se lembra dos pecados cometidos pela tataravó que nem chegou a conhecer? Problema da pessoa, segundo tal doutrina diabólica e aprisionadora.

Crente nessa doutrina indigesta, o Pr. Marco Feliciano assumiu para si um dos pensamentos dos mórmons: que a maldição que Noé jogou sobre os descendentes de seu filho Cam recaiu sobre os africanos, ou seja, sobre os negros.

Como o Presidente da Comissão dos Direitos Humanos pode acreditar numa coisa dessas? Uma vez que ele vai trabalhar diretamente com casos de abusos de direitos também de negros como agirá, já que, em sua crença, os negros passam por dificuldades e humilhações por VONTADE DIVINA, uma vez que receberam, segundo Feliciano, a maldição dele?

Onde essa esdrúxula doutrina se enquadra no pastor segundo a Bíblia?

Poderia escrever mais, mas chega. Eis uma pessoa que não se preocupa com o próximo, com os humildes, com os pobres, tentando mesmo assim lhes tirar o possível e o impossível em troca da concretização de promessas de cura e riqueza, próprias da Teologia da Prosperidade (mas se preocupa muito consigo mesmo e seu bem-estar, a ponto de por vaidade se repaginar por inteiro e viver confortavelmente); que prefere agradar ao seu partido político e aos conchavos dos bastidores de Brasília a aprovar um aumento no salário mínimo que poderia ser vital na provisão de tantas famílias por esse país; que entende que, por suas crenças provindas de adulteradas interpretações bíblicas, algumas etnias são amaldiçoadas de nascença e por isso devem sofrer por vontade divina.

Eis a descrição que é TOTALMENTE CONTRÁRIA À DO PASTOR SEGUNDO A BÍBLIA. E é também totalmente contrária à de alguém que mereça presidir uma comissão tão importante como a dos Direitos Humanos e Minorias.

Uma pena que mais uma vez o Evangelho de Jesus Cristo está sendo jogado na lama e pisado em cima. Sim, pois mais uma vez vemos alguém que se intitula pastor se prestando a esse triste papel. Em troca de acordos políticos que visam colocar o PSC e o nome do Pr. Marco Feliciano em evidência, talvez para tentar um cargo maior mais à frente (se os evangélicos continuarem crescendo como estão, em alguns anos estarão aptos a eleger até um presidente da República), aceita-se a apoiar o governo naquilo que for necessário.

Judas vendeu a Cristo por trinta dinheiros; os judas do nosso tempo o vendem por bem menos que isso.

Mais triste ainda é que devem estar fazendo campanhas e mais campanhas contra a “perseguição” que os evangélicos (nessa hora somos nós – na hora de rachar o dinheiro, é só entre “eles” mesmos) estão passando nesse país.

Será que veremos o dia em que um PASTOR SEGUNDO A BÍBLIA mostrará ao Brasil as verdadeiras essências do Evangelho?

Deputado evangélico luta contra o trabalho escravo (fonte: Rádio Sudoeste FM)

Para não ficar só nas críticas, temos o exemplo de alguém envolvido na política, evangélico e que ainda luta pelos direitos humanos à luz da Bíblia. É o deputado estadual paulista Carlos Bezerra Jr., autor do projeto que prevê o fechamento de empresas que exploram o trabalho escravo.

VOLTEMOS AO EVANGELHO PURO E SIMPLES
O $HOW TEM QUE PARAR!

No dia seguinte à publicação deste artigo tivemos outras manchetes:

Atos em 10 cidades vão pedir que pastor deixe Comissão de Direitos Humanos (fonte: Folha de São Paulo)

É triste ver um pastor, alguém que se diz pregador e seguidor de Jesus Cristo, envolvido numa acusação de estelionato (por ter marcado dois eventos no mesmo dia, recebido dos dois e participado apenas de um – culpa da tal da física que diz que um corpo não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo). E é triste ver que esse mesmo pastor consegue mobilizar tanta gente contra ele, não por pregar a Cristo, mas justamente por agir contrário aos Seus ensinamentos.

E mais:

Milhares pedem na web a destituição de pastor (fonte: UOL Notícias)

Leiam a reportagem na íntegra. Mas abaixo o último parágrafo, que talvez explique tudo:

“Curiosamente, o pastor Everaldo [presidente do PSC] informa que os Direitos Humanos choveram na horta do PSC por acaso. ‘Essa comissão veio parar nas nossas mãos porque não cumpriram acordo conosco. Era para continuarmos na presidência da Comissão de Fiscalização e Controle, como foi em 2011 e 2012. Não cumpriram e, no final, sobrou Direitos Humanos ou Comissão de Participação Legislativa. Escolhemos a primeira.” Se o Congresso fosse feito de vidro, talvez houvesse mais cuidado.'”

Fica claro que a escolha não se deveu a atributos e competências do Marco Feliciano sobre o assunto de direitos humanos, e sim por puro e deslavado conchavo político?

E ainda se dizem cristãos… mas não seguem o exemplo de integridade e amor de Jesus Cristo.

4 comentários em “Um (im)pastor na Presidência da Comissão dos Direitos Humanos

  1. telmo flores
    09/03/2013

    A razão é óbvia: a postura dele contra o aborto e o homossexualismo é — de acordo com o que Gilberto Carvalho, figurão do PT e do governo Dilma, disse sobre os neopentecostais — um impedimento para o avanço da revolução socialista no Brasil. Por isso, ele é odiado pela esquerda.

    Não que ele seja conservador em todos os aspectos. Mas nessas duas questões — aborto e homossexualismo — ele, Silas Malafaia, R.R. Soares e outros televangelistas neopentecostais não abrem mão. Embora todos eles, com muitos outros líderes evangélicos do Brasil, tenham apoiado a eleição do governo do PT, todos esses neopentecostais se recusam a engolir a pílula dourada do aborto e homossexualismo. E todos eles educam suas audiências a recusar essa pílula.

    Eles são firmes nessas duas questões que hoje são centrais para toda a esquerda brasileira.

    Por isso, toda a esquerda do Brasil está unida contra Marcos Feliciano, que está ocupando o que eles consideram “quintal” deles: a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, lugar que eles usam para avançar as leis de Sodoma e Gomorra.

    Toda a mídia esquerdista do Brasil pensa exatamente como Gilberto Carvalho.

    Se Feliciano fosse totalmente esquerdista, o governo petista e sua turma começariam a operação tapa-buraco, para que ele pudesse livremente avançar a agenda do aborto e do homossexualismo na Comissão de Direitos Humanos.

    Já notaram como um esquerdista encardido dos pés à cabeça é blindado para não ser derrubado nem com os piores escândalos e malandragens? É o sucesso da operação tapa-buraco.

    Só recordem o caso do prefeito de Santo André, em São Paulo. Anos atrás, ele, que era petista e um dos responsáveis pelas finanças do PT, foi assassinado por problemas com a cúpula. Em seguida, testemunhas do assassinato foram também assassinadas, pois a imagem de partido ético que o PT mentirosamente sustenta tinha de ser preservada, custasse o que custasse — mesmo que custasse cadáveres. A operação tapa-buraco tapa qualquer buraco, por mais criminoso que seja.

    Contudo, Feliciano não cometeu assassinato. O mais perto que ele chegou de um suposto crime é estar sendo, conforme disse ontem o jornal Estado de S. Paulo, “alvo de inquérito por crime de homofobia”. Não porque ele tivesse o hobby de sair por aí assassinando homossexuais, mas apenas por criticar a homossexualismo.

    Mas, peraí! Criticar as nojentas práticas sexuais dos homossexuais se tornou crime? O PLC 122 já foi aprovado e ninguém ficou sabendo? Afinal, então, que estória é essa de que um pastor no Brasil pode ser “alvo de inquérito por crime de homofobia” sem um PLC 122 aprovado?

    Convenhamos: mesmo que Feliciano fosse um matador profissional de homossexuais, ele poderia escapar impune. Bastava que ele fosse um fiel petista, promotor da causa marxista, que ele sairia tão impune quanto saiu a cúpula do PT por trás dos assassinatos em Santo André. Na máfia política que existe no Brasil, só escapa da prisão o mafioso que estiver no esquema.

    Contudo, Feliciano não está nas graças nem da mídia nem do governo. Todos estão contra ele — até mesmo o governo Dilma Rousseff, pelo qual ele tanto trabalhou para erguer. Ele é, quer queira ou não, alvo fácil da operação acha-buraco.

    Agentes radicais passarão dia e noite procurando um buraco viável em todo o histórico da existência do pastor, detalhe por detalhe. Depois, o ameaçarão: “Se você não fizer concessões, vamos expor tal e tal coisa de sua vida”.

    Nessa inquisição de bastidores, a ameaça escondida dos achadores de buraco produz exteriormente condutas estranhas nos acusados. Poderíamos assistir, sem entender, um deputado firme contra o aborto e o homossexualismo cedendo em alguns pontos.

    Ou poderíamos vê-lo renunciando à presidência da Comissão de Direitos Humanos, sem condições de compreender a razão por trás da renúncia. Seria o sucesso da operação acha-buraco.

    Por isso, não estranhe se você vir o comportamento de Feliciano se mostrar muito diferente do que ele vem demonstrando até aqui com relação ao aborto e ao homossexualismo. A operação acha-buraco está em plena atividade e provocará mudanças tão logo os buracos adequados sejam encontrados.

    Eu não queria estar no lugar de Feliciano. Você não quereria estar no lugar dele. Afinal, a operação acha-buraco já começou, e até evangélicos progressistas já estão com suas pás e enxadas nas mãos, prontos para cavar buracos e malhar o pastor neopentecostal colocado como boneco de tiro ao alvo pela ideologia de Gilberto Carvalho.

    Feliciano é falho? Sim, mas ele não matou ninguém em Santo André. Pelo contrário, a máfia de Gilberto Carvalho, que está por trás desse assassinato, também está contra ele.

    Quer concordemos ou não com suas doutrinas, oremos pelo Pr. Marcos Feliciano, que entrou no quintal do diabo.

    Satanás, o supremo caluniador, já convocou seu exército de caluniadores para expulsar de seu “quintal” o pastor neopentecostal.

    Que Deus tenha compaixão do pastor nos perigos e ciladas preparados pelos achadores de buracos e pelos servos do supremo caluniador.

    Fonte: http://www.juliosevero.com

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  2. Idemir
    10/03/2013

    Tem muita gente criticando o Marco Feliciano por ter assumido a presidência da comissão de direitos humanos. Ele pode ter todos os seus desvios teológicos, falar muita abobrinha nas pregações, mas lá é a comissão de direitos humanos e não uma igreja. Creio que ele pode ser um bom representante ao contrário dos militantes LGBT que com o pretexto de defender as minorias, tentam implantar uma ditadura gay, onde a única opinião respeitada é que que defende sua causa. Muito melhor o Marco Feliciano do que um Jean Wyllys, você não acha?

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    • Estrangeira
      11/03/2013

      Na verdade, Idemir, muito melhor seria um evangélico ligado à luta pelos direitos humanos. Um evangélico íntegro, não envolvido em processos por estelionato que viessem a escandalizar o Evangelho. Um evangélico que lutasse em prol dos excluídos. Porém, fica a questão: em meio à enorme bancada evangélica eleita, temos alguém assim? Se não tivermos, de que serve o “curral” eleitoral nas igrejas, já que muitos vão pela “sugestão” de seus pastores na hora de votar e isso não tem refletido em qualidade no Congresso?

      Mas como foi visto no final do artigo, pelo menos na Câmara Estadual temos alguém na política que, além de evangélico, ainda é idôneo (triste dizer isso, mas evangélico não é mais sinônimo de idoneidade). E tb foi visto que a eleição do Marco Feliciano foi apenas uma divisão de cargos, já que seu partido, o PSC, por apoiar o governo federal, fez juz à presidência da Comissão dos Direitos Humanos e Minorias da Câmara. Infelizmente, apenas conchavo político.

      Triste ver políticos evangélicos envolvidos em conchavos, e escandalizando o Evangelho. Aliás, os escândalos gospel estão vindo a cavalo. Algo a se pensar.

      (se qq pessoa servisse para esse cargo, eu votaria num evangélico ligado à algum trabalho com minorias, ou mesmo no Padre Júlio Lancelotti, que faz um maravilhoso trabalho na pastoral dos moradores de rua em São Paulo).

      Fique na Paz!

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  3. Vera,
    A paz do senhor!

    Vale ressaltar também a ocasião que esse pastor me chamou de demente e bocó nas redes sociais: http://www.webevangelista.com/2011/03/marcos-infeliciano-e-o-twitter-entenda.html

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