Uma estrangeira no mundo

"Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim." – Jo 15.18

Contos da carochinha gospel: A TV Polvo e os crentes gospel do país da Zuzulândia


Era uma vez…

Um país chamado Zuzulândia, onde havia muitas riquezas nas mãos dos poucos que detinham o poder. Nesse país, que se dizia democrático, havia algumas emissoras de televisão, mas nenhuma tão grande e poderosa como a TV Polvo (chamada assim porque tinha tentáculos em todos os setores do governo). Para vocês, criancinhas crescidinhas, terem uma ideia, a TV Polvo era quem governava o país por trás dos bastidores, usando de sua programação (assistida por todo o povo de Zuzulândia) para manipular as pessoas. Assim, quando havia uma eleição, tempos antes a TV Polvo começava a fazer programas elogiando o candidato que queriam no poder e denegrindo quem não queria. Ficou célebre em Zuzulândia a manipulação da “polvorosa” na disputa presidencial entre os candidatos Feioso e Arrumaddinho. Este último era apoiado pela “polvorosa”, e teve direito a programas de notícias exaltando suas qualidades um ano antes das eleições, quando ainda nem eram oficialmente candidatos, e o debate final entre os dois foi editado clara e vergonhosamente a seu favor.

Essa era a forma de agir da TV Polvo: atuar nos bastidores do poder e manipular a população através de sua alegre e divertida rede de entretenimento midiático.

Enfim, em Zuzulândia havia inicialmente um pequenino grupo que aderira ao protestantismo, os chamados crentes, religião concorrente da religião oficial do país. Como no início os crentes eram poucos, e era interesse da TV Polvo que continuassem poucos ou até que sumissem da nação, passaram a ser alvo de propaganda midiática no sentido de mostrar à população o quanto eram ridículos por causa das roupas que usavam, da sua pretensa honestidade e da mania que tinham de andar com a Bíblia debaixo do braço. Com o tempo, os crentes de Zuzulândia foram crescendo em número, mas continuavam como fama de honestos porém bobos por andarem fora da moda oficial do país. Mais um tempo se passou, e vendo que podiam ganhar dinheiro com os crentes alguns fizessem deturpações no que eles acreditavam (dízimos, ofertas, prosperidade financeira). Alguns se juntaram ao rebanho e criaram suas próprias igrejas, cheias desses ensinamentos que atraíam a multidões. O sucesso da deturpação foi tão grande que uma dessas novas igrejas da prosperidade conseguiu até comprar sua própria TV, e outras passaram a alugar horários em outros canais. Milhares passaram a se dizer crentes só para atrair às “bênçãos”, e assim muitos que não eram honestos passaram a ser crentes nominais, envergonhando o nome de Jesus Cristo e da Sua Igreja.

Num primeiro momento, para conter o crescimento dos crentes gospel (os crentes oriundos da deturpação do Evangelho em Zuzulândia), a TV Polvo abriu seus tentáculos e passou a mostrar em seus programas, assistidos por toda a população, o quanto ser crente gospel era ridículo, afinal eles andavam fora da moda oficial, com a tal Bíblia debaixo do braço, e agora eram desonestos e bocós. Mas, mesmo com toda essa campanha contra, a TV Polvo não conseguiu barrar o crescimento dos crentes gospel, que pela ganância de seus líderes pelo podder passaram a disputar eleições e eleger candidatos, ameaçando a hegemonia da TV Polvo no poder.

Os tentáculos do polvo se alvoroçaram, afinal até então nunca tinham errado de estratégia. Até então, os tentáculos espremiam quem eles queriam e levantavam a quem lhes aprazia. Porém, mesmo com tudo de mau que faziam o povo pensar dos crentes gospel, o povo continuava se juntando às suas fileiras.

Era preciso uma reação. E rápida.

A TV Polvo sabia o que deveria fazer.

Assim, nos bastidores do poder de Zuzulândia, os tentáculos da TV Polvo passaram a acariciar os líderes das igrejas dos crentes gospel, aqueles que só fundaram igrejas visando ganhar com o negócio da venda de riquezas materiais em troca dos dízimos e ofertas bem gordinhas de seus fiéis. Como esses líderes não eram direcionados pelo Espírito Santo, Aquele Espírito presente nos primeiros crentes e em poucos dos crentes que viviam atualmente em Zuzulândia, não enxergaram as verdadeiras intenções da “polvorosa”. Ou, se enxergaram, não se importaram nem um pouco, pois receberiam em troca presença marcante na programação da emissora, o que atrairia mais fiéis às suas fileiras e aumentaria os lucros do seu negócio da fé.

Os crentes gospel passaram a ser notícia nos jornais da emissora. Suas novelas passaram a ter crentes gospel “do bem”, e os líderes dos crentes gospel ganharam espaço para entrevistas. Até festivais musicais (gênero que a TV Polvo tinha extinguido há anos) voltaram a ser apresentados, exclusivamente com música de crentes gospel.

Mas obter a confiança dos crentes gospel, que então faziam parte de boa parcela da população de Zuzulândia, era pouco. A TV Polvo sempre esteve no poder, e para se permanecer no poder é preciso ter cada vez mais dinheiro, no caso Rúcsias (a moeda do país). Os crentes gospel gastavam muitas Rúcsias comprando cd’s de música crente gospel, livros, roupas, óleo de unção e toda uma série de amuletos crente gospel. Havia até uma grande feira, que anualmente reunia os empresários crentes gospel, artistas e líderes crentes gospel e algumas editoras crentes (que levavam material de qualidade e com preços justos) para vender seus produtos. Essa feira lucrava muitas Rúcsias, e isso não passou despercebido da “polvorosa”.

Então, num primeiro momento, a TV Polvo ofereceu aos organizadores dessa feira (a feira Business God) uma aliança na realização do festival de música crente gospel. De olho nos lucros, os organizadores da Business God aceitaram a oferta. O que não sabiam é que a TV Polvo queria tão somente, através dessa aliança, ter acesso aos líderes crente gospel, aos principais artistas crente gospel (que foram contratados pelo tentáculo fonográfico da emissora) e ao know how crente gospel, inclusive conhecendo os melhores profissionais que realizavam o trabalho.

Assim, findo o festival e conseguidas todas as informações e contatos necessários, a TV Polvo estendeu um dos seus vários tentáculos e deu uma grande rasteira nos organizadores da Business God. Desfez o contrato de aliança, contratou todos os profissionais que trabalhavam na organização da feira crente gospel, fez alianças com os principais líderes crente gospel e levou a Business God e seus organizadores à beira da falência.

Além da Business God, havia pouco que tinha sido criada a Music God, outra feira, porém bem menor, até porque estava começando. Essa feira era voltada para música crente e música crente gospel. O que a TV Polvo fez? Primeiro, tentou comprar seus organizadores. Não conseguindo, seus tentáculos entraram em contato com cada um dos expositores da Music God, para influenciá-los a não participar da pequena feira que julgavam concorrente (a “polvorosa” não admite concorrência, embora se diga democrática como o país da Zuzulândia). Muitos realmente deixaram de expor na Music God, uns com medo da “polvorosa”, outros buscando negócio$$$ mais rentosos com a TV Polvo. Afinal, meses depois a emissora lançaria a FISH – Feira crente gospel da TV Polvo. O nome, que não foi escolhido por acaso, significa peixe em inglês.

E polvo come peixe.

E como termina essa história?

Em Zuzulândia a TV Polvo venceu, pois no final conseguiu extinguir a Music Gospel por falta de expositores, passou a ter aos domingos (após o programa da religião oficial) o Santo Culto em sua casa, a bancada evangélica crente gospel passou a apoiar todos os desmandos da “polvorosa”, os líderes crentes gospel se tornaram anunciantes de pasta de dente e os artistas crentes gospel fizeram o primeiro de muitos reality’s show crente gospel, onde o edredom foi trocado pelo manto ungido do apóstolo crente gospel mais em evidência. Nunca mais houve a pregação do verdadeiro Evangelho, pois foi “dado sumiço” de todos os poucos crentes verdadeiros em Zuzulândia.

E chegamos ao fim (?).

Criancinhas crescidinhas, entenderam a moral da história?

Essa historinha é tão bonitinha que peço a todos que a repassem e republiquem o máximo possível. Nunca pedi isso em nenhum artigo, mas nesse peço. Afinal, é apenas uma inofensiva história da carochinha gospel, que claro, nunca aconteceria num país culto e civilizado como o nosso Brasil.

3 comentários em “Contos da carochinha gospel: A TV Polvo e os crentes gospel do país da Zuzulândia

  1. Marcos (cadeirante)
    21/04/2013

    O lema da velha emissora é “Mantenha os amigos sempre perto de você e os inimigos mais perto ainda”

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  2. Parabéns pelo artigo, ficamos de sentinela guiado s pelo Espírito Santo de Deus.

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  3. alessandro
    05/05/2013

    “se possível enganaria ao eleitos”

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Publicado às 21/04/2013 por em Ser estrangeira e marcado .
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