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A tevê foi invadida pelos reality shows, programas onde mostram o dia-a-dia de pessoas comuns ou celebridades, uma espécie de zoológico humano. Na Globo temos o famigerado BBB em sua décima edição, na Record temos o Ídolos e A Fazenda, no SBT o Esquadrão da Moda, e temos até canais por assinatura especializados em reality’s, como o Discovery Home and Health e o People and Arts (confesso que, nesse meu período “preferencial”, tenho assistido a muitos programas sobre bebês e babás, para ver se ganho alguma experiência).

Porém, a novidade do momento em termos de reality shows ocorrerá dia 6 de março na Rede TV, com o Desafio da Música Gospel, uma espécie de Ídolos ou Fama para crentes. Apresentado pelo casal neoevangélico Andréia Sorvetão e Conrado, seguirá o mesmo formato de seus antecessores seculares: provas para qualificação dos candidatos e depois treinos, ensaios, aulas de música que aperfeiçoarão seu dom, culminando em apresentações com caráter eliminatório, onde a cada dia um participante deixará o programa, restando um vencedor final. O programa promete distribuir cerca de R$ 5 milhões em prêmios. Segundo o site O Fuxico, a inscrição de cada participante será de R$ 70,00.

Mas e aí? Algum problema?

Todos.

A questão é: quem estará participando? Simples apreciadores do gênero gospel, ou crentes que adoram a Deus através de sua música? Com certeza, serão crentes, e para esses fica a pergunta: é lícito comercializar com um dom que Deus nos deu para Sua adoração? É lícito buscarmos fama e dinheiro em nome de Deus (pois as músicas a serem cantadas serão em Sua homenagem)? Na Bíblia descobrimos que Deus não divide Sua glória com ninguém. Por que queremos agradar a Deus por um lado, mas buscar glória pessoal por outro?

Outra coisa: como selecionar o melhor “adorador”? Será que cantar afinado e bonito significa estar fazendo o melhor para Deus?  E se o quesito em questão é apenas o talento musical, não seria mais honesto deixar o nome de Deus bem longe disso tudo?

Infelizmente, Deus hoje tem sido para muitos apenas meio de se obter privilégios. Seja através da luciferiana teologia da prosperidade, seja através de reality shows gospel, o nome de Deus serve apenas como desculpa para sermos mais abençoados financeiramente, o que nos faz mais amigos do mundo, quando na verdade deveríamos, como povo de Deus, ser estrangeiros nele. Viver nesse mundo não significa adotar os valores desse mundo; ao contrário, Jesus nos chama para ser sal e luz, para dar gosto e iluminar o ambiente, não para aceitarmos passivamente o que nos é apresentado. Porém, mais e mais que se dizem crentes em Cristo O trocam pelas benesses que esse mundo que jaz no maligno pode nos oferecer.

Judas trocou Cristo por 30 moedas de prata. Nós o trocamos pelas bênçãos materiais e pelo sucesso pessoal. Em que nos diferimos? Em nada. Minto. Judas é muito melhor do que nós, pois este pelo menos se arrependeu e tentou devolver as moedas. Já nós, que também nos dizemos seguidores fiéis de Cristo, guardamos cada moedinha e ainda buscamos mais, sempre usando o nome de Deus da forma mais manipuladora possível.

Tenho nojo de artistas gospel, seja cantores ou pregadores. Me dá asco ver celebridades gospel usando do nome de Deus para justificar seus ganhos ilegais, a compra do jatinho particular, a venda de ingressos para que os meros mortais possam assisti-los ao vivo e a cores em congressos e shows, como se fossem popstars e não mensageiros do Evangelho. E pensar que Jesus, nosso exemplo maior, nunca buscou fama ou riquezas, ao contrário, buscava apenas nos mostrar o Pai através Dele. Mas quem hoje quer ver o Pai, se pode ver o crescimento de sua conta bancária particular?

Não temos mais o temor de Deus. Isso mostra que nem amor a Ele temos mais, pois Mamom já tomou conta dos nossos corações. A porta está ficando cada vez mais estreita, e cada vez menos cristãos buscam passar por ela. Por outro lado, Mamom está de braços abertos, distribuindo fama e dinheiro para todos os seus filhos odiados, mas que se sentem amados por ele. Mamom não se importa que lhe chamem de Jesus, o nome a que se dirigem é o de menos, o que realmente importa é o que está no coração, e nosso coração está a cada dia mais cauterizado em adoração ao deus desse mundo que tanto amamos, e no qual queremos ter primazia.

Não sei onde fica a Rede TV, sei que é em São Paulo, e sinceramente gostaria de estar lá, na estréia do programa, com uma faixa a ser estendida (mas que sei que não durará 10 minutos):

“VOLTEMOS AO EVANGELHO PURO E SIMPLES. O $HOW TEM QUE PARAR”.

Anteontem, enquanto ia para o trabalho, ouvi um senhor comentar bem alto após ler um daqueles folhetos colados em postes de iluminação com a promessa de fazer e desfazer qualquer tipo de “trabalho”: “Isso tudo é enrolação! Um amigo meu deu R$ 100,00 para um pai de santo para fazer a esposa voltar para ele e até agora nada, o idiota perdeu foi os R$ 100,00!” Confesso que, por dentro, também achei o cara citado um completo idiota, mas há pouco me achei um pouco idiota também, após ver uma propaganda no programa matinal da Assembléia de Deus do Bom Retiro. Assista a propaganda:

E mais: se você não participou da edição do ano passado do evento, você pode comprar o avivamento e recebê-lo em sua casa!

A primeira pergunta que me passou pela cabeça: se esse é o nono congresso de avivamento da denominação, onde está esse avivamento que está sendo prometido a quem se inscreve há pelo menos 8 anos? O que São Paulo mudou nesse tempo? O que o Bom Retiro mudou nesse tempo? O que a igreja mudou nesse tempo? Ora, porque espera-se de um avivamento genuíno pelo menos uma mudança significativa no caráter individual e coletivo. Porém, tudo está como antes, ou até pior, se formos pensar bem.

A questão da venda do “avivamento” é tão explícita, que a inscrição no congresso é mais um “produto” do ADBRShop.

A propósito, o que as pessoas que comprarão o “produto” Avivamento Total receberão, de verdade? Avivamento, ou apenas uma maratona de pregações? E se for a segunda opção, não seria mais barato apenas e simplesmente visitar boas igrejas, onde com certeza a pregação seria de melhor qualidade da proporcionada no tal congresso, levando-se em conta as “estrelas” convidadas, e ainda por cima tudo sairia de graça? (pois não se engane: além dos R$ 50,00 da inscrição, em todas as noites do tal congresso serão levantadas ofertas da forma mais absurda possível, apelando para a fé e o amor dos fiéis a Cristo, e atrelando-as à obtenção de bênçãos especiais)

Ah, mas haverá o sorteio de um carro zero quilômetro!!! Aí a coisa muda de figura, né?

E por falar em estrelas, qual é o foco da propaganda do tal congresso? A mensagem de Cristo? Não! As “estrelas” do evento! Note que em nenhum momento fala-se em Jesus, em Deus, no Evangelho. Não fosse o nome da igreja que está realizando o evento, este poderia facilmente passar como um congresso de auto-ajuda. Jesus há muito deixou de ser o principal nas denominações: não se busca mais a Ele, mas aos seus “ungidos”, cada qual na sua especialidade – milagreiros, prosperadores, especialistas em assuntos de família, de cura, de abertura de portas, de libertação ou em profetadas. Assim, colocar o nome de Jesus na propaganda do evento não seria um bom negócio, pois o povão quer mesmo é ver os mesmos “ungidos” de sempre, passar algumas horas em êxtase emocional e voltar para casa com a alma lavada e o espírito de sempre, pronto para a volta do velho homem no final de tudo, afinal avivamento mesmo, esse está muito longe de acontecer e não é vendido por nenhum preço.

Esse é apenas um exemplo. Infelizmente, a grande maioria das denominações têm usado do mesmo artifício para inflamar seus eventos e aumentar seu caixa, seja na forma de congresso, noites de poder, vigílias do sobrenatural, cursos abençoadores. Cria-se a expectativa falsa de avivamento, as pessoas vão em um, vão no segundo, no terceiro, no quarto evento e, vendo que de verdade nada acontece, sua fé passa a esmorecer. Alguns até se desviam de Cristo, pois nesses eventos não se apresenta o verdadeiro Jesus, mas apenas promessas de vitória e poder, em nada diferentes às do pai de santo que vende seus “trabalhos” nos postes das ruas. No fundo, no fundo, vivemos um evangelho de macumbaria gospel, onde promete-se o sobrenatural a quem pode pagar (ou melhor, “tem fé suficiente”).

Onde fica o PROCON dos crentes, para a denúncia das denominações que não entregam os produtos que vendem a esse povo que não tem conhecimento da Palavra?

“E chegou a uns currais de ovelhas no caminho, onde estava uma caverna; e entrou nela Saul, a cobrir seus pés; e Davi e os seus homens estavam nos fundos da caverna. Então os homens de Davi lhe disseram: Eis aqui o dia, do qual o SENHOR te diz: Eis que te dou o teu inimigo nas tuas mãos, e far-lhe-ás como te parecer bem aos teus olhos. E levantou-se Davi, e mansamente cortou a orla do manto de Saul. Sucedeu, porém, que depois o coração doeu a Davi, por ter cortado a orla do manto de Saul. E disse aos seus homens: O SENHOR me guarde de que eu faça tal coisa ao meu senhor, ao ungido do SENHOR, estendendo eu a minha mão contra ele; pois é o ungido do SENHOR. E com estas palavras Davi conteve os seus homens, e não lhes permitiu que se levantassem contra Saul; e Saul se levantou da caverna, e prosseguiu o seu caminho. Depois também Davi se levantou, e saiu da caverna, e gritou por detrás de Saul, dizendo: Rei, meu senhor! E, olhando Saul para trás, Davi se inclinou com o rosto em terra, e se prostrou. E disse Davi a Saul: Por que dás tu ouvidos às palavras dos homens que dizem: Eis que Davi procura o teu mal? Eis que este dia os teus olhos viram, que o SENHOR hoje te pôs em minhas mãos nesta caverna, e alguns disseram que te matasse; porém a minha mão te poupou; porque disse: Não estenderei a minha mão contra o meu senhor, pois é o ungido do SENHOR. Olha, pois, meu pai, vê aqui a orla do teu manto na minha mão; porque cortando-te eu a orla do manto, não te matei. Sabe, pois, e vê que não há na minha mão nem mal nem rebeldia alguma, e não pequei contra ti; porém tu andas à caça da minha vida, para ma tirares. Julgue o SENHOR entre mim e ti, e vingue-me o SENHOR de ti; porém a minha mão não será contra ti.” – 1 Samuel 24.3-12

“Não toqueis no ungido do Senhor”. Essa é a resposta de nove entre dez crentes que crêem em tudo o que lhe pregam sem serem bereianos, quando confrontados com críticas ou acusações contra pastores, apóstolos (?) e demais líderes eclesiásticos. Não importa se as provas do crime são claras, para esses crentes não nos cabe julgar nem analisar o que a liderança da igreja faz de errado: cabe aos crentes, segundo essa falsa doutrina, agir como Davi em relação à Saul: simplesmente não fazer nada, e esperar que Deus resolva o negócio e faça a justiça. E enquanto nada se faz, esses líderes criminosos continuam roubando, matando e destruindo o rebanho de crentes em suas mãos, e trazendo escândalo para o Evangelho, afastando de vez os não-crentes do afã de conhecerem a Verdade de Cristo.

Mas enfim, Davi realmente disse em várias passagens de 1 Samuel que não se deve tocar no ungido do Senhor. E aí?

Em primeiro lugar, temos que deixar bem claro sobre qual ungido Davi se referia. Ele se referia a Saul, atual rei de Israel, porém já destronado por Deus, que havia ungido Davi em seu lugar. Portanto, a primeira coisa que temos que ter em mente é que não se tratava de qualquer ungido, mas de Saul.

Em segundo lugar, temos que entender essa unção que Saul recebeu. Em 1 Samuel 8, lemos que o povo queria um rei no lugar dos antigos juízes que governavam Israel. Deus não tinha esse desejo, pois o querer um rei era um desejo do povo de que Deus já não reinasse mais sobre eles. Porém Deus resolveu satisfazer Israel, e escolheu Saul como rei.

Em 1 Samuel 10, lemos o profeta Samuel indo ungir Saul como rei:

“Então tomou Samuel um vaso de azeite, e lho derramou sobre a cabeça, e beijou-o, e disse: Porventura não te ungiu o SENHOR por capitão sobre a sua herança? Apartando-te hoje de mim, acharás dois homens junto ao sepulcro de Raquel, no termo de Benjamim, em Zelza, os quais te dirão: Acharam-se as jumentas que foste buscar, e eis que já o teu pai deixou o negócio das jumentas, e anda aflito por causa de vós, dizendo: Que farei eu por meu filho? E quando dali passares mais adiante, e chegares ao carvalho de Tabor, ali te encontrarão três homens, que vão subindo a Deus a Betel; um levando três cabritos, o outro três bolos de pão e o outro um odre de vinho. E te perguntarão como estás, e te darão dois pães, que tomarás das suas mãos. Então chegarás ao outeiro de Deus, onde está a guarnição dos filisteus; e há de ser que, entrando ali na cidade, encontrarás um grupo de profetas que descem do alto, e trazem diante de si saltérios, e tambores, e flautas, e harpas; e eles estarão profetizando. E o Espírito do SENHOR se apoderará de ti, e profetizarás com eles, e tornar-te-ás um outro homem. E há de ser que, quando estes sinais te vierem, faze o que achar a tua mão, porque Deus é contigo. Tu, porém, descerás antes de mim a Gilgal, e eis que eu descerei a ti, para sacrificar holocaustos, e para oferecer ofertas pacíficas; ali sete dias esperarás, até que eu venha a ti, e te declare o que hás de fazer. Sucedeu, pois, que, virando ele as costas para partir de Samuel, Deus lhe mudou o coração em outro; e todos aqueles sinais aconteceram naquele mesmo dia.” – 1 Samuel 10.1-9

E Saul ficou cheio do Espírito Santo, e em 1 Samuel 11.15 finalmente Saul é proclamado rei. Porém a unção que Saul recebeu era apenas para reinar, não para ser sacerdote ou líder espiritual do povo. Essa função era para algumas pessoas específicas, como o profeta Samuel. Não cabia a Saul as funções sacerdotais, sendo esse um dos pecados que o fez perder o reinado em Israel:

“E os filisteus se ajuntaram para pelejar contra Israel, trinta mil carros, e seis mil cavaleiros, e povo em multidão como a areia que está à beira do mar; e subiram, e se acamparam em Micmás, ao oriente de Bete-Aven. Vendo, pois, os homens de Israel que estavam em apuros (porque o povo estava angustiado), o povo se escondeu pelas cavernas, e pelos espinhais, e pelos penhascos, e pelas fortificações, e pelas covas. E alguns dos hebreus passaram o Jordão para a terra de Gade e Gileade; e, estando Saul ainda em Gilgal, todo o povo ia atrás dele tremendo. E esperou Saul sete dias, até ao tempo que Samuel determinara; não vindo, porém, Samuel a Gilgal, o povo se dispersava dele. Então disse Saul: Trazei-me aqui um holocausto, e ofertas pacíficas. E ofereceu o holocausto. E sucedeu que, acabando ele de oferecer o holocausto, eis que Samuel chegou; e Saul lhe saiu ao encontro, para o saudar. Então disse Samuel: Que fizeste? Disse Saul: Porquanto via que o povo se espalhava de mim, e tu não vinhas nos dias aprazados, e os filisteus já se tinham ajuntado em Micmás, eu disse: Agora descerão os filisteus sobre mim a Gilgal, e ainda à face do SENHOR não orei; e constrangi-me, e ofereci holocausto. Então disse Samuel a Saul: Procedeste nesciamente, e não guardaste o mandamento que o SENHOR teu Deus te ordenou; porque agora o SENHOR teria confirmado o teu reino sobre Israel para sempre; porém agora não subsistirá o teu reino; já tem buscado o SENHOR para si um homem segundo o seu coração, e já lhe tem ordenado o SENHOR, que seja capitão sobre o seu povo, porquanto não guardaste o que o SENHOR te ordenou.” - 1 Samuel 13.5-14

O outro pecado de Saul ocorreu em 1 Samuel 15, quando desobedeceu à ordem do Senhor ao não destruir o melhor do rebanho dos amalequitas, com a desculpa de que usaria o rebanho como sacrifício, onde Samuel disse que é melhor obedecer do que sacrificar.

Assim, em 1 Samel 16 lemos o Espírito do Senhor deixando Saul e passando a habitar Davi, o novo rei ungido:

“Disse mais Samuel a Jessé: Acabaram-se os moços? E disse: Ainda falta o menor, que está apascentando as ovelhas. Disse, pois, Samuel a Jessé: Manda chamá-lo, porquanto não nos assentaremos até que ele venha aqui. Então mandou chamá-lo e fê-lo entrar (e era ruivo e formoso de semblante e de boa presença); e disse o SENHOR: Levanta-te, e unge-o, porque é este mesmo. Então Samuel tomou o chifre do azeite, e ungiu-o no meio de seus irmãos; e desde aquele dia em diante o Espírito do SENHOR se apoderou de Davi; então Samuel se levantou, e voltou a Ramá. E o Espírito do SENHOR se retirou de Saul, e atormentava-o um espírito mau da parte do SENHOR.” - 1 Samuel 16.11-14.

Ou seja, Saul deixou de ter o Espírito Santo, mas continuou sendo rei de Israel por vários anos. Nesses anos, o Espírito Santo estava com o novo ungido, Davi, que porém ainda não havia sido reconhecido rei pelo povo. Dessa forma, Davi servia ao rei Saul e foi perseguido por seus exércitos, e aí chegamos à passagem que abriu esse artigo, quando Davi teve real chance de aniquilar Saul, mas não o fez por considerá-lo ungido do Senhor.

Realmente, o que impediu Davi de se levantar contra Saul não foi o poder do Espírito Santo no antigo rei, pois este já o tinha deixado e Saul não passava de um endemoniado. Porém, mesmo endemoniado, Saul continuava sendo rei, e em razão desse título que Davi o poupou. Uma vez ungido rei, sempre rei. Deus tirou Saul do reinado, porém isso só se concretizou com sua morte, não havendo rebelião para que isso acontecesse e Davi tomasse o poder em seu lugar. A unção de rei permaneceu com Saul por toda a sua vida, mas o Espírito de Deus não.

Entendido tudo isso, vamos agora analisar a doutrina do “não toqueis no ungido” nos dias de hoje. Por que ela não é válida?

Como visto, a unção a qual Davi se referia dizia respeito ao direito de reinar sobre Israel, não sobre possuir funções eclesiásticas. As funções de governo do Estado e eclesiásticas eram bem divididas naquele tempo, embora Israel fosse um Estado teocrático. Portanto, a não ser que algum líder de igreja seja também rei nomeado por Deus (olha eu dando idéia para novos títulos, que Deus me perdoe) em sua localidade, nenhum líder religioso atual se enquadra nesse quesito.

Sobre como devemos agir em relação ao líderes religiosos e qualquer cristão, a Bíblia é bastante clara:

“E logo os irmãos enviaram de noite Paulo e Silas a Beréia; e eles, chegando lá, foram à sinagoga dos judeus. Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim.” - Atos 17.10-11

“Já por carta vos tenho escrito, que não vos associeis com os que se prostituem; Isto não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo. Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais. Porque, que tenho eu em julgar também os que estão de fora? Não julgais vós os que estão dentro? Mas Deus julga os que estão de fora. Tirai, pois, dentre vós a esse iníquo.” - 1 Coríntios 5.9-13

Chega desse engano do “não toqueis no ungido do Senhor”, engano esse que tem transformado a igreja em covil de salteadores. O rebanho tem que aprender a buscar na Palavra se o que seus líderes pregam é verdade ou não, tem que aprender a raciocionar, a analisar, a meditar dia e noite na Palavra, mas é isso mesmo que os lobos em pele de cordeiro não querem que aconteça, e por isso acorrentam suas ovelhas em falsas doutrinas que visam cegar e conformar o rebanho à sua própria vontade, não à de Deus. Deus nos enviou Cristo para que fôssemos libertos, mas onde há liberdade se nem ao menos podemos criticar um líder eclesiástico por seus falsos ensinos ou sua má conduta, com a desculpa que de o fulano é “ungido”? O Apóstolo (de verdade) Paulo era bem ungido, disso não há dúvidas, mas nem por isso ficou chateado ao ser confrontado pelo povo de Beréia em seus ensinamentos. Por que os apóstolos (?) e líderes dos dias de hoje ficam melindrados, e até amedrontam suas ovelhas com a promessa de inferno para o “pecado de rebeldia” que seria se levantar contra um “ungido” do Senhor? E por que as ovelhas, que também têm unção (já que recebem o Espírito Santo desde sua conversão), ao contrário dos líderes religiosos, podem e são fortemente exortadas (se seu dízimo for baixo, claro) quando encontradas em erro?

Isso é estelionato gospel, e dos bons. Graças à essa mentira (a própósito, quem é o pai da mentira mesmo?) vemos igrejas destruídas por pertencerem (a palavra é essa mesma) a líderes criminosos, que adulteram as Escrituras a seu bel-prazer e agem como se a justiça de Deus e dos homens não valesse para eles. Enquanto isso, às ovelhas cabe apenas se conformar, “Deus quer assim”, “quem faz a justiça é Ele”, “só nos cabe orar”.

Povo de Deus, vamos abrir os olhos!!! Temos que orar, a justiça é de Deus, mas Ele usa homens e mulheres para que Sua justiça seja feita nessa terra!!! Se Lutero pensasse assim, ainda hoje estaríamos comprando indulgências (se bem que essa prática perniciosa continua ocorrendo nos dias de hoje, na forma de lenços suados, rosa ungida, sabonete ungido, etc)!!! Como povo de Deus, temos que ser carvalhos de justiça principalmente em nosso meio, tirando os lobos que querem devorar nossas ovelhas!!! Se não o fizermos, não sobrará ovelha nenhuma no final da história, pois todas serão enganadas…

O “não toqueis no ungido do Senhor” é uma desculpa muito da mal feita para líderes que têm algo a esconder. Quando um líder pregar isso para você, fique ainda mais atento, pois quem está na luz não tem medo de ser julgado, afinal nada se encontrará que o desabone; ao contrário, quem está em trevas não quer que o candeeiro seja colocado em cima da mesa e ilumine o ambiente, pois isso trará à luz toda a podridão escondida em nome de Deus.

Nessa manhã, assisti ao final do programa do Pr. Silas Malafaia, onde dizia que tinha conseguido uma oportunidade maravilhosa: a de ter à sua disposição uma rede mundial de satélites, que possibilitaria a transmissão de seu programa para os quatro cantos do mundo, com dublagem ou legenda em inglês. Além disso, para 2010 o pastor tem planos de fazer uma nova “escola de líderes”, similar à do ano passado, além das cruzadas propriamente ditas pelo país. Para isso, contudo, é necessário que o povo de Deus se sensibilize financeiramente, uma vez que serão necessários mais 70 mil ofertantes fiéis a partir de R$ 30,00, e pelo menos mais 820 com doações acima de R$ 1.000,00 (esses têm um título mais pomposo, o de gideões).

Mas qual o problema, já que o objetivo citado pelo Pr. Malafaia é a propagação do Evangelho entre as nações?

O problema é que, em nome de uma possível vaidade pessoal, que faz com que o dito pastor se ache o mensageiro de Deus nesses últimos dias (o único que pode cumprir a missão televangelística mundial), teremos um cego guiando outros cegos.

Ora, há tempos que o Pr. Malafaia tem demonstrado seu sutil afastamento do Evangelho puro e simples. Aqui nesse blog mesmo temos um artigo recheado de vídeos, que comprova a quantidade de contradições nas quais o dito pastor tem se arvorado, com o intuito de manter seu status de senhor da verdade gospel.

Entre outras coisas, temos visto o Pr. Malafaia abraçar com as duas mãos a famigerada teologia da prosperidade, que prega que quanto mais você pagar, mais o deus mercenário deles lhe dará em troca. É uma teologia que anula totalmente o amor de Deus ao ser humano, tornando essa relação puramente comercial, mercantilista. Como Deus não precisa gastar o dinheiro arrecadado, essa difícil missão acaba recaindo sobre seus “ungidos”, que se vêm no direito de cobrar dízimos, trízimos, ofertas milionárias, podendo até vender unções especiais como a da nobreza, invenção do Ap. (?) Terranova. Quem consegue as bênçãos teve fé; quem não consegue, não teve fé suficiente e deverá ofertar mais (põe mercenário nesse deus, hein!).

O Pr. Malafaia também demonstrou, recentemente, não ter o mínimo de discernimento espiritual ao julgar como “profeta de Deus” uma pessoa como o tal do Pr. Morris Cerullo. O tal profetizou que quem desse R$ 900,00 para o ministério do Pr. Malafaia receberia até dia 31 de dezembro de 2009 uma “unção financeira sem limites”, a “última distribuição das riquezas mundiais”. Levando-se em conta com foram arrecadados milhões nessa brincadeira, e que o programa foi reprisado umas 10 vezes no ano passado, realmente não entendo o porquê do Pr. Malafaia estar agora esmolando ofertas de 30 ou de 1.000 reais: basta que cada novo milionário da unção Cerulliana entregue uma ínfima parte de tudo o que recebeu até dia 31 passado. Ou será que a tal “unção financeira” foi apenas mais um embuste de espertalhões, embuste esse que ajudou o Pr. Malafaia a também recentemente comprar seu próprio aviãozinho pela bagatela de 12 milhões?

Além dessas sandices gospel, livremente pregadas pelo Pr. Malafaia em rede nacional, temos o fato de que sua pregação há muito tempo não se direciona à evangelização, mas à “instrução” de quem já é crente. Em suas pregações televisivas, prega sobre como o crente pode ser vitorioso. Ora, se sua pregação é, em quase sua totalidade, direcionada para quem já é crente, qual o interesse de que isso seja levado em nível mundial?

Ninguém é dono da verdade. Ninguém é essencial para a obra de Deus aqui na terra. A obra é de Deus, e Ele usa quem ele quer, quando e onde Ele quer. Alguém se achar imprescindível na pregação, ainda mais apresentando a quantidade de erros doutrinários que o Pr. Malafaia tem apresentado, é querer ser cego guiando outros cegos. E o final da história todos conhecemos: caem todos no buraco.

Que Deus possa nos tirar a vaidade de achar que a obra é nossa, e que assim possamos deixar que Ele nos use da forma que bem entender. Dessa forma, com a obra sendo feita por Deus através de nós, não precisaremos ficar esmolando ofertas em púlpitos ou programas de televisão, e ainda ter que ficar justificando que a obra precisa de dinheiro, dessa forma envergonhando ainda mais o Evangelho aos olhos daqueles que supostamente visam converter a Cristo.

Ora, já perceberam que a teoria defendida pelos profetas da prosperidade só funcionam para o povo, e nunca para eles mesmos?

É engraçado. Hoje é dia 1/1, está praticamente igual a ontem (tempo nublado, poucas pessoas nas ruas), mas por causa da mudança de calendário tudo simbolicamente está diferente. E como estamos num “novo ano”, é tradição se fazer as famosas promessas de mudança de vida: emagrecer, fazer exercícios, trabalhar menos ou mais, começar um novo curso, encontrar um grande amor.

Para não fugir à regra, e aproveitar para reativar esse blog, deixo aqui meus propósitos gospel para 2010. Se eu conseguir, no final do ano, ver pelo menos um terço deles cumpridos, já estará de bom tamanho.

Em 2010 desejo:

- encontrar uma igreja simples, com um pastor e ovelhas simples, onde o Evangelho seja pregado de forma pura e simples;

- que a Palavra pregada seja suficiente para acender a fé nas pessoas, sem a necessidade de criação de novas unções e de ênfase no emocionalismo e no misticismo;

- que o povo aprenda a buscar a Deus pelo que Ele é, e não pelo que supostamente Ele pode ou quer nos oferecer;

- que a fé deixe de ser mercadoria facilmente adquirida em troca de dízimos, trízimos, unções financeiras de R$ 900,00 ou mesmo de campanhas milagrosas por R$ 7,00;

- que possamos julgar os profetas pelo cumprimento de suas profecias, não pela fama gospel adquirida;

- que possamos julgar as lideranças pelos seus ensinamentos e sua conduta, sem medo de sermos taxados de rebeldes, amaldiçoados por nos levantarmos contra os “ungidos”;

- que possamos buscar os Frutos do Espírito mais do que a manifestação do Seu Poder (manifestação essa que pode ser facilmente falsificada pelas mãos de homens e de demônios);

- que tenhamos ousadia e coragem vindas do Senhor para enfrentar as verdadeiras perseguições que virão, especialmente de dentro das ditas igrejas;

- que saibamos que o Poder vem do Alto, não de lenços suados, fogueiras santas, ministrações de cura interior (ou regressão gospel), entrevistas com endemoninhados ou desafios financeiros;

- que mais e mais se levantem nas Expomamons, Marchas para Gezuiz e demais eventos que, sob a égide de Cristo, apregoam na verdade o poderio humano e das denominações às quais são ligados;

- que possamos não apenas apontar o engano em nome de Deus, mas principalmente agir contra esse engano, nos mobilizando para que o verdadeiro Evangelho chegue a todos, não apenas aos poucos que têm acesso a blogs apologéticos;

- que possamos transparecer o verdadeiro amor que vem de Cristo a todos, cristãos e não-cristãos;

- que deixemos nossos guetos gospel e possamos avançar no mundo, nos prostíbulos, nas favelas, nas ruas, entre nossos amigos, afinal quem precisa de médico sáo os doentes;

- que deixemos de “pescar em aquário” gospel, dando a liberdade de se congregar em qualquer denominação, sendo sal e luz onde estivermos;

- que possamos valorizar nosso tempo, dando mais de nós para Deus e o cumprimento de Sua vontade e perdendo menos tempo com coisas supérfluas e vazias, que existem para desviar nossa atenção do nosso real objetivo por aqui;

- que possamos, enfim, tornar realidade a oração de São Francisco, que na sua segunda parte diz:

“Oh Mestre, fazei que eu procure mais consolar do que ser consolado;
compreender, do que ser compreendido;
amar, do que ser amado.
Pois é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna”.

Irmãos, disponibilizo o artigo do Henrique M. Ziller, e aproveito para pedir desculpas por não estar respondendo essa semana aos comentários e aos emails (até sábado que vem estou em provas na faculdade, fora outras coisas, mas depois do dia 21 estarei novamente livre). Que Deus abençoe a todos.

 

A Igreja Evangélica é legitimadora da corrupção

Henrique Moraes Ziller* 

A afirmação que se faz no título desse artigo fundamenta-se em cinco percepções acerca da presença da Igreja Evangélica na nação brasileira, relativamente a sua atuação. 

Em primeiro lugar, a Igreja Evangélica Brasileira é legitimadora da corrupção porque não a denuncia. Não concebe que deva encarnar a função profética, relega ao segundo plano as questões sócio-políticas, e não se manifesta sobre aquela que é a maior manifestação do mal nas terras brasileiras: a corrupção. Não há denúncia. 

Em segundo lugar, a Igreja Evangélica Brasileira é legitimadora da corrupção porque sua ação social substitui a ação do Estado, não denuncia a situação e não exige que o Poder Público desempenhe suas obrigações. Se por um breve momento a Igreja Evangélica Brasileira deixasse de realizar suas ações de assistência social, o País se tornaria um caos, imediatamente. A distribuição da renda, consubstanciada na distribuição de cestas básicas e demais ações similares, a recuperação e inserção social, consubstanciadas nos trabalhos das inúmeras casas de recuperação, a promoção do ensino, por intermédio de milhares de escolas confessionais, o cuidado com a criança, realizado por creches e pela própria Escola Dominical, tudo isso, são funções do Estado negligente que não as realiza. Na medida em que a Igreja Evangélica faz tudo isso – e jamais deve deixar de fazer – sem a devida e obrigatória participação do Estado, e não denuncia a gravidade do fato, está sendo cúmplice de governantes e parlamentares criminosos, que utilizam em benefício próprio os recursos que deveriam ser destinados a essas atividades.  

Em terceiro lugar, a Igreja Evangélica Brasileira é legitimadora da corrupção porque se associa ao Poder Público sem a crítica adequada. Seus líderes sobem nos palanques políticos, impõem as mãos sobre as cabeças de gente cujo pensamento está voltado apenas para seus próprios interesses e para o crime, dá e recebe condecorações de e para gente sem a menor credencial ética para isso, cede os púlpitos a bandidos, enfim, associa-se a gente que deveria estar presa, mas que usufrui da liberdade que o seu poder lhes permite adquirir. Aqueles que deveriam ser alvo de denúncia e profetismo por parte da Igreja são seus grandes amigos e aliados. 

Em quarto lugar, a Igreja Evangélica Brasileira é legitimadora da corrupção porque não desenvolve ações consistentes de combate à corrupção. E nem poderia ser diferente, visto que ela nem mesmo a denuncia. Enfrentar esse mal é obrigação, mas nada faz a respeito. 

Em quinto lugar, a Igreja Evangélica Brasileira é legitimadora da corrupção porque a pratica desavergonhadamente. 

À denúncia acima pronunciada segue-se, necessariamente, a proposta de ação. 

1. Para denunciar a corrupção nos púlpitos, e perante a nação, obrigação inadiável da Igreja Evangélica Brasileira, é necessário colocar ordem dentro de casa: transparência das contas. Igrejas precisam publicar seus balancetes e prestar contas do que fazem com os dinheiros de seus membros, se quiserem ter credibilidade e autoridade para profetizar contra o mau uso dos recursos pelo Poder Público. Os líderes de igreja não podem submeter-se apenas à prestação de contas – inevitável e certa – diante de Deus. Precisam entender o momento em que o País se encontra e dar o exemplo. Transparência, eis a exigência.

2. A Igreja não  pode deixar de fazer ação social, mas tem que cobrar a ação do Governo, o emprego das verbas públicas nos programas sociais e as ações que promovam a distribuição de renda. Precisa-se, antes de mais nada, de informações acerca de todo o esforço que a Igreja Evangélica Brasileira está fazendo para amenizar a situação de dificuldade em que vive grande parte da nação. O Governo tem que conhecer a enorme dimensão dessas ações, e seu alcance. Trabalho que dá credibilidade para cobrar do Governo que faça a sua parte, em particular impedindo que o dinheiro público seja desviado para atender a interesses privados. A Igreja não pode substituir a ação do Estado, como ocorre hoje; esse esforço tem que ser complementar. O Estado tem a obrigação de zelar por seus cidadãos, a Igreja, de amar o próximo. O trabalho da Igreja não exime o Estado de sua responsabilidade. No entanto, a última coisa que se deve pleitear é a parceria na qual as igrejas recebam mais verbas públicas para a realização de ações de cunho social. Há generosidade e recursos suficientes para contribuir com as obras das Igrejas. Não se rejeitam parcerias com o Poder Público, mas elas só podem se estabelecer fundamentadas em sólidos sistemas de controle e transparência. Em parceria com o Poder Público, a Igreja tem demonstrado que é engolida pelo mesmo mal que assola a Nação.

3. Não há outra possibilidade, nesse momento, senão o rompimento radical com as práticas que a Igreja Evangélica Brasileira tem adotado em relação aos seus representantes no Poder Executivo e no Poder Legislativo. Se eles querem ir às igrejas, ou se mesmo já são membros, que se assentem nos bancos e ouçam, em silêncio. Se quiserem conversar com esse povo sobre política, que se marquem reuniões específicas para isso, e que nunca se tratem tais assuntos em cultos. Não se pode mais chamá-los aos púlpitos e impor sobre eles as mãos, manipulando a compreensão dos membros. Se querem oração que recebam-na nos gabinetes, pois o Deus que ouve em secreto em secreto os responderá. Pastores não devem receber condecorações das mãos de criminosos travestidos de prefeitos e parlamentares, há que se ter o mínimo de decência e discernimento.

4. A Igreja precisa adentrar o espaço público aberto a ela e a toda a comunidade. Participar dos Conselhos Municipais de Políticas Públicas criados por lei para exercer o controle das ações públicas em áreas como a educação, a saúde e a assistência social, entre outras. Pastores devem incentivar seus membros a participar, promover treinamento para eles, e facilitar-lhes o acesso a estas instâncias de participação política. Fazendo isso,  a Igreja estará garantindo a merenda escolar para seus próprios filhos – e demais crianças de suas cidades, o salário adequado para os professores, os recursos para as entidades de assistência social, os programas de enfrentamento de moléstias, o dinheiro para a farmácia básica, entre tantas outras possibilidades. A legislação brasileira tem criado esses conselhos, dos quais devem fazer parte representantes da sociedade civil organizada. Espaço absolutamente adequado para a ação consistente da entidade que mais faz ação social nesse País, a Igreja Evangélica Brasileira.

5. Quanto à participação na corrupção desenfreada nesse País, já conhecida há tanto tempo, e vergonhosamente evidenciada, por exemplo, na CPMI dos Sanguessugas, é necessário, em arrependimento e quebrantamento, pedir perdão. Pedir perdão a Deus e à Nação, pois esperava-se muito mais da Igreja Evangélica Brasileira.

Sobre ela pesa duro juízo, por suas ações, por sua acomodação, por sua omissão cúmplice. Pois, ao invés de destruir as obras do diabo, tornou-se partícipe delas. 

* Henrique Moraes Ziller é  membro da Igreja Metodista da Asa Sul, em Brasília – DF, é Audito Federal de Controle Externo do Tribunal de Contas da União e Presidente do Instituto de Fiscalização e Controle (www.adoteummunicipio.org.br).

Irmãos, o Pablo Silva colocou no ar a primeira parte do vídeo Duas Marchas, um documentário que produziu durante a manifestação pelo Evangelho puro e simples. Que todos vejam a simplicidade e a irrelevância do nosso protesto. Todo o resultado é apenas o reflexo da obra de Deus. Quem viver, verá.

A Deus seja toda a glória, para sempre!!!

http://videolog.uol.com.br/pabloosilva/videos/493923

(logo postaremos a 2a. parte, aguarde!)

Ontem estive na Marcha Jesus, mas minha marcha era outra, pois diferente da marcha oficial não usamos o nome de Deus em vão, não aplaudimos mercenários, não cantamos que somos a “geração apostólica”, não respondemos as palavras de ordem do “apostolo” etc.

Para ir a marcha tomei um trem em Santo André e pude ver na estação e na composição muitos participantes da marcha, a maioria uniformizados com a camiseta da marcha.

Apesar de eu estar com a camiseta pedindo ética e pedindo para o show terminar não fui (acho) notado no trem e quando chegou na estação da luz esta lotado de “soldados” que se dirigiam a Marcha. Na estação o barulho era desagradável, parece que eles não se importaram com o cidadão comum que estava usando o trem para ir a outro lugar.

Chegando ao local comecei a conhecer meus companheiros de luta, e em pouco tempo estávamos todos lá, 8 pessoas no meio de um milhão. O tema criado para marcha foi real para nós pois estávamos enfrentando gigantes, mas não seria isso que nos faria desistir.

Sinceramente esperava mais hostilidade, afinal tirando um pouco da agua que jogaram em nós e em nossa faixa, na garafada que um rapaz deu nesta mesma faixa, da fralda que voou e quase acertou um dos nossos que esperto conseguiu se desviar , não houve nada de mais sério. Ah sim teve as vaias, o xingamento de fariseus e até de Judas, mas isso foi secundário.

A mensagem impressa em nossas camisetas:
MARCHA PELA ÉTICA EVANGÉLICA, O SHOW TEM QUE PARAR, o texto bíblico estampado nas costas da camiseta ” O AMOR AO DINHEIRO É A RAIZ DE TODOS OS MALES,E ALGUNS NESTA COBIÇA, SE DESVIARAM DA FÉ,” I Tim 6:3-1O e a mensagem das faixas: “VOLTEMOS AO EVANGELHO PURO E SIMPLES, O SHOW TEM QUE PARAR”, foram lidas por centenas ( diria milhares) de pessoas.

Alguns criticavam, outros queriam saber qual era nosso objetivo ali. Fomos questionados mas também recebemos muito apoio.

Nossa faixa e nossas camisetas foram fotografadas por dezenas de participantes da marcha, posei ao lado de muitos deles em algumas destas fotos.

Mossas faixas foram lidas pelos organizadores e artistas da marcha que passaram nos trios eletricos.

Algumas pessoas ao conversar conosco entenderam nosso protesto, outras preferiam falar palavras sem sentidos e repetir chavões gospéis.

Conversei com pessoas sem conhecimento bíblico nenhum, só sabiam repetir palavras de efeitos, mas respalda-la nas escrituras era difícil para elas e pior, não aceitavam a bíblia quando nós a citávamos.

Percebemos muita religiosidade, percebemos muitos sendo levados por ventos de doutrinas.

Vendo a multidão lembrei de Jesus que viu a multidão como ovelhas sem pastor.

Talves num futuro próximo saberemos os efeitos práticos deste trabalho na vida de alguns, talves só a eternidade nos revele isso em ralação a outros, mas uma semente foi plantada.

Alias vários tipos de sementes foram plantadas, pois alem destas citadas ,no coração de participantes da marcha que tiveram contato conosco, outras sementes foram plantadas no coração de irmãos em todo o Brasil que estão despertando para este tipo de ação e farão o mesma coisa em suas cidades enquanto outros estarão conosco nas próximas oportunidade.

Fico feliz com a repercussão nos blogs, me animo com cada palavra de apoio.

A Deus toda gloria….

Fonte: Blog Exemplo Bereano (http://exemplobereano.blogspot.com/)

Após quarenta anos de vida, posso dizer que já vivi inúmeras emoções amargas, tristes, dolorosas, alegres, que vão desde a dor de reconhecer o corpo de meu pai no IML, com seis anos de idade, ao saltar de pára-quedas no exército aos dezoito, à emoção de minha conversão. Porém, nada se assemelha à emoção e o enorme prazer que tive nesse dia 2 de novembro de 2009, juntamente com minha esposa Vera e nosso futuro bebê, que aos dois meses de gestação já é um verdadeiro protestante.

Sempre fui um angustiado, como diz Heidegger. Sempre busquei ser um cristão protestante, que caminhasse juntamente com Cristo no caminho de Emaús da vida. Via a Igreja crescendo e se perdendo em meio às fantasias e os sonhos, que nada mais, nada menos, eram uma luta desenfreada de alguns homens e mulheres, que buscavam o poder.

O slogan da nossa marcha nasce no retorno da facudade, após uma aula sobre a Missio Dei. Quando meditava sobre a verdadeira missão da Igreja, me veio à mente a relação da verdadeira missão da Igreja e do show que se tornaram os cultos evangélicos. Aí foi simples concluir: o show tem que parar. E por meses eu e a Vera caminhamos passo a passo, desde a criação da camiseta, as idéias das faixas, e todos os passos a serem seguidos.

É preciso pensar que tudo isso foi criado apesar de nossos trabalhos e nossos estudos, sem contar os nossos afazeres domésticos. Mas chega o dia, e lá vamos nós, eu, a Vera e o nosso filhinho, com uma grande incerteza: de que teríamos mais companheiros. Mas louvado seja Deus, pois nossa humilde fé não poderia imaginar que o Senhor da seara já havia preparado seus obreiros.

No caminho, quando estava dentro do metrô, fui indagado por um homem que, com olhos fixos em nossas camisetas, disse: “que palhaçada é essa?”, e eu respondi que era um protesto que estaríamos fazendo pela ética na igreja evangélica brasileira. E ele, com uma expressão bastante brava, e também com uma certa indignação, disse que não ia discutir. Senti que a caminhada seria árdua.

Estava bastante apreensivo e preocupado com a Vera, pois ela está em período de gestação e temia que algo lhe acontecesse. Minha preocupação aumentou quando saímos em meio a uma grande multidão no metrô Tiradentes. De imediato, fomos sendo interpelados com olhares e pequenas vaias, mas ao encontrar os demais irmãos, confesso que senti uma grande paz, pois em meu coração tinha aquela sensação de que seríamos um casal solitário em prol de uma luta.

Éramos oito! Não sete, que é o “número profético”, mas na verdade éramos nove (estão esquecendo do meu baby?). Mas aí realmente começou nosso protesto.

Fomos a uma van da Rede Gospel, e ali estendemos nossas faixas. Foi aí que sentimos que estávamos diante de uma árdua tarefa, pois começamos a ser vaiados, xingados, e foi quando um jovem tentou me passar uma rasteira por trás. Porém, permanecemos firmes, e dali partimos para o trio-elétrico que carregava os principais líderes dos movimentos evangélicos brasileiros.

Apesar do ar de desprezo e desconsideração, foi possível ver Hernandes e sua turma visualizarem nossas faixas, mesmo sendo poucas. Caminhamos em meio à muita hostilidade. Imaginem o que é caminhar em meio à multidão que lhe vaia, xinga, repudiando-lhe sem nem lhe conhecer, e quando você olha ao redor, os seus companheiros são também desconhecidos, pois os oito participantes foram se conhecer pessoalmente ali no meio da marcha, segurando as faixas. Em certo momento, eu e o Diogo carregávamos a faixa e ele, bastante contrito, confessou que sentia vontade de chorar, por ver tudo aquilo. Que muito se entristecia, por saber que muitos ali estavam sem saber realmente quem era o Cristo Vivo, e eu lhe disse que, com certeza, havia muito mais tristeza nos céus. Porém, muito me alegrava o fato de que nossa geração não enfrentou nem leões, nem coliseus, nem fogueiras.

Apesar de tudo, tínhamos a liberdade de poder manifestar nossa insatisfação com a realidade da igreja. Muito me alegrei pelas inúmeras pessoas que nos pararam para demonstrar o respeito pelo nosso ato.

Com o decorrer da marcha, vários trios-elétricos passaram por nós, carregando a cúpula das principais igrejas neopentecostais de São Paulo. Não sei dizer qual apóstolo, ou bispo, ou pastor que, de posse do microfone, gritou a todos ao ler nossas faixas: “isso aqui não é show não! Olha aí os fariseus”, e uma multidão incontável se virou para nós e começou a gritar: “fariseus, fariseus”. Sem contar a chuva de garrafas de água que vieram para cima de nós.

Sem querer me assemelhar, pois não é possível, me senti no coliseu, cercado pelas multidões nos dias de massacre. Porém, uma alegria veio em meu coração, e bradava bastante forte.

Sou grato a Deus pelo sacrifício de Cristo. O Reino de Deus não é feito de funcionários, mas sim por filhos e filhas, que reconhecem o seu senhorio. E ali ficamos até que toda a marcha passasse, na contínua repetição de desaforos, chacotas, até que todo o público se dissipasse em direção ao “show”. Nós, como grupo, nos reunimos e nos regozijamos pela tarefa cumprida. Oramos juntos, agradecendo a Deus pela oportunidade, mas acima de tudo, reconhecemos que não havia em nós mérito algum, pois tudo foi tão simples, tão insignificante! Imagine, nossas faixas eram de papel! As frases simples, “voltemos ao Evangelho puro e simples. O $how tem que parar”. Éramos apenas oito, mas na história bíblica dá-se a impressão de que Deus gosta das coisas insignificantes, pequenas, sem aparência. Assim foi desde o AT e em todo o NT.

Apesar de todos os autores e autoras da história, nada substitui a oportunidade de estar dentro do fato histórico, e principalmente ser sujeito da história. Nossa verdadeira luta é contra todo o sentido herético que envolve os personagens do universo gospel, porque quando enfrentamos uma mentira, é simples, é só confrontá-la com a verdade. Porém uma heresia é um grande desafio, pois enfrentamos uma meia-verdade. Muito pior que uma mentira absoluta, é uma meia-verdade. Por isso o desafio de enfrentarmos os gigantes do meio gospel é ter a consciência de que teremos que reverter as meias-verdades.

Por um dia fui protestante de coração, sem o desejo e a vaidade de querer aparecer, mas unicamente com o verdadeiro intuito de demonstrar que não é com conformismo, nem com covardia, que iremos mudar a situação. A cada dia surge uma nova denominação, um novo apóstolo, e novas heresias. É preciso armas realmente espirituais, que não sou eu, mas sim o verdadeiro apóstolo Paulo quem disse.

Precisamos de emoções, mas precisamos muito mais de sabedoria. É preciso por a Igreja para pensar, para refletir dentro dos inúmeros desafios que envolvem a vida cotidiana. Precisamos de uma Igreja pronta para dizer à sociedade brasileira: nós temos o caminho, a verdade e a vida. A Igreja tem que voltar a ser voz profética para o mundo em caos, e esse é o grande desafio de todo  cristão e cristã, de combater  cada passo contrário, dado em direção contrária às manifestações da vontade de Deus no mundo.

Não paremos aqui. Repito aqui a frase de um antigo metalúrgico: a luta continua,companheiros!!!

Fonte: Blog Pedras Clamam – http://pedrasclamam.wordpress.com

Um dia como protestante. Essa é a frase que o Paulo (http://pedrasclamam.wordpress.com/) disse na segunda de finados e foi a frase que ficou na minha cabeça. Ressoa com mais força quando leio nos blogs como que estes 8 fizeram barulho em uma marcha com mais de 1 milhão. É nessas horas que eu penso se realmente não foi tudo pensado por Deus para que fosse desta forma. A Vera escreveu em algum lugar que Deus preferiu assim para mostrar que Ele age na simplicidade e que se fôssemos em maior número até poderíamos ficar orgulhosos de ter feito o que fizemos e unicamente por nossa força. De jeito nenhum! Deus usou um grupo de 8 kamikazes pra mandar uma mensagem para estes lobos em pele de cordeiro. Eu e o Di Bochio dissemos que seriamos os bastardos inglórios do Reino… rs… Eu amei o filme do Tarantino e acho que veio a calhar. Éramos poucos… Mas vimos um milagre acontecer.

Não fiz isso para aparecer pra ninguém, queria levar uma mensagem e quero levantar a bandeira para o verdadeiro evangelho. Sei que esta guerra levará tempo e pode ter certeza de que eu vou até o final, se assim o Chefe permitir. Preciso dizer que me sinto envergonhado porque sou um pecador e mesmo assim, pela repercussão que a ação teve, sinto que fomos ouvidos por Deus. Agora imagina, se Deus fez isso com 8 pecadores apaixonados pela Palavra o que Ele não faria com mais pecadores com a mesma disposição de denunciar estas coisas? Fico sonhando com este dia onde iremos levantar a voz todos juntos. Será lindo… Lembro de Romanos quando Paulo escreve que a criação aguarda ansiosamente pela revelação dos filhos de Deus! É revelação e não omissão. Enquanto muitos se calam, milhões de outros vão para o inferno e se fodem neste mundo cruel (e escrever palavrão escandaliza mais do que as pessoas indo para caminhos de perdição… infelizmente)

Eu e o Di chegamos cedo na marcha e fomos de metrô. Quando entramos na estação Vergueiro a primeira coisa que senti foi medo. Sim! Senti um clima pesado e o vagão estava cheio de “cristãos”… Não sei porque senti aquilo, mas nem falei nada para o Di. Éramos só nós dois ali e na frente de batalha não dá pra demonstrar medo (lições de Sun Tzu! rs). Afinal de contas o que mais nos perguntávamos no dia anterior e no caminho era se haveria alguém além de nós dois protestando. Incrível que esta foi a mesma preocupação da Vera e do Paulo! Então sendo nós dois, kamikazes, não dava pra mostrar medo ou hesitar porque já tínhamos passado do ponto do qual era permitido retroceder. Vamos que vamos! Foi o que eu pensei…

Sempre tive esse desejo de fazer algo pra Deus que não fosse muito convencional e que realmente me tirasse da zona de conforto. Era uma coisa que me animava, mas o maior motivador foi ver como as pessoas hoje são enganadas por este falso evangelho. Eu via nas atitudes e nos olhos de quem ali estava o quanto é real. Doeu no coração ver a cegueira dos indivíduos e, mais ainda, eu fiquei indignado e revoltado, clamando por uma revolução. Cansei disso tudo e resolvi fazer algo, quer dizer, acho que quem me arresolveu foi o Chefe e glórias sejam a Ele por isso. Fomos xingados, vaiados, hostilizados, jogaram água e até uma fralda suja no Di! Mas valeu a pena saber que no meio disso ainda vimos pessoas ali que nos apoiaram e estão cansadas disto tudo.

Caminhar naquele sol pareceu ser algo pequeno, mas os resultados tem aparecido aos poucos e “porque pelo fruto se conhece a árvore.” (Mateus 12.33) iremos continuar firmes nessa luta.

De fato foi um dia difícil, mas eu pessoalmente gostei muito de saber que existem inconformados com esta situação que não se calaram. Pelo contrário, pegaram suas faixas e camisetas e foram para lá. Sofremos com o sol porque aquela camiseta preta mais parecia um manto talibã! Devo ter perdido uns 3 kgs dentro da sauna grátis.

O movimento está apenas começando, mas que esta fagulha se espalhe e vire um grande incêndio. É o que oramos a Deus!

A paz!

Fonte: Blog Cidoido – Um mero peregrino: http://cidoido.blogspot.com

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